Artigos do Autor: Fernando Bruder

Atleta botucatuense é prata nos Jogos Escolares Brasileiros 2021

A atleta Raquel de Souza Pinto, aluna da Escola Estadual “Dom Lúcio de Antunes” conquistou a medalha de prata nos Jogos Escolares Brasileiros 2021. A competição foi realizada no último final de semana, no Parque Olímpico, na cidade do Rio de Janeiro.

Raquel, que conseguiu o acesso à competição após se destacar no Campeonato Paulista de Atletismo Sub-16 e na Seletiva Estadual, realizadas em São Bernardo do Campo, conseguiu repetir o bom desempenho no lançamento do dardo e ficou novamente no 2º lugar. A atleta é aluna do Projeto Futuro da Cuesta, do Instituto Suman, instituição conveniada com a Secretaria de Esportes e Promoção da Qualidade de Vida.

“A Raquel é mais uma prova do belo trabalho que é desempenhado em nossa Cidade no esporte de base. É aluna da nossa escolinha de atletismo e mais uma vez destaca o nome de Botucatu no atletismo. Parabenizo a Raquel e toda a nossa equipe do atletismo”, afirmou Geraldo Pupo, Secretário Municipal de Esportes e Promoção da Qualidade de Vida.

Os Jogos Escolares Brasileiros (JEB`s) 2021 são a maior competição escolar do Brasil e reúne milhares de estudantes-atletas de todo o país em 17 modalidades.

Entre os objetivos dos Jogos Escolares Brasileiros estão o fomento da prática do esporte escolar com fins educativos, a identificação de talentos esportivos nas escolas; a contribuição para o desenvolvimento integral do aluno como ser social, autônomo, democrático e participante, estimulando o pleno exercício da cidadania por meio do esporte; e a garantia do conhecimento do esporte de modo a oferecer mais oportunidade de acesso à prática do esporte escolar.

Corpo de Bombeiros fará um bloqueio educativo neste sábado dia 30 na Praça do Bosque

Neste sábado, dia 30 de outubro, das 09:00 às 11:00, será realizado na Rua Amando de Barros, em frente à Praça do Bosque, mais um bloqueio educativo referente à Campanha de prevenção de afogamentos “Operação Viva Verão”.
Serão distribuídos panfletos educativos, exposição de materiais de salvamento, exposição de uma piscina lúdica e fornecimento informações de prevenção.

O evento conta com a união e a integração de várias instituições envolvidas com a segurança da vida e o bem estar da população.

É uma somatória de forças do Corpo de Bombeiros de Botucatu 15ºGB/5ºSGB, SAMU, Defesa Civil Municipal, Guarda Civil Municipal, Projeto Crescer Seguro, Conselho Municipal de Turismo, Tiro de Guerra 02-048, Secretaria de Turismo, Secretaria da Educação, Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático e outras entidades Públicas e Privadas.

O programa “Operação Viva Verão” foi desenvolvido em 2014, com o lema “Prevenir é Salvar, Educar para não Afogar” e já colaborou expressivamente com a diminuição dos números de acidentes com afogamentos em Botucatu e região.

A união destas forças e a colaboração de todos os envolvidos é de fundamental importância para atingir o objetivo final, que é a preservação de vidas e a diminuição de casos de afogamentos.

 

Sabesp realiza serviço de domingo a terça no Centro de Botucatu

A Sabesp informa que, de domingo (31/10) a terça (2/11), irá realizar serviços para a remanejamento de rede coletora de esgoto na Rua Curuzu, entre as Ruas Djalma Dutra e Ponte sobre o Rio Lavapés, no Centro de Botucatu.

Durante os trabalhos o trânsito no local, incluindo o transporte público, será desviado pela Rua Djalma Dutra, seguindo pela Avenida Marechal Floriano Peixoto. Recomenda-se evitar o tráfego pela região no período da obra.

A previsão é que os serviços sejam concluídos até o final do dia 02/11, terça-feira.

A Sabesp pede desculpas pelos transtornos e segue à disposição dos clientes pelos telefones 195 e 0800 055 0195. A ligação é gratuita, durante 24 horas.

Assessoria Sabesp Botucatu

Prefeitura de Botucatu antecipa pagamento dos vales alimentação e saúde

Como forma de presentear o servidor público municipal pelo dia comemorativo, a Prefeitura de Botucatu antecipará o pagamento do vale alimentação para esta sexta-feira, 29. Nesta quinta, 28, comemora-se o Dia do Servidor Público.

Normalmente creditado na conta dos servidores municipais no primeiro dia do mês, o benefício já será disponibilizado de forma antecipada.

O pagamento significa também a antecipação de aproximadamente R$ 2 milhões, que circularão por supermercados e estabelecimentos de alimentação e de saúde do Município.

“Graças a uma gestão austera e que busca otimizar os recursos públicos é que conseguimos antecipar esse pagamento para antes do feriado prolongado, dando assim mais conforto aos servidores. É um gesto de gratidão por todo o trabalho que vem sendo desempenhado por esses homens e mulheres em prol da nossa população”, afirmou o Prefeito Mário Pardini.

O salário referente ao mês de outubro dos quase 3 mil servidores ativos e inativos da Prefeitura já está disponível nas contas.

 

Saúde promove Campanha de Prevenção do Câncer de Próstata durante o “Novembro Azul”

A Secretaria Municipal de Saúde, através das Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família promoverá durante o mês de novembro a Campanha de Prevenção do Câncer de Próstata.

Todos os homens (sintomáticos ou sem sintomas) com idade superior a 45 anos devem procurar a unidade mais próxima de sua residência para o agendamento do exame ou consulta conforme cronograma e programação estabelecida pelas equipes.

O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas e quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura.

Na fase avançada, os sintomas são dor óssea, dores ao urinar, vontade de urinar com frequência e presença de sangue na urina ou no sêmen.

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco (tabagismo e antecedentes familiares de câncer de próstata), ou 50 anos sem estes fatores de risco, devem ir em uma Unidade de Saúde para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico). Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal.

Outros exames poderão ser solicitados se houver suspeita de câncer de próstata: USG de Próstata e as biópsias, que retiram fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom transretal.

Mais informações:

Secretaria Municipal de Saúde

Rua Major Matheus, 07, Vila dos Lavradores

Telefone: (14) 3811-1100

Confira o expediente das repartições públicas municipais no feriado de Finados

A Prefeitura de Botucatu informa que as repartições públicas não funcionarão na próxima sexta-feira, 29, ponto facultativo, em comemoração ao dia do Funcionário Público; dia 1º de novembro, ponto facultativo e 02 de novembro, Dia de Finados. O atendimento voltará ao normal na quarta-feira, 03.

 

Saúde – Os Prontos-Socorros Adulto e Pediátrico, localizados na Vila Assumpção e Vila dos Lavradores, respectivamente, bem como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU192) e a Central de Ambulâncias (0800-772-1415) atenderão normalmente a população em esquema de plantão 24 horas. A Central Coronavírus ficará aberta todos os dias das 7 às 19 horas (3811-1519).

 

Já as Unidades de Saúde seguirão o expediente da Prefeitura. Mais informações podem ser obtidas no (14) 3811-1100 (Secretaria Municipal de Saúde).

 

Educação – No dia 29, sexta-feira, o atendimento estará suspenso em todas as unidades escolares da Rede Municipal de Ensino. No sábado, 30, apenas o  CEI Claudeval Luciano da Silva e o CEI Canal Comunitário atenderão em sistema de plantão alunos de 0 a 3 anos. Na segunda-feira, 01, ponto facultativo, o CEI Claudeval Luciano da Silva, o CEI Prof. Ruy Amado Piozzi e o CEI Canal Comunitário atenderão em sistema de plantão alunos de 0 a 3 anos. As aulas retornam ao normal na quarta-feira, dia 03.

 

Mercado Municipal – O Mercado Municipal “Vereador Progresso Garcia” estará fechado no dia 2 de novembro, Dia de Finados.

 

Limpeza Pública – A coleta de lixo domiciliar será  realizada normalmente  no feriado prolongado. Já a Coleta Seletiva só não será realizada na terça-feira, 02, Dia de Finados,  retornando às atividades na quarta-feira, 03.

 

Horário de funcionamento dos cemitérios


Os portões do Cemitério Portal das Cruzes estarão abertos das 6 às 18 horas; o Cemitério Jardim funcionará das 7 às 18 horas; e o Cemitério do Distrito de Vitoriana receberá a visitação das 7 às 18 horas. Neste dia não será permitida a limpeza a manutenção dos jazigos.

 

Nos três cemitérios estão programadas missas ao longo de toda a terça-feira, 02. Confira os horários e a paróquia responsável:


Cemitério Portal das Cruzes

 

7h30 – Paróquia Catedral Sant’Ana

9h – Paróquia Santa Teresinha

10h30 – Paróquia Sagrado Coração de Jesus

15h – Paróquia Menino Deus e Santo Antônio

17h – Paróquia São Benedito

 

Cemitério Jardim

 

7h30 – Paróquia São Pio X

9h – Paróquia Nossa Senhora de Fátima

10h30 – Paróquia Santo Antônio de Rubião Junior

15h – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

17h – Paróquia Nossa Senhora Menina

 

Cemitério Vitoriana

 

9h – Paróquia Sagrada Família


Serviço

 

Cemitério Portal das Cruzes

Rua Carlino de Oliveira, s/nº – Centro

Telefone: 3811-1500

Cemitério Jardim

Avenida José Italo Bacchi, s/nº – Jardim Aeroporto

Telefone: 3811-1501


Cemitério de Vitoriana

Rodovia Alcides Soares, s/nº – Distrito de Vitoriana

Telefone: 3815-9555 (Subprefeitura)

APCD doa 7 mil kits de escovação para alunos da Rede Municipal

No último dia 25 de outubro comemorou-se o Dia Nacional do Cirurgião Dentista e da Saúde Bucal, mas quem ganhou os presentes foram os alunos das escolas do Ensino Fundamental I da Rede Municipal de Ensino.

A Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas de Botucatu (APCD), em parceria com a Prefeitura Municipal e OSS Pirangi, proporcionará a entrega de 7 mil kits de escovação pelas Equipes de Saúde Bucal das Unidades de Atenção Básica,  para todos os alunos do Ensino Fundamental – anos iniciais, da Rede Municipal de Ensino.

“Durante toda esta semana, as Equipes de Saúde Bucal da Prefeitura e da OSS Pirangi estarão fazendo a entrega em todas as escolas, além de realizar atividades educativas sobre os benefícios da prevenção com a correta escovação. Cada aluno ganhará o seu kit contendo escova, pasta e sabonete, que poderão ser levados para a casa” explicou a Dra. Renata Bastos Del Hoyo, Coordenadora do Programa de Saúde Bucal.

As lésbicas acusadas de transfobia por recusarem sexo com mulheres trans

Uma lésbica é transfóbica se ela não quer fazer sexo com mulheres trans? Algumas lésbicas dizem que estão sendo cada vez mais pressionadas e coagidas a aceitar mulheres trans como parceiras – depois rejeitadas e até ameaçadas por falarem abertamente sobre isso. Várias falaram à BBC, junto com mulheres trans que também estão preocupadas com o assunto.

Aviso: a história contém linguagem forte

“Ouvi uma pessoa dizer que preferia me matar do que (matar) Hitler”, disse Jennie*, de 24 anos.

“Disse-me que me estrangularia com um cinto se estivesse em uma sala comigo e Hitler. Isso foi tão bizarramente violento, só porque eu não faço sexo com mulheres trans”.

Jennie é uma mulher lésbica. Ela diz que só sente atração sexual por mulheres biologicamente femininas e com vaginas. Ela, portanto, diz que só tem relações sexuais e relacionamentos com essas pessoas.

Jennie não acha que isso deveria ser controverso, mas nem todos concordam. Ela foi descrita como transfóbica, fetichista genital, pervertida e “terf” (feminista radical transexcludente).

“Há um argumento comum que tentam usar que diz: ‘E se você conhecesse uma mulher em um bar e ela fosse muito bonita e você se desse muito bem e fosse para casa e descobrisse que ela tem um pênis? Você simplesmente não estaria interessada?'”, diz Jennie, que mora em Londres e trabalha com moda.

Eu me deparei com esse problema específico depois de escrever um artigo sobre sexo, mentiras e consentimento legal.

Várias pessoas entraram em contato comigo para dizer que havia um “grande problema” para as lésbicas, que estavam sendo pressionadas a “aceitar a ideia de que um pênis pode ser um órgão sexual feminino”.

Eu sabia que esse seria um assunto extremamente polêmico, mas queria descobrir quão difundido o assunto era.

No fim das contas, tem sido difícil determinar a verdadeira escala do problema porque há poucas pesquisas sobre esse tópico – apenas uma que eu conheça. No entanto, as pessoas afetadas me disseram que a pressão vem de uma minoria de mulheres trans, bem como de ativistas que não são necessariamente trans.

Elas descreveram ter sido assediadas e silenciadas quando tentaram discutir o assunto abertamente. Eu mesma recebi insultos online quando tentei encontrar entrevistados usando as redes sociais.

Uma das lésbicas com quem conversei, Amy *, de 24 anos, me disse que sofreu abuso verbal de sua própria namorada, uma mulher bissexual que queria que elas fizessem um ménage à trois com uma mulher trans.

Quando Amy explicou seus motivos para não querer, sua namorada ficou com raiva.

“A primeira coisa que ela me chamou foi de transfóbica”, disse Amy. “Ela imediatamente pulou para me fazer sentir culpada por não querer dormir com alguém.”

Ela disse que a mulher trans em questão não havia passado por cirurgia genital, então ainda tinha um pênis.

“Sei que não há possibilidade de me sentir atraída por essa pessoa”, disse Amy, que mora no sudoeste da Inglaterra e trabalha em um estúdio de impressão e design.

Amy disse que se sentiria assim mesmo se uma mulher trans tivesse se submetido a uma cirurgia genital – o que algumas optam por fazer e outras, não.

Logo depois, Amy e sua namorada terminaram.

“Lembro que ela ficou extremamente chocada e zangada e afirmou que minhas opiniões eram propaganda extremista e incitação à violência contra a comunidade trans, além de me comparar a grupos de extrema direita”, disse ela.

‘Eu me senti muito mal por odiar cada momento’

 

Outra lésbica, Chloe *, de 26 anos, disse que se sentiu tão pressionada que acabou fazendo sexo com penetração com uma mulher trans na universidade depois de explicar repetidamente que não estava interessada.

Elas viviam próximas uma da outra em residências universitárias. Chloe estava bebendo álcool e não considera que poderia ter dado o consentimento adequado.

“Eu me senti muito mal por odiar cada momento, porque a ideia é que somos atraídos por gênero em vez de sexo, e eu não senti isso, e me senti mal por me sentir assim”, disse ela.

Envergonhada e constrangida, ela decidiu não contar a ninguém.

“A linguagem na época era muito ‘mulheres trans são mulheres, elas são sempre mulheres, lésbicas deveriam namorar com elas’. E eu pensei, esse é o motivo de eu rejeitar essa pessoa. Isso me torna má? Terei permissão para continuar na comunidade LGBT? Ou sofrerei consequências por isso?’ Então, eu realmente não contei a ninguém.”

Ouvir sobre experiências como essas levou uma ativista lésbica a começar a pesquisar o assunto. Angela C. Wild é cofundadora do grupo Get The L Out, cujos membros defendem que os direitos das lésbicas estão sendo ignorados por grande parte do movimento LGBT atual.

Ela e seus colegas ativistas se manifestaram nas marchas no Reino Unido, onde enfrentaram oposição. O Orgulho (Pride) em Londres acusou o grupo de “intolerância, ignorância e ódio”.

“As lésbicas ainda têm muito medo de falar porque acham que não vão acreditar nelas, porque a ideologia trans está silenciando em todos os lugares”, disse ela.

Angela criou um questionário para lésbicas e o distribuiu nas redes sociais, depois publicou os resultados. Ela disse que, das 80 mulheres que responderam, 56% relataram ter sido pressionadas ou coagidas a aceitar uma mulher trans como parceira sexual.

Apesar de reconhecer que a amostra pode não ser representativa da comunidade lésbica em geral, ela acredita que foi importante capturar seus “pontos de vista e histórias”.

Além de sofrer pressão para namorar ou se envolver em atividades sexuais com mulheres trans, algumas das entrevistadas relataram ter sido persuadidas com sucesso a fazê-lo.

“Achei que seria chamada de transfóbica ou que seria errado recusar uma mulher trans que queria trocar fotos nuas”, escreveu uma delas. “Mulheres jovens se sentem pressionadas a dormir com mulheres trans ‘para provar que não sou uma terf’.”

Uma mulher relatou ter sido alvo de um grupo online. “Disseram-me que a homossexualidade não existe e devo às minhas irmãs trans desaprender minha ‘confusão genital’ para que possa desfrutar de deixá-las me penetrar”, escreveu ela.

“Eu sabia que não estava atraída, mas internalizei a ideia de que era por causa da minha ‘transmisoginia’ e que se eu namorasse por tempo suficiente poderia começar a me sentir atraída. Era uma terapia de conversão DIY (sigla em inglês para faça você mesmo)”, escreveu ela.

Outra relatou uma mulher trans forçando-a fisicamente a fazer sexo depois de terem um encontro.

“Ameaçou me declarar como terf e arriscar meu emprego se eu me recusasse a dormir com ela”, escreveu ela. “Eu era muito jovem para discutir e sofri uma lavagem cerebral pela teoria queer, então (essa pessoa era) uma ‘mulher’, mesmo que cada fibra do meu ser estivesse gritando, então concordei em ir para casa com essa pessoa. (Ela) usou a força física quando mudei de ideia ao ver seu pênis e me estuprou.”

Embora bem recebido por alguns integrantes da comunidade LGBT, o relatório de Angela foi descrito como transfóbico por outros.

“(As pessoas disseram) que somos piores do que estupradores porque (supostamente) tentamos enquadrar todas as mulheres trans como estupradoras”, disse Angela.

“A questão não é essa. A questão é que, se acontece, precisamos conversar sobre isso. Se acontece com uma mulher, é errado. Acontece que ocorre com mais de uma mulher.”

A youtuber trans Rose of Dawn discutiu o problema em seu canal em um vídeo chamado “Is Not Dating Trans People ‘Transphobic’?” (em tradução livre: é transfóbico não namorar pessoas trans?)

“Isso é algo que vi acontecer na vida real com amigas minhas. Isso estava acontecendo antes de eu realmente começar meu canal e foi uma das coisas que o impulsionou”, disse Rose.

“O que está acontecendo é que as mulheres que são atraídas por mulheres biológicas e órgãos genitais femininos se encontram em posições muito estranhas, onde se, por exemplo, em um site de namoro uma mulher trans se aproxima delas e elas dizem ‘desculpe, não gosto de mulheres trans’, então são rotuladas como transfóbicas.”

Perguntei a Verônica Ivy se ela poderia falar comigo, mas ela não quis.

Rose acredita que visões como essa são “incrivelmente tóxicas”. Ela defende que a ideia de que as preferências de namoro são transfóbicas está sendo impulsionada por ativistas trans radicais e seus “autoproclamados aliados”, que têm visões extremas que não refletem as visões das mulheres trans que ela conhece na vida real.

“Certamente, do meu próprio grupo de amigos, as mulheres trans de quem sou amiga, quase todas concordam que as lésbicas são livres para excluir mulheres trans de seu pool de namoro”, disse ela.

No entanto, ela acredita que mesmo as pessoas trans têm medo de falar abertamente sobre isso por medo de abuso.

“Pessoas como eu recebem muitos insultos de ativistas trans e seus aliados”, disse ela.

“O lado ativista trans é incrivelmente raivoso contra as pessoas que consideram que estão saindo da linha.”

Debbie Hayton, uma professora de ciências que fez a transição em 2012 e escreve sobre questões trans, se preocupa que algumas pessoas fazem a transição sem perceber como será difícil formar relacionamentos.

Embora atualmente existam poucos dados sobre a orientação sexual de mulheres trans, ela diz que acredita que a maioria é atraída por mulheres porque elas são biologicamente masculinas e a maioria dos homens é atraída por mulheres.

“Então, quando elas (mulheres trans) estão tentando encontrar parceiras, quando as lésbicas dizem ‘queremos mulheres’ e as mulheres heterossexuais dizem que querem um homem heterossexual, isso deixa as mulheres trans isoladas dos relacionamentos e, possivelmente, se sentindo muito decepcionadas com a sociedade, com raiva, chateadas e sentindo que o mundo não consegue compreendê-las”, disse ela.

“A forma como o envergonhamento é usado é simplesmente horrível; é a manipulação emocional e a guerra acontecendo”, disse ela. “Essas mulheres que querem formar relacionamentos com outras mulheres biológicas estão se sentindo mal com isso. Como chegamos aqui?”

Stonewall é a maior organização LGBT do Reino Unido e da Europa. Perguntei à instituição sobre essas questões, mas ela não conseguiu fornecer ninguém para a entrevista sobre o tema. No entanto, em um comunicado, a executiva-chefe Nancy Kelley comparou não querer namorar pessoas trans a não querer namorar pessoas de cor, pessoas gordas ou deficientes.

Ela disse: “A sexualidade é pessoal e algo que é único para cada uma de nós. Não existe uma maneira ‘certa’ de ser lésbica, e somente nós podemos saber por quem nos sentimos atraídos.”

“Ninguém deve ser pressionado a namorar ou a namorar pessoas pelas quais não se sente atraído. Mas se você descobrir que, ao namorar, estará descartando grupos inteiros de pessoas, como pessoas de cor, pessoas gordas, deficientes físicos ou pessoas trans pessoas, então vale a pena considerar como os preconceitos da sociedade podem ter moldado suas atrações.”

“Sabemos que o preconceito ainda é comum na comunidade LGBT+ e é importante que possamos falar sobre isso de forma aberta e honesta.”

Em 2015, o bar Stonewall Inn foi declarado monumento histórico de Nova York; em 2016, tornou-se o primeiro monumento nacional aos direitos dos LGBT nos EUA — Foto: AFP

Um novo grupo – LGB Alliance – foi formado em parte em resposta à mudança de foco do Stonewall, por pessoas que acreditam que os interesses das pessoas LGB estão sendo deixados para trás.

“É justo dizer que eu não esperava ter que lutar por esses direitos novamente, os direitos das pessoas cuja orientação sexual é voltada para pessoas do mesmo sexo”, disse o cofundadora Bev Jackson, que também fundou o UK Gay Liberation Front em 1970.

“Nós meio que pensamos que a batalha havia sido ganha e é bastante assustador e horrível termos que lutar essa batalha novamente.”

A LGB Alliance diz que está particularmente preocupada com lésbicas mais jovens e, portanto, mais vulneráveis ​​serem pressionadas a se relacionar com mulheres trans.

“É muito preocupante encontrar pessoas dizendo ‘Isso não acontece, ninguém pressiona ninguém para ir para a cama com ninguém’, mas sabemos que não é o caso”, disse Jackson.

“Sabemos que uma minoria – mas ainda uma minoria considerável de mulheres trans – pressiona lésbicas a sair com elas e fazer sexo com elas, e é um fenômeno muito perturbador.”

Eu perguntei a Jackson como ela sabia que uma “minoria considerável” de mulheres trans que estava fazendo isso.

Ela respondeu: “Não temos números, mas frequentemente somos contatados por lésbicas que relatam suas experiências em grupos LGBT e em sites de namoro.”

‘Mulheres jovens mais tímidas’

Por que ela acha que houve tão pouca pesquisa?

“Eu certamente acho que a pesquisa sobre este tópico seria desencorajada, provavelmente porque seria caracterizada como um projeto deliberadamente discriminatório”, disse ela.

“Mas também, as próprias meninas e mulheres jovens, uma vez que provavelmente são as mulheres mais tímidas e menos experientes que são vítimas de tais encontros, relutariam em discuti-los.”

O LGB Alliance foi descrito como um grupo de ódio, anti-trans e transfóbico. Em resposta, Jackson insiste que o grupo não é nada disso e inclui pessoas trans entre seus apoiadores.

“Esta palavra, transfobia, foi colocada como um dragão no caminho para interromper a discussão sobre questões realmente importantes”, disse ela.

“É doloroso para nossos apoiadores trans, é doloroso para todos os nossos apoiadores ser chamado de grupo de ódio quando somos as pessoas menos odiosas que você pode encontrar.”

O termo “teto de algodão” às vezes é usado ao discutir essas questões, mas é controverso.

Tem origem no termo “teto de vidro”, que se refere a uma barreira invisível que impede as mulheres de subirem ao topo da carreira. O algodão é uma referência às roupas íntimas femininas, com a frase destinada a representar a dificuldade que algumas mulheres trans sentem que enfrentam quando procuram relacionamentos ou sexo. “Romper o teto de algodão” significa poder fazer sexo com uma mulher.

Acredita-se que o termo foi usado pela primeira vez em 2012 por uma atriz pornô trans conhecida pelo nome Drew DeVeaux. Ela não trabalha mais na indústria e não consegui contatá-la. No entanto, conversei com uma ex-artista e diretora pornô que acredita ter inspirado DeVeaux a usá-lo.

Lily Cade, que trabalhou na indústria por 10 anos, era conhecida pelo rótulo de “Porn Valley’s Gold Star Lesbian” porque ela só fazia sexo com outras mulheres.

Lily foi convidada a fazer uma cena com DeVeaux em Toronto e inicialmente concordou, depois de olhar as fotos dela. Mas ela desistiu da cena ao descobrir na internet que era uma mulher trans.

“Meu desejo sexual era voltado para as mulheres”, disse Lily. “Eu não conseguia ver além do fato de que o que eu estava interagindo era a genitália masculina alterada por cirurgia, e eu simplesmente não conseguia superar isso.”

Sentindo-se culpada, Lily enviou a DeVeaux um e-mail no qual ela se desculpava por ser “a pior garota em toda a história do mundo”.

“Eu me senti muito mal com a maneira como me senti a respeito disso, mas me senti assim. Fiz a escolha de dizer algo sobre isso e desistir”, disse ela.

Lily disse que foi criticada no Twitter na época, mas apenas entre “pessoas muito excêntricas do pornô queer”. No entanto, o conceito de teto de algodão ganhou maior atenção quando foi usado no título de um workshop da Planned Parenthood Toronto.

O título do workshop foi: “Superando o teto de algodão: derrubando as barreiras sexuais para mulheres trans queer”, e a descrição explicava como os participantes “trabalhariam juntos para identificar barreiras, criar estratégias para superá-las e construir uma comunidade”.

Foi liderada por uma escritora e artista trans que mais tarde foi trabalhar para Stonewall (a organização pediu à BBC que não a nomeasse por questões de segurança).

“Eu achei meio nojento,” disse Lily. “A linguagem é grosseira porque você está evocando a metáfora do teto de vidro, que é sobre as mulheres serem oprimidas. Então, dizer que se alguém não quer fazer sexo com você, essa pessoa está oprimindo você.”

A mulher trans que liderou o workshop recusou-se a falar com a BBC, mas a Planned Parenthood Toronto manteve sua decisão de realizar o workshop.

Em um comunicado enviado à BBC, a diretora executiva Sarah Hobbs disse que o workshop “nunca teve a intenção de defender ou promover a superação das objeções de qualquer mulher à atividade sexual”. Em vez disso, ela disse que o workshop explorou “as maneiras pelas quais as ideologias da transfobia e da transmisoginia impactam o desejo sexual”.

Quem mais foi procurado?

 

Além de Veronica Ivy, entrei em contato com várias outras mulheres trans famosas que escreveram ou falaram sobre sexo e relacionamentos. Nenhuma delas quis falar comigo, mas meus editores e eu sentimos que era importante refletir alguns de seus pontos de vista neste artigo.

Em um vídeo que agora foi excluído, a youtuber Riley J Dennis argumentou que as “preferências” de namoro são discriminatórias.

Ela perguntou: “Você namoraria uma pessoa trans, honestamente? Pense nisso por um segundo. OK, obteve sua resposta? Bem, se você disse não, sinto muito, mas isso é bastante discriminatório.”

Ela explicou: “Acho que a principal preocupação que as pessoas têm em relação a namorar uma pessoa trans é que elas não terão os órgãos genitais que esperam. Como associamos pênis a homens e vaginas a mulheres, algumas pessoas pensam que nunca poderiam namorar um homem trans com vagina ou uma mulher trans com um pênis.”

“Mas acho que as pessoas são mais do que seus órgãos genitais. Acho que você pode sentir atração por alguém sem saber o que está entre suas pernas. E se você dissesse que só se sente atraído por pessoas com vaginas ou pênis, isso realmente soa como se você estivesse reduzindo as pessoas apenas aos órgãos genitais.”

Outra youtuber, Danielle Piergallini, fez um vídeo intitulado “O teto de algodão: transfobia, sexo e namoro (mas não com transexuais)”.

Ela disse: “Quero falar sobre a ideia de que existem várias pessoas por aí que dizem que não se sentem atraídas por pessoas trans, e acho que isso é transfóbico, porque sempre que você está fazendo uma declaração ampla e generalizada sobre um grupo de pessoas, isso normalmente não vem de um bom lugar.”

No entanto, ela acrescentou: “Se há uma mulher trans que está no pré-operatório e alguém não quer namorá-la porque não tem órgãos genitais que correspondam à sua preferência, isso é obviamente compreensível.”

“O que sempre está acontecendo é a suposição de que a pessoa é o status atual de seus ‘bits’ e a história de seus ‘bits'”, escreveu ela no primeiro artigo. “Que é o modelo mais redutor de atração sexual que posso imaginar.”

Embora esse debate já tenha sido visto como uma questão secundária, a maioria dos entrevistados que falaram comigo disse que ele se tornou proeminente nos últimos anos por causa das mídias sociais.

Ani O’Brien, porta-voz de um grupo da Nova Zelândia chamado Speak Up For Women, criou um vídeo TikTok voltado para lésbicas mais jovens.

Ani, de 30 anos, disse à BBC que está preocupada com a geração de lésbicas que agora são adolescentes.

“O que estamos vendo é uma regressão onde, mais uma vez, jovens lésbicas ouvem ‘Como você sabe que não gosta de pau se ainda não experimentou?'”, disse ela.

“Dizem que devemos olhar além dos órgãos genitais e aceitar que alguém diga que é mulher, e isso não é o que é homossexualidade.”

“Você não vê tantos homens trans interessados ​​em gays, então eles não entendem tanto (a pressão), mas você vê muitas mulheres trans que se interessam por mulheres, então somos desproporcionalmente afetadas por isso.”

Ani acredita que esse tipo de mensagem é confuso para jovens lésbicas.

“Lembro-me de ser uma adolescente no armário e tentar desesperadamente ser hétero, e isso foi difícil o suficiente”, disse ela.

“Eu não posso imaginar como seria se eu finalmente aceitasse o fato de que era gay, para então enfrentar a ideia de que alguns corpos masculinos não são masculinos então são lésbicas, e ter para lidar com isso também.”

Ani diz que recebe mensagens pelo Twitter de jovens lésbicas que não sabem como sair de um relacionamento com uma mulher trans.

Como outras pessoas que expressaram suas preocupações, Ani recebeu insultos online.

“Fui incitada a me matar, recebi ameaças de estupro”, disse ela. No entanto, ela diz que está determinada a continuar falando.

“Uma coisa realmente importante que devemos fazer é sermos capazes de conversar sobre essas coisas. Encerrar essas conversas e chamá-las de intolerância é realmente inútil, e não deveria estar além de nossa capacidade ter conversas difíceis sobre algumas dessas coisas.”

*A BBC alterou os nomes de algumas mulheres neste artigo para proteger suas identidades.

fonte: G1