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Adolescente caminha 8 km até hospital e perde testículo em Botucatu

Um adolescente de 15 anos perdeu o testículo direito após aguardar mais de 12 horas por uma transferência médica entre o Pronto-Socorro Adulto (PSA) de Botucatu (SP) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

Segundo a mãe do jovem, ele chegou a caminhar cerca de oito quilômetros, sozinho, até a unidade hospitalar.

O caso aconteceu entre os dias 6 e 8 de fevereiro. O G1 ouviu a versão da mãe e procurou a Prefeitura de Botucatu, responsável pelo PSA, e o Hospital das Clínicas da Unesp.

A mãe denuncia negligência por parte do município devido à demora na transferência do filho, que apresentava quadro de torção testicular, condição considerada emergência médica, pois pode levar à perda do órgão se não tratada rapidamente.

Veja abaixo como foi todo o atendimento:

Sexta-feira (6 de fevereiro)

7h – De acordo com a Prefeitura de Botucatu, o adolescente relatou ter começado a sentir dores nos testículos por volta das 7h, enquanto estava em casa.

11h – O jovem procurou sozinho a Unidade de Saúde da Família de Rubião Júnior, distrito de Botucatu. Ele não estava acompanhado por um responsável.

Após atendimento inicial e suspeita de torção testicular, a equipe acionou a mãe e o encaminhou ao Pronto-Socorro Adulto para realização de exames complementares.

“Eles me ligaram pedindo para que eu fosse acompanhá-lo, já que ele tem 15 anos. Saí do trabalho, passei em casa e o levei ao PSA”, contou a mãe ao g1.

Jovem foi encaminhado da Unidade de Saúde da Família (USF) para o Pronto Socorro Adulto em Botucatu (SP) — Foto: Arquivo pessoal

14h30 – Mãe e filho chegaram ao Pronto-Socorro Adulto. Segundo ambos os relatos, o médico plantonista reforçou a suspeita de torção testicular e solicitou a transferência do paciente para o Hospital das Clínicas da Unesp, via sistema Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).

“Ele disse que realmente parecia ser torção e que precisava encaminhar para a Unesp. Falaram que iam solicitar a transferência, porque lá não atendem sem encaminhamento”, relembra a mãe.

O Hospital das Clínicas não atende emergências de portas abertas, e atende apenas por meio de encaminhamento via Cross, Samu ou outras unidades de saúde da região.

17h07 – Segundo o Hospital das Clínicas, a solicitação de transferência foi recebida às 17h07.

17h30 – Ainda de acordo com o hospital, o pedido foi aceito às 17h30, um “aceite imediato”. A partir desse momento, caberia ao município providenciar o transporte do paciente até a unidade.

Adolescente perde testículo após esperar mais de 12 horas por transferência e caminhar 8 km até hospital em Botucatu — Foto: Arquivo pessoal

Adolescente perde testículo após esperar mais de 12 horas por transferência e caminhar 8 km até hospital em Botucatu — Foto: Arquivo pessoal

Desencontro de informações

A Prefeitura de Botucatu afirma que, após o aceite da transferência, o adolescente não foi localizado no Pronto-Socorro para ser encaminhado por ambulância. Segundo nota enviada ao g1, o atendimento foi encerrado com registro de evasão.

“Após tentativas de localizar o paciente para a remoção, o atendimento foi encerrado por evasão do serviço”, informou a administração municipal.

A versão diverge do relato da mãe. A mãe afirma que permaneceu com o filho na unidade até cerca das 23h30 e que não foi informada de que a vaga já havia sido liberada.

“A transferência demorou muito. Diziam que estavam esperando a Unesp liberar a vaga. Quando chegamos lá, um funcionário e o médico confirmaram que a vaga estava liberada desde as 17h”, afirmou.

Caminhada até o hospital

Segundo a mãe, o adolescente sentia dores intensas e, já no fim da noite, saiu sozinho do Pronto-Socorro e foi a pé até o Hospital das Clínicas, um percurso de aproximadamente oito quilômetros.

“De tanta dor e revolta, ele levantou e foi sozinho até a Unesp. Eu tentei impedir, mas não consegui. Depois fui atrás, desesperada. Liguei para o meu marido e procuramos de carro, mas não o encontramos”, relatou.

Sábado (7 de fevereiro)

2h – O adolescente deu entrada na emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp.

Apesar de a unidade não atender casos de portas abertas, o hospital localizou o encaminhamento via Cross e realizou o atendimento.

Ficha de atendimento cirúrgico de jovem de 15 anos em Botucatu (SP) — Foto: Reprodução

Ficha de atendimento cirúrgico de jovem de 15 anos em Botucatu (SP) — Foto: Reprodução

Segundo a assessoria, o jovem foi avaliado por um urologista durante a madrugada e passou por cirurgia. O diagnóstico de torção testicular foi confirmado e foi necessária a remoção de um dos testículos.

“Por causa da demora, houve complicações. O médico disse que, se demorasse mais, ele poderia ter perdido o outro também”, afirmou a mãe.

Ela também critica a falta de informação no PSA. “Disseram que o levariam de ambulância. Se tivessem me avisado que eu poderia levá-lo, teria chamado meu marido e nós mesmos o levaríamos. Mas insistiram que precisávamos esperar.”

Domingo (8 de fevereiro)

O adolescente recebeu alta hospitalar. Segundo o Hospital das Clínicas, a cirurgia ocorreu sem intercorrências e o paciente se recupera bem. A mãe informou ainda que procurou a ouvidoria do município para relatar o caso.

Mãe abriu reclamação na ouvidoria da Prefeitura de Botucatu (SP) — Foto: Reprodução

Mãe abriu reclamação na ouvidoria da Prefeitura de Botucatu (SP) — Foto: Reprodução

O que diz a Prefeitura de Botucatu

A Prefeitura de Botucatu esclarece que o paciente referiu início dos sintomas por volta das 7h da sexta-feira e procurou sua Unidade Básica de Saúde, recebeu atendimento e foi encaminhado ao Pronto-Socorro Adulto.

O paciente deu entrada e recebeu a primeira avaliação médica ocorreu por volta das 14h30. Após avaliação e medicação, a equipe médica solicitou a transferência para o Hospital das Clínicas para avaliação da equipe de urologia.

A autorização de transferência pelo sistema da Cross ocorreu por volta das 17h30, porém o paciente não foi localizado no PSA para encaminhamento por meio de transporte de ambulância, assim que concluídos transportes de outros pacientes que se encontravam em curso.

Conforme protocolos assistenciais, após tentativas de localizar o paciente para a remoção, o atendimento foi encerrado por evasão do serviço.

A prefeitura destaca que mantém no PSA duas ambulâncias exclusivas para transporte de pacientes para o Hospital das Clínicas, para agilizar o atendimento, e que o transporte é realizado sempre mediante autorização de transferência pela Cross.

O g1 questionou a Prefeitura de Botucatu sobre a divergências entre as versões da mãe e do município, após o encaminhamento da nota, mas não obteve retorno até a ultima atualização desta reportagem.

O que diz o Hospital das Clínicas

Em nota, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) informou que recebeu, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), a solicitação de vaga referente ao paciente V.J.R.S. no dia 6 de fevereiro, às 17h07.

Após avaliação da especialidade, o caso foi aceito às 17h30 do mesmo dia, sendo caracterizado como aceite imediato.

O HCFMB esclarece que todos os protocolos assistenciais foram cumpridos, de acordo com a condição clínica do paciente, que recebeu alta hospitalar no dia 8 de fevereiro.

Fonte: G1

Moradores denunciam omissão da Prefeitura diante de erosão, esgoto a céu aberto e risco à população

Moradores da Vila Ema voltam a denunciar o que classificam como abandono do poder público municipal. A equipe da Rede Alpha de Comunicação esteve novamente no bairro, já conhecido pelas recorrentes queixas de erosão, acúmulo de mato, falta de limpeza e problemas estruturais. Desta vez, o foco das reclamações é o escoamento de água e o lançamento de esgoto a céu aberto que já virou algo rotineiro, situação que, segundo os residentes, tem provocado danos materiais e colocado famílias em risco.

Um morador relatou que precisou adotar medidas paliativas para conter o avanço da erosão em sua propriedade. De acordo com ele, cerca de 33 caminhões de terra foram utilizados para minimizar o problema, material que teria sido obtido por meio de doação. “A erosão estava muito grande, destruiu parte do muro e afetou a galeria lá embaixo. Aqui é muito difícil. Além do esgoto correndo a céu aberto, ainda enfrentamos o descarte irregular de lixo, que vem até de caminhões”, afirmou.

Os relatos também apontam para um problema crônico de infraestrutura. A canalização existente, além de não ser fechada, receberia não apenas esgoto, mas também grande volume de águas pluviais vindas de regiões mais altas da cidade. Em períodos de chuva, moradores afirmam que o fluxo intenso agrava o processo de erosão, danificando muros e ameaçando residências localizadas em áreas mais baixas. “Quando chove, é muita água. Se alguém cair nessa galeria, pode morrer”, alertou o morador.

Quanto ao vazamento de esgoto registrado várias vezes, o residente informou ter comunicado a SABESP, concessionária responsável pelo saneamento, destacando que esse tipo de ocorrência costuma ser resolvido com maior rapidez, mas infelizmente é constante. Já em relação às demandas direcionadas à Prefeitura, a principal crítica é a demora ou ausência de providências. “A gente faz protocolo, procura solução, mas a sensação é de que estamos largados”, desabafou.

Além dos danos estruturais e sanitários, a situação também levanta preocupações de segurança. A presença de montantes de terra improvisados e a deficiência de iluminação pública no trecho aumentariam o risco de acidentes, especialmente no período noturno. Moradores cobram uma solução definitiva para os problemas de drenagem, contenção de erosão e saneamento, ressaltando que os transtornos na Vila Ema não são recentes, mas persistem há anos sem resolução efetiva.

Confiram a Matéria na Íntegra:

Vila Ema volta a denunciar abandono e cobra ações urgentes da Prefeitura de Botucatu

A equipe da Rede Alpha esteve novamente na Vila Ema, em Botucatu, após receber diversas reclamações de moradores sobre o que classificam como abandono do bairro pelo poder público. Segundo relatos, os problemas se arrastam há anos e se repetem a cada período de chuvas: mato alto, erosões, asfalto deteriorado, acúmulo de lixo, falhas na drenagem e riscos na rede elétrica. A sensação, de acordo com a comunidade, é de que as demandas da região não têm recebido a devida atenção da Prefeitura.

Morador antigo e conhecido por cobrar providências, Reginaldo afirma que a situação é “a mesma novela de sempre”. Ele aponta o crescimento do mato em vias importantes, como o acesso ao Banco de Alimentos, e critica o que considera soluções paliativas. Um dos pontos mais preocupantes, segundo ele, é a erosão na Rua Franklin de Matos, agravada pela falta de escoamento adequado das águas pluviais. “Não adianta empurrar com a barriga. Quando a gente cobra, dizem que o morador é chato, mas queremos melhorias para o bairro”, desabafa.

Além dos danos provocados pela chuva, os moradores relatam riscos envolvendo a rede elétrica, com galhos próximos à fiação, o que já teria causado interrupções no fornecimento de energia. O acúmulo de lixo em alguns trechos e a precariedade da malha viária também estão entre as queixas. Outro problema citado é a ausência de infraestrutura em ruas previstas no mapa oficial do município, mas que, segundo os residentes, nunca foram efetivamente abertas.

A comunidade também questiona a aplicação de recursos públicos destinados à infraestrutura. Reginaldo menciona a divulgação de investimentos milionários para obras no município e cobra que parte dessas verbas contemple as necessidades da Vila Ema. “A gente paga impostos, mas não vê o retorno em serviços básicos aqui”, afirma.

Os moradores ainda destacam a questão da segurança, especialmente em áreas de passagem utilizadas por estudantes e trabalhadores. Trechos com mato alto e pouca manutenção, segundo eles, tornam o deslocamento inseguro, sobretudo à noite. “Não é apenas estética, é segurança pública”, reforçam.

Diante das reclamações, os residentes pedem uma resposta efetiva do Executivo municipal e das secretarias responsáveis, com ações de zeladoria, drenagem, recuperação viária, poda preventiva e fiscalização. A população afirma que continuará cobrando providências para que os problemas históricos do bairro sejam, enfim, solucionados.

Confiram a reportagem:

https://youtu.be/zeCj9RzHZDM

OSCs pedem reunião com prefeito Fábio Leite e cobram revisão de critérios em convênios

Um grupo de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) com atuação na área educacional encaminhou ofício ao prefeito solicitando uma reunião urgente para discutir entraves administrativos que, segundo as entidades, vêm causando impactos financeiros e operacionais. As instituições afirmam que os atuais critérios adotados pela Prefeitura na análise e execução dos Planos de Trabalho têm gerado um impasse que pode comprometer a continuidade dos serviços prestados aos alunos atendidos em conjunto pelas organizações.

No documento, as OSCs pedem a revisão de pontos considerados críticos. Entre eles, o impedimento de remanejamento de recursos entre rubricas, mesmo quando não há alteração do valor final e o ajuste é necessário para o cumprimento das metas; a limitação de apenas uma alteração em todo o período de vigência do plano, ainda que não haja mudança no objeto do convênio; e a exigência de devolução de valores classificados como significativos, que, de acordo com as entidades, superam a capacidade financeira das instituições.

As organizações também argumentam que parte dos problemas decorre da ausência de regulamentação municipal da Lei nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Embora haja regulamentação em nível federal, por meio do Decreto nº 8.726/2016, as OSCs alegam que tais parâmetros não vêm sendo observados nas análises locais. O ofício menciona ainda que orientações apresentadas pelo Tribunal de Contas em capacitação realizada em 2025 não estariam sendo consideradas nos procedimentos atuais.

Outro ponto destacado é a inexistência de um fundo de verbas rescisórias, o que estaria impondo às instituições despesas não previstas nos Planos de Trabalho. Segundo as entidades, a dificuldade de previsão se deve à diversidade de salários e ao tempo de serviço dos funcionários, fatores que ampliariam a insegurança financeira.

Diante do cenário, as OSCs solicitam, além da revisão dos critérios, a restituição dos valores já devolvidos à Prefeitura em razão das exigências contestadas. As organizações afirmam manter disposição para o diálogo e colaboração técnica, mas alertam para o risco de inviabilização das atividades caso não haja solução para o impasse.

Até o momento, a Prefeitura não se manifestou oficialmente sobre o pedido de reunião e os questionamentos apresentados pelas entidades.

Moradores relatam falta de água e cobram providências da SABESP no Jardim Centenário

Moradores do Jardim Centenário denunciam dificuldades provocadas pela interrupção no abastecimento de água e afirmam que o problema tem impactado diretamente a rotina das famílias. Segundo os relatos, a situação já se arrasta por dias, comprometendo atividades básicas como higiene pessoal, preparo de alimentos e limpeza doméstica.

Um morador afirma que a escassez tem gerado transtornos ainda maiores em sua casa, onde vive uma criança com necessidades especiais. Sem água nas torneiras, ela relata que tem recorrido a alternativas improvisadas para realizar tarefas essenciais. “Não tem nem como lavar louça, lavar roupa ou dar banho. É uma situação muito difícil”, disse.

Além da falta d’água, moradores também questionam o valor das contas recebidas. De acordo com os depoimentos, mesmo diante do desabastecimento, os boletos registraram cobranças consideradas elevadas. “É um absurdo vir conta alta sem ter água para usar”, reclamou outra residente.

Os entrevistados afirmam que já procuraram a concessionária responsável pelo serviço, mas dizem não ter obtido solução definitiva. Conforme os relatos, as justificativas apresentadas variam entre manutenção e problemas técnicos. Um caminhão-pipa chegou a ser enviado à região, porém nem todas as residências teriam sido atendidas, seja pela ausência de caixas d’água ou por limitações de acesso.

A comunidade pede uma resposta rápida das autoridades e da empresa responsável, destacando que o fornecimento regular é indispensável para condições mínimas de saúde e qualidade de vida. Até o momento, os moradores aguardam um posicionamento oficial sobre as causas do problema e a previsão de normalização do abastecimento.

A Rede Alpha de Comunicação procurou a gerência da undade da SABESP em Botucatu, mas até o fechamento dessa matéria não obteve qualquer retorno.

Assista a Reportagem:

Atualização: 15/02/2026

Resposta da Assessoria de Imprensa da Sabesp:

“A Sabesp informa que o abastecimento no Jardim Centenário, em Botucatu, segue normal. Ontem (14/2), devido a um vazamento na rede, foi necessária a interrupção temporária do fornecimento para a realização de reparo.
Durante o período, a Companhia garantiu o atendimento às residências afetadas por meio de caminhões-pipa.

Com relação aos valores das faturas, a Sabesp orienta seus clientes a utilizarem os canais oficiais de atendimento para que possam registrar suas solicitações ou, se preferirem, que se dirijam até a loja da Companhia em Botucatu, localizada na av. Prof. José Pedretti Neto, nº 333, bairro Vila Assunção. Cada caso será avaliado individualmente e, caso necessário, ajustes poderão ser realizados para que a situação seja devidamente solucionada.”

Denúncia aponta possíveis irregularidades na cúpula da Guarda Civil Municipal de Botucatu

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público levanta suspeitas de irregularidades administrativas, possíveis ilegalidades envolvendo a atual cúpula da Guarda Civil Municipal (GCM) de Botucatu, especialmente o comandante da corporação, Weber Plácido Pimentel, e o subcomandante Paulo Henrique Rezende.

De acordo com o documento, o comandante Weber Plácido Pimentel foi condenado por porte ilegal de arma de fogo, em processo com trânsito em julgado, referente a um fato ocorrido na cidade de Itapeva. Conforme relatado, após sofrer uma queda de motocicleta, ele teria sido abordado pela Polícia Rodoviária e encontrado portando uma arma de fogo sem autorização legal, uma vez que, à época, a Guarda Municipal não fazia uso de armamento. O denunciante afirma que Pimentel foi preso, processado, julgado e condenado, permanecendo posteriormente apenas cumprindo medidas alternativas (assinando carteirinha), o que caracterizaria o trânsito em julgado da condenação.

A denúncia sustenta que, segundo a Lei Federal nº 8.112/90, bem como normas do Estatuto do Servidor Público, servidores condenados criminalmente, sem possibilidade de recurso, deveriam ser exonerados do cargo segundo artigo 30 Inc. I do Estatuto do Servidor Municipal de Botucatu. Apesar disso, Weber Plácido Pimentel teria seguido normalmente sua carreira na GCM, sendo que de 2013 a 2018 exerceu a função de subcomandante, sendo inclusive nomeado comandante da Guarda Municipal em 2025, mesmo com o conhecimento dos fatos por parte da administração municipal.

Outro ponto destacado é a suspeita de suposto nepotismo e favorecimento dentro da corporação. O filho do comandante, Weber Plácido Pimentel Júnior, ingressou na Guarda Municipal em dezembro de 2023, sendo chamado para um Projeto de Grupamento Escolar, sendo que o mesmo nunca esteve em uma escola, segundo escalas da GCM e teria recebido privilégios e regalias incomuns, mesmo Pimentel ainda não sendo comandante mas por ter muita influência dentro da corporação e assim que Pimentel assumiu como comandante começou as regalias, como designação imediata para equipes especializadas, sem os treinamentos exigidos, além da realização frequente de horas extras. A denúncia afirma que outros agentes, mesmo mais antigos e qualificados, nunca tiveram acesso às mesmas oportunidades.

Ainda segundo o documento, a Câmara Municipal de Botucatu aprovou, em 15 de janeiro de 2025, a alteração da Lei Municipal nº 4.082/2000, flexibilizando regras sobre nepotismo. No entanto, o denunciante argumenta que uma lei municipal não pode se sobrepor à legislação federal, o que colocaria em xeque a legalidade dessas nomeações e relações hierárquicas.

A denúncia também envolve o atual subcomandante da GCM, Paulo Henrique Rezende. Conforme relatado, o mesmo era GCM em Botucatu e teria ingressado na Polícia Militar após concurso público e solicitado vacância do cargo na Guarda Municipal em 27 de maio de 2014. A legislação prevê que a vacância tenha prazo máximo de até três anos. Contudo, durante esse período, Rezende teria se envolvido em um grave episódio ocorrido em 2015, no qual ele e outro policial foram acusados de homicídio , fraude processual e abuso de poder. A Policia Militar exonerou o mesmo em Abril de 2018, sendo julgado posteriormente em 25 de julho de 2018 após cumprir 2 anos e 9 meses no presídio Romão Gomes, porém inocentado no homicídio e condenado a 7 meses por fraude processual.

Mesmo com o prazo de vacância expirado e com condenação judicial transitada em julgado, Rezende teria retornado ao efetivo da Guarda Municipal de Botucatu. O denunciante afirma ainda que não há registro oficial no Diário Oficial sobre a data de seu retorno e que a alta cúpula da Secretaria de Segurança Municipal tinha pleno conhecimento dos fatos. São citados como cientes da situação o então secretário Marcelo Emílio de Oliveira, o corregedor Ricardo Ortiz Quintino, o comandante Leandro Carreira Destro e o subcomandante Sidnei Pichinin.

A denúncia também relata supostas ameaças internas contra servidores que comentassem ou questionassem o retorno de Rezende à corporação, situação que, segundo o documento, teria continuado mesmo em gestões posteriores, inclusive com o atual secretário Laudo Gomes da Silva. O processo envolvendo Rezende tramitou sob o número 0005315-28.2015.8.26.0052.

Por fim, o denunciante afirma que tanto Weber Plácido Pimentel quanto Paulo Henrique Rezende permanecem nos cargos por influência política e institucional, mesmo diante de condenações judiciais, e que estariam praticando abuso de poder. O documento solicita que o Ministério Público apure os fatos e adote as providências cabíveis, conforme determina a legislação.

O denunciante questiona como os servidores ainda continuam no cargo e possuem porte de armas com antecedentes criminais que segundo a Polícia Federal é um dos requisitos que é mais cobrado, ou seja a idoneidade, ainda sendo instrutor de tiro.

A reportagem procurou a Prefeitura de Botucatu, através do Prefeito de Botucatu, Fábio Leite, a Secretária de Comunicação Cinthia Al Lage, o Secretario Municipal de Segurança, Sargento Laudo, e os envolvidos Weber Plácido Pimentel quanto Paulo Henrique Rezende para se manifestarem sobre as denúncias. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Pelo menos 6 terceirizadas da prefeitura de Botucatu estão com atraso de salários

Funcionários de diversas empresas terceirizadas procuraram a Rede Alpha de Comunicação para denunciar que estão com salários atrasados no município de Botucatu.

As empresas mantêm contratos com a Prefeitura de Botucatu para cargos como professores, auxiliares da cozinha piloto, auxiliares de motoristas das escolas, assitentes de sala da educação inclusiva, assistentes de creche, controladores de acesso e segurança de prédios da cultura.

Os funcionários alegam ainda que os atrasos são recorrentes, há muitos meses.

Essa situação tem causado grave impacto financeiro, emocional e social à centenas de trabalhadores e suas famílias.

As denúncias envolvem empregados das empresas JF Empreendimentos, Bargo, Nasser, J. Sthephanie, AJL e Pegasus, todas contratadas pelo poder público municipal para prestação de serviços em diferentes áreas da administração.

De acordo com os trabalhadores, as empresas alegam que a responsabilidade é da Prefeitura de Botucatu por que a administração municipal não efetuou os pagamentos de notas fiscais já emitidas pelas terceirizadas, o que estaria comprometendo o fluxo financeiro das contratadas e, consequentemente, o repasse dos salários aos trabalhadores.

Em alguns casos, funcionários afirmam que tiveram inclusive atrasos no pagamento do décimo terceiro no ano passado.

“A gente trabalha normalmente, cumpre horário, presta serviço para a prefeitura, mas o salário não cai, informou uma funcionária da empresa JStephanie.

“É humilhante. Contas atrasadas, aluguel, comida, remédio… ninguém aguenta mais”, relatou um funcionário que pediu para não ser identificado por medo de retaliações, alegou outra funcionária da empresa JStephanie

“É absurdo saber que várias empresas terceirizadas da prefeitura estão com funcionários sem salários. Não tem como isso ser um problema pontual de uma empresa. São 6 empresas pelo menos. E o prefeito não tem como alegar que não sabe de tudo isso. Ele renovou o contrato de várias dessas empresas que já davam problema na época do Pardini. Nós estamos sendo feitos de idiotas, desabafou um funcionário da empresa Pegasus que preferiu não se identificar.”

“Entra ano e sai ano, essas empresas trocamos de CNPJ e continuam ganhando as licitações e todo mundo sabe de quem é, esternou uma funcionária da empresa Nasser.”

“Funcionários da empresa AJL, estão sem receber o salário até o exato momento. Com a desculpa de que a prefeitura ainda não efetuou o pagamento de nota para a empresa! Isso ja vem acontecendo com frequência! Será que o prefeito se sente feliz sabendo disso ? Ou gosta de ver o povo que trabalha de forma honesta, que entrega tudo de si, sofrer com juros de cartão, aluguel, ou até mesmo, sem ter o que dar para o filho comer…?”

“Não quero ser identificado e nem que citem meu nome. Mas só uma informação, enquanto o carnaval está a todos vapor na secretaria da cultura, tem funcionários da terceirizada que está com dois meses sem salário.”

“Essa é a 4 vez que atrasa. Tem 41 pessoas no meu grupo de Botucatu dessa empresa sem pagamento. Por favor ajuda nós. Minhas contas vencendo juros a mil tô muito nervosa não gosto de dever a ninguem, implorou uma funcionária da JStephanie”

” Isso acontece desde quando ela assumiu a empresa, que foi em setembro do ano anterior. Era pra recebemos no quinto dia do mês. Mas até agora nada, afirmou um funcionário da AJL”

Além da situação atual, os trabalhadores afirmam que o problema não é novo. Há relatos de que atrasos semelhantes já ocorriam durante o governo do ex-prefeito Mário Pardini, o que reforça a percepção de que a terceirização, da forma como vem sendo conduzida no município, carece de fiscalização efetiva e responsabilidade administrativa.

Especialistas em direito administrativo e trabalhista destacam que, mesmo quando a administração pública alega inadimplência contratual, a Prefeitura não está isenta de responsabilidade.

A legislação impõe ao governo o dever de fiscalizar rigorosamente a execução dos contratos, inclusive o cumprimento das obrigações trabalhistas por parte das empresas terceirizadas.

A omissão nesse dever pode configurar responsabilidade subsidiária do município, além de possíveis infrações administrativas.

Enquanto isso, os trabalhadores seguem arcando com as consequências de um impasse que não criaram.

Muitos relatam ansiedade, depressão, endividamento e dificuldades básicas de sobrevivência, em um cenário que contrasta com a continuidade dos serviços prestados à própria Prefeitura.

A JF Empreendimentos soltou uma nota aos colaboradores:

A equipe de jornalismo da Rede Alpha de Comunicação procurou a Prefeitura de Botucatu para esclarecimentos sobre os atrasos nos repasses às empresas terceirizadas; bem como, sobre as medidas de fiscalização adotadas para garantir o pagamento dos salários dos trabalhadores.
No entanto, mais uma vez, até o fechamento desta matéria, não houve resposta oficial.

O espaço segue aberto para manifestação do Executivo municipal e das empresas citadas.

Funcionários da AJL com vários contratos aditados na prefeitura de Botucatu denunciam salários atrasados

Funcionários da empresa AJL SERVIÇOS E TERCEIRIZAÇÃO LTDA, CNPJ nº 46.905.518/0001-75, com sede em Botucatu (SP), denunciam atrasos reiterados no pagamento de salários e verbas trabalhistas. Eles trabalham na Cozinha Piloto como auxiliares de cozinha e ajudantes de motorista que fazem carregamento dos alimentos para as escolas municipais de Botucatu.

Há relatos de trabalhadores sem receber seus salários situação que já não é pontual, mas recorrente, segundo os próprios funcionários.

A empresa mantém contratos ativos e sucessivos com a Prefeitura Municipal de Botucatu, prestando serviços terceirizados em áreas sensíveis da administração pública, especialmente na educação.

Em notas internas e comunicações a funcionários, a empresa atribui os atrasos à suposta falta de repasse de recursos por parte da Prefeitura, alegando entraves administrativos e atrasos no pagamento de notas fiscais.

Responsabilidade da Prefeitura é direta, objetiva e fiscalizatória

Do ponto de vista jurídico, a situação ultrapassa a esfera privada da empresa e atinge diretamente a responsabilidade da administração municipal.

A Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), bem como os próprios contratos firmados, impõem à Prefeitura o dever legal de fiscalizar de forma contínua e efetiva a execução contratual, inclusive quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa contratada.

A administração pública não pode alegar desconhecimento nem adotar postura passiva diante de atrasos salariais reiterados, sob pena de:
* violação aos princípios da legalidade, eficiência, moralidade e proteção ao interesse público (art. 37 da Constituição Federal);
* falha grave de fiscalização contratual;
* responsabilização dos gestores por omissão administrativa.

Se a Prefeitura atrasou os repasses, contribuiu diretamente para a precarização da relação de trabalho e para o colapso financeiro dos trabalhadores terceirizados.

Se, por outro lado, os pagamentos já foram efetuados, a manutenção dos contratos sem aplicação imediata de penalidades caracteriza tolerância indevida ao descumprimento contratual.

Em ambos os cenários, há dever jurídico de agir, e a inércia pode configurar irregularidade administrativa grave.

Penalidades previstas em contrato, mas aparentemente não aplicadas pela Prefeitura

Os contratos firmados entre a Prefeitura e a AJL prevêem, expressamente, mecanismos de controle e sanção, como:
1. advertência formal;
2. aplicação de multas;
3. retenção de valores e execução de garantias contratuais;
4. rescisão unilateral do contrato;
5. impedimento de contratar com o poder público.

A permanência da empresa como prestadora de serviços, mesmo diante de denúncias reiteradas de atraso de salários, levanta questionamentos objetivos:
# As penalidades estão sendo aplicadas?
# Os fiscais de contrato estão cumprindo suas atribuições legais?
# Quem responde pela continuidade contratual diante do descumprimento?

Contratos sucessivos e aditamentos reforçam gravidade do caso

Desde 2024, a AJL firmou múltiplos contratos com a Prefeitura de Botucatu, além de diversos aditamentos de 2025 que prorrogam vigência aré 2026 e mantêm a empresa ativa, entre eles:

Contrato nº 126/2024 – Pregão Eletrônico nº 321/2023
Objeto: serviços de intérpretes de Libras na rede municipal de ensino.Contratação de empresa especializada para prestação de serviços de 06 intérpretes de Libras.
Duração: 12 meses
Valor: mensal de R$ 19.000,00, totalizando a quantia de R$ 228.000,00

Aditamento nº 207/2025 ao Contrato 126/2024
Prorroga a vigência por mais 12 meses (até julho de 2026). Mantém os serviços originados no pregão de 2023.

Contrato nº 231/2024 – Pregão Eletrônico nº 028/2024
Objeto: Contratação de empresa especializada para execução de serviços de auxiliar de cozinha junto às unidades escolares estaduais.
Duração: 12 meses
Valor: mensais de R$ 47.633,97, perfazendo um total de R$ 571.607,64

Aditamento nº 206/2025 ao Contrato 231/2024
Prorroga a vigência por mais 12 meses (até julho de 2026). Confirma a continuidade dos serviços dentro do mesmo objeto licitado em 2024.

Contrato nº 232/2024 – Pregão Eletrônico nº 041/2024
Objeto: Contratação de empresa especializada para prestação de serviços de controle, operação e ffiscalização de portaria com 02 pessoas, de 2ª a
6ª feira, das 06:30H às 20:30H, na portaria da EMEF Profª
ELDA MOSCOGLIATO, localizada na Rod. Gastão Dal Farra, Km 06 – JD. Aeroporto, Botucatu/SP.
Duração: 12 meses
Valor: R$ 6.794,3825 mensais, perfazendo um total de R$ 81.532,59

Aditamento nº 208/2025 ao Contrato 232/2024
Prorroga a vigência por mais 12 meses (até julho de 2026). Confirma a continuidade dos serviços dentro do mesmo objeto licitado em 2024.

Contrato nº 286/2024 – Pregão Eletrônico nº 113/2024
Objeto: serviços de ajudantes de motorista.

A sequência de contratos e renovações agrava o cenário, pois indica que a administração municipal optou por manter a empresa mesmo diante de indícios de descumprimento de obrigações essenciais.

Relatos evidenciam impacto social direto

Funcionários relatam sofrimento financeiro, endividamento e insegurança alimentar.

“Enquanto Prefeitura e empresa discutem repasses, quem trabalha fica sem salário, sem resposta e sem perspectiva”, afirma um trabalhador.

O impacto não é abstrato: trata-se de famílias inteiras prejudicadas, enquanto serviços públicos continuam sendo executados normalmente.

Prefeitura é questionada mas permanece em silêncio

A equipe de jornalismo da Rede Alpha de Comunicação procurou o prefeito Fábio Leite; o secretário de Finanças, Luis Guilherme Gallerani; o secretário de Educação, Gilberto Mariotto; a secretária de Comunicação, Cinthia Al-Lage para esclarecerem sobre:
1. se os repasses à AJL estão em atraso ou já foram efetuados;
2. quais medidas de fiscalização foram adotadas;
3. se penalidades contratuais foram ou serão aplicadas;
4. e quais providências imediatas serão tomadas para garantir o pagamento dos trabalhadores.

Até o fechamento desta matéria, nenhum dos citados apresentou qualquer resposta ou esclarecimento oficial.

Silêncio institucional e possível omissão administrativa

O silêncio da Prefeitura, diante de denúncias graves e reiteradas, reforça a necessidade de apuração por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e o Ministério Público, especialmente quanto à eventual omissão na fiscalização e na aplicação das sanções legais.

A Rede Alpha seguirá acompanhando o caso. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Botucatu e da empresa AJL Serviços e Terceirização Ltda, mas, até o momento, quem paga o preço da falta de respostas são os trabalhadores.

Se confirmadas as denúncias, o prefeito de Botucatu pode enfrentar:
✔ apontamentos graves no Tribunal de Contas;
✔ ações judiciais por improbidade por omissão;
✔ desgaste político e investigações legislativas;
✔ risco de responsabilização do Município por dívidas trabalhistas;
✔ questionamentos diretos sobre sua capacidade de gestão e fiscalização.

O cargo não afasta a responsabilidade.

O silêncio institucional pode agravar o cenário jurídico.

A omissão, quando comprovada, também é ato ilícito.