O jornalista Fernando Bruder, do Jornal Alpha Notícias da Rádio Alpha FM, entrevistou a médica Dra. Júlia Bruder, que comentou sobre a polêmica envolvendo a nomeação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. A decisão tem dividido opiniões em todo o país, gerando debates sobre representatividade, inclusão e a natureza das demandas específicas das mulheres e das trans.
Durante a entrevista, Dra. Júlia destacou que seu posicionamento não visa atacar a comunidade trans, mas sim discutir a representatividade efetiva na presidência de uma comissão que trata de questões das mulheres. Segundo ela, as experiências biológicas e sociais de uma mulher — que incluem menstruação, gestação, menopausa e os desafios cotidianos — são insubstituíveis e fundamentais para nortear políticas públicas voltadas às mulheres. “Não há condição nenhuma de alguém que não tenha vivenciado a experiência de ser mulher, biologicamente, ocupar essa presidência com efetividade“, afirmou.
Com formação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas e vasta experiência na área de ginecologia e obstetrícia, Dra. Júlia destacou sua atuação em regiões do interior do país, incluindo Amazonas, onde foi médica oficial do Exército Brasileiro; além de Roraima, Tocantins, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Ela trabalha há 20 anos atendendo mulheres e crianças, com foco especial em vítimas de violência doméstica e sexual. Segundo a médica, sua experiência a credencia a discutir questões relacionadas à saúde e direitos das mulheres, especialmente em regiões com carência de serviços essenciais na área da Saúde Materno-Infantil como: como nos casos de câncer de mama, câncer de colo de útero, pré-natal, planejamento familiar, violência sexual e violência doméstica à mulheres.
A entrevista também abordou a repercussão do vídeo gravado pela Dra. Júlia e que ganhou alcance nacional, tendo sido repostado por influencers, artistas de TV e políticas. Ela destacou que a gravação do feita como protesto pelo Dia Internacional da Mulher. Ao publicar novos vídeos sobre essa polêmica seus videos já alcançaram mais 500 mil visualizações em apenas 1 semana, em todas as suas redes. Dra. Júlia esclareceu que, em nenhum momento, houve transfobia, mas que seu argumento se baseia na necessidade de que mulheres ocupem a presidência da comissão para garantir representatividade real às demandas femininas.
Segundo ela, muitas das propostas das mulheres foram ignoradas na primeira reunião da comissão presidida por Erika Hilton, que ocorreu ontem, 18/03. E isso evidencia, em sua visão, uma exclusão das mulheres na formulação de políticas que deveriam atendê-las diretamente. Dra. Júlia também apontou que algumas leis recentes, voltadas para proteção das trans, como a transfobia, não possuem equivalentes efetivos para crimes contra as mulheres, em casos de misoginia, deixando as mulheres desprotegidas em diversas situações.
A médica concluiu defendendo a separação de representatividade: “As trans têm suas demandas específicas e devem ter representatividade em espaços próprios. Mas a presidência da Comissão da Mulher deve estar voltada às experiências e necessidades das mulheres, que ainda enfrentam grandes desafios de saúde, violência e desigualdade social em todo o Brasil.”
O debate sobre a presidência da Comissão da Mulher, portanto, não se limita a divergências políticas ou ideológicas. Envolve questões de biologia, direitos e efetividade de políticas públicas. Dra. Júlia Bruder sugeriu ainda a criação de um espaço, em Botucatu, de diálogo respeitoso, reunindo representantes de todas as vertentes, incluindo mulheres, trans sociedade civil e políticos, para discutir soluções práticas que possam beneficiar de forma real e concreta a todos.
A repercussão do posicionamento de Dra. Júlia reflete a polarização crescente sobre o tema, evidenciada no momento da entrevista pelo jornalista Fernando Bruder por manchetes de veículos como Folha de São Paulo, Correio Brasiliense e R7, que destacam desde rejeição da população à presidência de Erika Hilton até conflitos internos dentro da própria esquerda. Enquanto o debate continua, o foco permanece nas necessidades urgentes das mulheres brasileiras, que, segundo Dra. Júlia, exigem representatividade concreta, ações efetivas e políticas públicas de impacto real.
A entrevista completa pode ser acessada pelo Youtube:
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