Cultura

Chamada Pública: Museu Tião Carreiro, em Pardinho, lança Bolsa de Pesquisa em Cultura Raiz

​O Museu Tião Carreiro, localizado em Pardinho/SP, acaba de lançar o Edital nº 01/2025 para a concessão de bolsas de pesquisa. O objetivo principal é incentivar estudos que se aprofundem no legado musical de Tião Carreiro, promovendo a recontextualização do acervo da instituição e gerando novas reflexões sobre o universo da música caipira.​

​O edital irá selecionar até três projetos de pesquisa. Cada projeto contemplado receberá uma Bolsa de R$ 7.000,00 (sete mil reais).

​Critérios de Participação:
​A participação é aberta a todos, sem a necessidade de formação acadêmica específica.
​Podem se inscrever tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas (incluindo MEI ou CNPJ ativo), trabalhando de forma individual ou em coletivo.

​Resultado Esperado:
​Os proponentes devem planejar a entrega de um produto final tangível, que pode ser um artigo, um podcast, um vídeo, uma exposição ou outro formato relevante.​

Prazos e Inscrições
​As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente por meio eletrônico.
​O prazo final para submissão é 4 de janeiro de 2026, às 23h59.
​Para acessar o formulário oficial de inscrição, utilize o link: http://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfCoLM8FN39Rwe41UuJlLV6wOlRI95ayIYRlDdE_5bFO1rPdQ/viewform

​Dúvidas:
​Para esclarecer quaisquer questões sobre as regras e o processo de seleção, entre em contato através do e-mail: editalpesquisamuseu@institutojatobas.org.br

Violeiro Osni Ribeiro celebra quatro décadas de carreira no palco da Fazenda Lageado em Botucatu

Com entrada gratuita, show “40 anos de Viola e Cantoria” mistura emoção, memória e pertencimento.

Depois de passar por várias cidades do estado de São Paulo, o violeiro e compositor Osni Ribeiro traz o show “40 Anos de Viola e Cantoria” para Botucatu. A apresentação acontece no dia 27 de novembro, quinta-feira, a partir das 20h, com entrada gratuita, no auditório da Fazenda Lageado.

Acompanhado por uma banda integrada por talentosos músicos botucatuenses, Osni Ribeiro celebra sua trajetória dedicada à música e à cultura paulista com um espetáculo que mistura emoção, memória e pertencimento.

Entre causos, modas e canções, Osni revisita momentos marcantes da carreira, apresenta novas composições e reafirma a força da tradição caipira — viva, moderna e cheia de poesia. “Em Botucatu, minha cidade natal, este show ganha um sentido especial: é mais que uma apresentação, é um reencontro com o público, com as raízes e com o tempo que a viola ajudou a atravessar”.

O show “40 Anos de Viola e Cantoria” Projeto foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Programa de Ação Cultural – ProAC São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

O espetáculo faz parte do projeto Lageado Cultural e da programação de comemoração aos 60 anos de atividades da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu. O evento conta com apoio de Comitê de Ação Cultural da FCA, Comitê de Ação Cultural da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da Unesp e Fundação de Ensino e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf).

Serviço
Show Osni Ribeiro – “40 Anos de Viola e Cantoria”
Auditório da Fazenda Lageado (Av. Universitária, 3780 – Altos do Paraíso)
20h
Entrada gratuita
Classificação livre

Morre aos 81 anos Jimmy Cliff, um dos maiores ícones da história do reggae mundial, nesta segunda-feira

Jimmy Cliff, uma das maiores lendas do reggae em todos os tempos, morreu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos. Latifa Chambers, sua mulher, anunciou a morte do cantor em suas redes sociais.

É com profunda tristeza que compartilho que meu marido, Jimmy Cliff, morreu devido a uma convulsão seguida de pneumonia. Agradeço à família, amigos, colegas artistas e colaboradores que compartilharam esta jornada com ele.

Latifa também se dirigiu aos fãs de Cliff: “Para seus fãs ao redor do mundo, por favor saibam que seu apoio era a força dele ao longo de toda a carreira. Ele realmente adorava o amor de cada um de seus fãs”.

Ela agradeceu ainda a equipe médica que cuidou de seu marido e finalizou seu texto assim: “Jimmy, meu querido, descanse em paz. Seguirei seus desejos. Espero que vocês respeitem nossa privacidade neste momento difícil. Daremos outras notícias mais adiante”.

Pioneiro

Jimmy Cliff é um dos pioneiros do reggae e é considerado uma verdadeira lenda do gênero musical que surgiu na Jamaica. A longa carreira do cantor começou oficialmente em 1967, com o disco Hard Road to Travel.

Através das décadas, Cliff lançou dezenas de álbuns e singles e ganhou o Grammy pelos discos Cliff Hanger (1985) e Rebirth (2012). Realizou grandes turnês pelo mundo todo e tem uma relação especial com o Brasil. Em 1968, participou do Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro e se tornou muito querido por aqui, o que o fez voltar várias vezes. Se apresentou no país em 1984, em 1990, 1993 e 1998. Ele até chegou a morar no Rio de Janeiro e em Salvador durante alguns anos.

Boa parte de suas canções eram de protesto ou abordavam temas sociais, assunto de grande interesse de Cliff. Entre seus maiores sucessos estão músicas como “Reggae NIght”, “Rebel in Me”, “We All Are One”, “Many Rivers to Cross”, “Vietnam”, “I Can See Clearly Now” (de Johnny Nash), entre outros.

Seu último disco, Refugees, foi lançado em 2022.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Divulgação

Dupla sertaneja Munniz & Santomauro conquistam o 1º lugar no Festival Menino da Porteira

O clima era de festa na noite deste sábado, 22 de novembro de 2025, no Teatro Municipal de Ouro Fino (MG), durante mais uma edição do tradicional Festival Menino da Porteira.

Entre as 20 duplas inscritas, quem roubou a cena foi a dupla Munniz & Santomauro, de Botucatu e São Manuel, que levou o 1º lugar com apresentações vibrantes das músicas A Vaquinha (Trio Parada Dura) e Pé de Vento (Jorge Pessoa).

Com forte presença nos palcos do interior paulista e mineiro, a dupla acumulou importantes conquistas ao longo dos últimos dois anos, vencendo festivais de música sertaneja e conquistando público e jurados por onde passou.

A vitória em Ouro Fino marca, de forma especial, o encerramento dessa parceria musical — e como não poderia deixar de ser, em grande estilo.

Após essa trajetória vitoriosa, Fábio Munniz que também é apresentador do Programa “Arena Sertaneja” da Rádio Alpha FM, de Botucatu, segue agora em carreira solo. E irá se dedicar ao projeto de um programa na TV Alpha sobre música e cultura sertaneja. O programa está em fase de finalização dos planejamentos e começa as gravações em janeiro de 2026.

Já Santomauro retoma a formação com seu irmão Augusto César, voltando às origens da dupla Augusto César & Gustavo, em São Manuel.

A noite em Ouro Fino foi de emoção, aplausos e celebração da música sertaneja raiz.

Botucatu e São Manuel, mais uma vez, ganhando destaque com a cultura sertaneja, no Brasil

Grupo de Teatro com artistas acima de 60 anos leva espetáculo baseado no folclore a distritos de Botucatu

Escrita por Solange Rivas e dirigida por Regina Blanco, peça conduz o público em uma jornada mística onde a terceira idade é protagonista

O Grupo de Teatro Estrela da Manhã, composto integralmente por artistas com mais de 60 anos, apresenta gratuitamente o espetáculo “Flor de Maravilha” nos distritos de Anhumas, Vitoriana e Rubião Júnior em Botucatu (SP). A turnê municipal é realizada por meio do Edital PNAB Botucatu, e busca levar cultura e tradição para comunidades periféricas. A montagem contará com recursos de acessibilidade, como intérprete de Libras e infraestrutura adaptada para cadeirantes.

Escrita por Solange Rivas e sob a direção de Regina Blanco, a narrativa conduz o público por uma jornada encantadora em busca da mística Flor de Maravilha, que precisa ser colocada no altar de uma santinha para a realização de um desejo. Ao longo da trama, o público é transportado para o universo do folclore nacional, com figuras que representam a riqueza da cultura popular brasileira. O projeto pretende promover e preservar tradições, além de fomentar a inclusão e o protagonismo da terceira idade na cena artística.

“O grupo Estrela da Manhã existe desde 2006 e está sendo extremamente envolvente dirigir Flor de Maravilha, escrita pela querida parceira Solange Rivas. A diversão é presente em todos os ensaios e a caracterização das personagens surge como uma mágica! O elenco é disciplinado, dedicado e muito presente”, destaca a diretora Regina Blanco. A produção ainda conta com a colaboração de Flávia Fazzio na preparação corporal e a direção coreográfica.

Além do objetivo artístico, o projeto reafirma um forte compromisso social. Todas as apresentações são gratuitas e acessíveis, contando com intérprete de Libras, acesso adaptado para cadeirantes, banheiros acessíveis e linguagem simples. As sessões acontecem em Anhumas no dia 22/11 (Quadra da EMEFEI Raul Torres), em Vitoriana no dia 29/11 (Refeitório da EMEFI Profª Lygia Camargo Pardini) e em Rubião Júnior no dia 06/12 (Escola João Queiroz), sempre às 19h. A realização é da Política Nacional Aldir Blanc PNAB, Prefeitura de Botucatu, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço:

Espetáculo: Flor de Maravilha

Produção: Grupo de Teatro Estrela da Manhã e Coletivo Produções

Datas e Locais:

Anhumas: 22 de novembro (sábado), às 19h – Quadra da EMEFEI Raul Torres

Vitoriana: 29 de novembro (sábado), às 19h – Refeitório da EMEFI Profª Lygia Camargo Pardini

Rubião Júnior: 06 de dezembro (sábado), às 19h – Escola João Queiroz

Entrada: Gratuita

Acessível em Libras e com infraestrutura adaptada.

Biblioteca do Centro Max Feffer realiza o 1º Festival Literário de Pardinho

Marcando os 15 anos da Biblioteca, a programação oferece três dias de literatura, música, teatro e cultura pop, com entrada gratuita.

Biblioteca Pública Emanuel Sartori da Rocha, que fica no Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, promove, entre os dias 24 e 26 de outubro, o 1º Festival Literário de Pardinho. O evento terá entrada gratuita e uma programação diversa, incluindo mesas de debate, oficinas, contações de histórias, feira de livros, apresentações musicais, batalhas de slam, concurso de cosplay e atividades para crianças, transformando Pardinho em um verdadeiro polo de encontros culturais.

Além de marcar os 15 anos da Biblioteca Pública de Pardinho, administrada pelo Instituto Jatobás, o festival reforça a vocação do espaço como ponto de cultura e educação, conectando tradição e contemporaneidade em um ambiente de diálogo entre diferentes expressões artísticas.

“A realização do Festival Literário de Pardinho é um marco para a nossa região. Mais do que promover atividades culturais, é uma oportunidade de estimular a leitura, valorizar autores e abrir espaço para novas vozes, criando experiências coletivas em torno da literatura”, destaca Rosane Voss, bibliotecária do Instituto Jatobás.

Programação

Sexta-feira, 24 de outubro – Abertura

  • 19h – Fala institucional, exibição do vídeo comemorativo dos 15 anos da Biblioteca e contação de histórias com Giba Pedroza 
  • 20h – Sarau Akangatu 
    • Apresentação de Baga Defente
    • “Por detrás daquela serra” – leitura dramática com Grupo de Teatro do Centro Max Feffer (dir. Vanessa Petroncari)
    • Bloco 1: inscritos
    • “Cabo Polônio” – leitura dramática com Elias Pintanel e Johnny Faustino
    • Bloco 2: microfone aberto
    • Encerramento

Sábado, 25 de outubro – Formação, debates e experimentações

  • 10h às 13h – Formação em contação de histórias com Giba Pedroza 
  • 11h às 12h30 – Mesa “Como a literatura se transforma em experiência coletiva?”
    Com Paula Marinho, Giuliana Paschoal e Rejane Marques. Mediação: Rosane Fagotti Voss 
  • 14h às 18h – Oficina de Fanzines com Raquel Costa 
  • 14h às 18h – Jogos de tabuleiro com temas literários (Capivara Jogos)
  • 15h às 16h – Contação de histórias com Giba Pedroza 
  • 15h às 16h30 – Mesa “Por que escrever e publicar hoje em dia?”
    Com Janine Rodrigues (Piraporiando), João Correia Filho (Mireveja) e Mar Becker (escritora). Mediação: Baga Defente 
  • 16h30 às 18h – Palestra “Galáxias Poéticas: expansões entre linguagem, arte digital, semiótica e inteligência artificial” com Zaika dos Santos 
  • 18h às 20h – Batalha Slam com Slam Rosa Viva e convidados. Participação especial da slammer Matriarca 
  • 20h – Apresentação musical do Grupo Nó na Madeira

Domingo, 26 de outubro – Feira, oficinas e cultura pop

  • 10h às 18h – Feira de livros e arte impressa (com palco aberto, lançamentos e autógrafos)
  • 10h às 17h – Cantinho das crianças (livros, brinquedos, jogos, pintura facial etc.)
  • 13h às 17h – Experimentações literárias com Manas Escritas (Natália M. e Lívia Mota)
  • 14h às 15h30 – Oficina de Katana
  • 15h30 às 16h45 – Concurso de Cosplay
  • 16h45 às 17h – Premiação do Concurso de Mangá
  • 17h às 18h – Mesa “Que histórias os quadrinhos podem contar?”
    Com Bárbara Ipê, Camilo Solano e Guilherme Raffide. Mediação: Baga Defente 
  • 18h – Encerramento com pocket-show de Fernando Vasques

Serviço
1º Festival Literário de Pardinho
Dias 24, 25 e 26 de outubro
Local: Biblioteca Pública de Pardinho, localizada no Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade – Pardinho/SP
Entrada gratuita
Mais informações: @centromaxfeffer

Sobre Instituto Jatobás
O Instituto Jatobás é uma organização com 20 anos de atuação em São Paulo que acredita na cultura e na educação como ferramentas fundamentais para a transformação social.

Nosso desafio central é a redução da desigualdade social, promovendo oportunidades para que mais pessoas conquistem autonomia e realizem seus projetos de vida, tornando-se protagonistas de suas próprias histórias.

A Instituição administra dois espaços dedicados à cultura e à educação e desenvolve programas e cursos focados na geração de renda e inserção no mercado de trabalho.

Arquiteto Nadir Curi Mezerani é entrevistado pelo jornalista Fernando Bruder e fala sobre o Espaço Cultural de Botucatu

Nesta terça-feira (14), o jornalista Fernando Bruder da Rede Alpha de Comunicação, entrevistou com exclusividade o arquiteto Nadir Curi Mezerani, responsável pelo projeto dos tradicionais iglus do Espaço Cultural de Botucatu. Durante a conversa, o profissional comentou sobre os problemas estruturais em uma das unidades — onde funcionava o Cine Janelas — e reforçou a necessidade de uma reforma completa em todas as edificações.

“Desde o incidente… (do local do Cine Janelas), …eu já havia alertado a prefeitura de que aquilo precisava ser refeito o quanto antes. Como isso não foi feito, é essencial que se realize uma fiscalização técnica, provas de carga e um estudo detalhado da situação”, afirmou Mezerani. O arquiteto elogiou a decisão da Prefeitura de interditar o local na época, tendo em vista evitar algum acidente, mas destacou que a restauração é indispensável para garantir a segurança e preservar o patrimônio.

Com mais de 60 anos de existência, as construções projetadas por Mezerani foram consideradas inovadoras para a época, inspiradas em estruturas abobadadas reconhecidas desde a arquitetura romana. “As cúpulas são uma das formas mais estáveis que existem. O problema é que, diferente das antigas construções de pedra, essas têm ferro na composição, e o material não pode ficar exposto, sob risco de corrosão”, explicou.

O arquiteto relembrou ainda o envolvimento de nomes importantes na execução do projeto, como o engenheiro Geraldo Magella e o escritório Figueiredo Ferraz, ressaltando que a obra foi feita com alta qualidade técnica. Ele também se colocou à disposição da administração municipal para acompanhar uma possível vistoria técnica e restauração, sugerindo inclusive profissionais experientes para o trabalho.

Durante a entrevista, Mezerani expressou emoção e esperança em ver o Espaço Cultural de Botucatu totalmente revitalizado e novamente em funcionamento. “Eu sonho em ver essa obra restaurada, viva, sendo um verdadeiro centro público de cultura. Não se pode deixar uma obra daquela ruir; seria um vexame para a cidade”, declarou.

Aos 86 anos, o arquiteto mantém o mesmo entusiasmo de quando projetou o espaço e acredita que investir na recuperação do local é uma forma de valorizar a memória e o futuro cultural de Botucatu.

Assista a entrevista na íntegra:

Declaração do prefeito sobre o Espaço Cultural ser uma “aberração” divide Botucatu e revolta o arquiteto que o criou

O prefeito de Botucatu, Fábio Leite (PSD), gerou forte reação da população ao afirmar, em entrevista, à Rádio Prever, que o Espaço Cultural da cidade — construção histórica de 1966 — foi “uma aberração”.

O prédio, considerado um marco da arquitetura local, foi projetado pelo arquiteto botucatuense Nadir Curi Mezerani, profissional reconhecido no estado de São Paulo e autor de diversos projetos pelo país.

Nadir Curi Mezerani

Durante a entrevista, o prefeito demonstrou desconhecimento sobre o autor da obra, referindo-se ao arquiteto “como mulher” e afirmando que havia procurado o nome “na internet” sem encontrar resultados. Na sequência, justificou sua intenção de construir um prédio elevado no lugar como um “mini-MASP”, através de uma parceria público-privada (PPP).

O problema, segundo críticos, é que a população não foi consultada, até o momento, apesar dele dizer que será “discutido com a sociedade“. Não há clareza sobre como essa parceria será feita e nem se haverá critérios de preservação do prédio histórico.

A declaração foi considerada um desrespeito ao patrimônio cultural da cidade e provocou revolta do arquiteto Nadir Mezerani, que se manifestou publicamente.

Após tomar conhecimento das falas do prefeito, o arquiteto destacou a importância histórica e social do projeto, concebido originalmente como um Centro Educacional Infantil Municipal, voltado a crianças de famílias humildes de Botucatu, na décadade 60.

Segundo ele, o espaço sempre teve “DNA cultural”, abrigando escola, museu, biblioteca e atividades artísticas ao longo de seis décadas.

Cabe neste caso esclarecer, a quem se interessar, a grande diferença entre um projeto arquitetônico, sua execução em obra e ao final o efetivo uso e sua conservação no tempo. Este projeto arquitetônico é de minha autoria em 1965, seu cálculo estrutural é do engenheiro J.C. Figueiredo Ferraz e a obra foi executado por Geraldo Rezende Magela na gestão do prefeito Amaral Amando de Barros. Este me solicitou projeto de um “Centro Educacional Infantil Municipal” como escola destinada a crianças de famílias de menor poder aquisitivo, em período integral, na área aberta da antiga caixa d´água desativada.

O arquiteto ressaltou sobre o abandono e a falta de manutenção das edificações.

A estrutura maior necessita de tratamento técnico, mas é um exemplo de solidez. O problema é o hábito histórico brasileiro de não restaurar seus patrimônios”.

Ele também criticou o Departamento de Engenharia da Prefeitura como responsável direto pela deterioração da estrutura.

 “há um “ESPAÇO de CULTURA” onde hoje se abriga a Biblioteca Municipal e o Museu Histórico e Pedagógico, havia um Cine Clube da Secretaria de Cultura também … e a visão que temos do Espaço Cultural hoje é de abandono…., embora ainda seja ocupada e esteja em uso.” Tudo parece mais grave, pois o DNA da proposta original está estampada como ESPAÇO CULTURAL, onde há hoje descaso maior do Departamento de Engenharia da PMB na estrutura da abóboda maior, obvio também à todas as demais estruturas, hoje com 60 anos!”

O apelo de Nadir Mezerani

A angústia do arquiteto Nadir Mezerani destaca o valor social e cultural do espaço, lembrando que ele foi concebido como Centro Educacional Infantil e mais tarde se tornou símbolo da cultura local, mas que podem ser destruídos.

“A praça deve ser restaurada com retrofit às funções desejadas desde a estrutura, a arquitetura e o paisagismo; ridiculamente abandonados na Avenida Dom Lúcio”, ambiente articulador histórico de Botucatu de bons ares e escolas”.

Ele defende que a praça e o edifício sejam restaurados, preservando sua arquitetura e paisagismo originais, e sugere transformar em um espaço para as crianças e os jovens; proposta que conciliaria educação, ciência e cultura, a exemplo do Museu Catavento, em São Paulo.

“O prédio percorre 60 anos em constante metamorfose, desde Centro Educacional Infantil, mas gloriosamente sempre destinado à cultura. Certamente a obra pública é da sociedade e ela que deve dizer se merece um reestudo global a permanecer como obra cultural, obviamente sugiro inicialmente, obra destinada a escola durante o dia para as crianças que ainda infelizmente necessitam do Estado e à noite à tantas outras para os jovens. Mas por aqui vejo se amigo permite-nos uma regional do “Museu Catavento”!

A fala do prefeito também foi criticada por especialistas

A fala do prefeito, ao classificar uma obra símbolo da cidade como “aberração”, é vista por especialistas do Direito Administrativo, Arquitetos, Engenheiros e Defensores do Patrimônio Histórico da cidade como um ato de despreparo e desprezo à memória coletiva e à identidade botucatuense.

“Mais uma vez o prefeito expõe sua opinião sem conhecimento causando transtorno à população que se sente insegura diante de suas decisões. Provocando ainda mais desconfiança e reduzindo a sua popularidade, diz o especialista em Direito Público”, Arthur Tellot.

Enquanto isso, a Prefeitura planeja abrir mais uma PPP para os espaços de cultura do município. A mais recente está ocorrendo para a reforma do Cine Neli que passou muitos anos fechado e para a qual a população não foi ouvida.

Agora para a construção do novo Espaço Cultural, a população aguarda mais transparência e participação nessa decisão que envolve um dos marcos históricos mais emblemáticos de Botucatu.

Os especialistas apontam que existem vários problemas neste caso, envolvendo a área mais valorizada da cidade, a Av. Dom Lúcio, principal via da cidade e ponto estratégico do comércio e urbanismo botucatuense.

Há problemas quanto às áreas de zoneamento do município; riscos de exploração comercial do espaço público; falta de transparência sobre a parceria; falta de estudos de impacto social; de consulta da população, entre outros.

“Estamos diante de uma ameaça real de que um espaço histórico e público seja entregue à exploração comercial e imobiliária travestida de parceria cultural. A PPP é um instrumento legítimo, mas precisa obedecer à Lei Federal nº 11.079/2004. Isso inclui audiências públicas, estudos técnicos e consulta popular. Qualquer desvio transforma o processo em uma forma de privatização do patrimônio municipal.” alerta a arquiteta urbanista Luciana Prado, especialista em Planejamento Urbano.

O que diz a lei das Parcerias Público-Privadas

A Lei das Parcerias Público-Privadas (Lei nº 11.079/2004) exige rigorosos critérios de transparência e controle social, entre eles:

  • Estudos de viabilidade técnica e financeira, demonstrando a vantagem da parceria para o município.
  • Audiência pública obrigatória antes da assinatura de qualquer contrato.
  • Publicação integral dos termos da PPP, incluindo prazos, responsabilidades e garantias.
  • Fiscalização contínua pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público.

“Sem essas garantias, o município corre o risco de perder o controle do espaço público por décadas. A prefeitura precisa demonstrar claramente que a PPP não beneficiará grupos privados, incorporadoras ou empresas ligadas ao setor imobiliário ou à cúpula do governo. Caso contrário, pode ser questionada judicialmente por violação do princípio da publicidade e do interesse público”, explica o advogado Rafael Venceslau, especialista em Direito Administrativo.

O risco da entrega do patrimônio municipal à iniciativa privada sem garantias definidas pela população

O Espaço Cultural está situado em um dos terrenos mais cobiçados de Botucatu, cercado por escolas, centros comerciais e residenciais de alto padrão.

Urbanistas alertam que, sem garantias legais e fiscalização cidadã, a iniciativa pode abrir caminho para exploração comercial, elitização e perda definitiva do caráter público da área.

“A Avenida Dom Lúcio é um eixo simbólico da cidade. Não se pode substituir história por concreto espelhado. Em vez de demolir, o caminho responsável seria restaurar o prédio, mantendo a essência da obra e integrando novos usos. O que o prefeito propõe é apagar 60 anos de identidade cultural de Botucatu, critica a arquiteta Luciana Prado.

O que a sociedade cobra agora

Entidades culturais, organizaçõesda sociedade civil, arquitetos, urbanistas e moradores cobram que a Prefeitura de Botucatu:

  1. Realize uma audiência pública sobre o futuro do Espaço Cultural.
  2. Garanta que o terreno continue sendo de uso público, com função cultural e educacional.
  3. Proíba o uso comercial ou imobiliário do espaço em qualquer contrato de PPP.
  4. Crie um conselho gestor com representantes da sociedade civil para acompanhar o processo.
  5. Valorize o patrimônio existente, restaurando-o com técnicas de preservação em vez de demolição.

A Rede Alpha já fez várias reportagens sobre a situação do Espaço Cultural, mas a Prefeitura nunca respondeu aos questionamentos.

Reportagens da Rede Alpha sobre a grave situação do Espaço Cultural

Em fevereiro deste ano, o Jornalista Fernando Bruder, do Portal Alpha Notícias, realizou uma série de reportagens, após denúncias de munícipes e servidores municipais sobre os riscos de acidentes no Espaço Cultural e sobre a falta de manutenção dos iglus; bem como, da negligência com o acervo histórico do Museu Municipal de Botucatu, chamado Museu de Ensino e História Francisco Blasi.

Na época, o Prefeito Fábio Leite, a Secretária de Comunicação Cinthia Al-Lage e a Secretária de Cultura, Cristina Cury foram procurados para darem esclarecimentos de cada matéria, porém nenhum deles se manifestaram.

Veja as matérias, na íntegra, através dos links abaixo:

www.alphanoticias.com.br

  1. https://www.alphanoticias.com.br/espaco-cultural-de-botucatu-esta-abandonado/
  2. https://www.alphanoticias.com.br/cine-janelas-de-botucatu-mais-um-espaco-cultural-perdido-pelo-descaso/
  3. https://www.alphanoticias.com.br/bens-historicos-doados-por-familias-de-botucatu-entulhados-no-espaco-cultural/
  4. https://www.alphanoticias.com.br/prefeito-fabio-leite-afirma-que-espaco-cultural-de-botucatu-esta-com-estrutura-condenada/

Youtube (@redealphadecomunicação):

  1. https://youtu.be/zbnX1GG-fYE?si=dckJZW8Rj0aMc5Ph
  2. https://youtu.be/8L9vheQpQMw?si=ZxmKg_YQhFNykBgA
  3. https://youtu.be/LcERw0SaylM?si=gjmD7iq8bIuKkjJA

Vereadores de Botucatu também são omissos com a situação do Espaço Cultural

Em março, deste ano, logo após as denúncias da situação do Espaço Cultural, feitas pela equipe de jornalismo da Rede Alpha, o jornalista Fernando Bruder protocolou uma solicitação de reunião com as Comissões Parlamentares da Câmara Municipal de Botucatu.

A iniciativa foi direcionada às duas comissões internas:

  1. Comissão de Educação, Cultura, Lazer, Turismo, Meio ambiente e agronegócios, composta pelos vereadores: José Fernandes de Oliveira Junior (Presidente da Comissão); Antonio Mario de Paula Ferreira Ielo (relator) e Welinton Rodrigo de Souza, o Japa (membro).
  2. Comissão de Assistência Social, Defesa do Cidadão, Segurança e Direitos Humanos, composta por: Antonio Carlos Trigo (Presidente da Comissão); Thiago Alves Padovan (relator); e Abelardo Wanderlino da Costa Neto (membro da comissão).

Da mesma forma, o Presidente da Câmara, Antônio Carlos Vaz de Almeida, o Cula, também foi convocado.

A reunião tinha como objetivo central, tratar das denúncias sobre a precariedade e riscos da falta de manutenção dos prédios culturais do município de Botucatu; dentre eles, o Teatro Municipal e o Espaço Cultural.

A reunião aconteceu no dia 13 de março deste ano e compareceram juntamente com o Jornalista Fernando Bruder; a Dra. Júlia Bruder, Diretora da Rede Alpha de Comunicação; a advogada, Dra Raphaela Siloto e o cinegrafista, Régis Vallée.

Os vereadores asseguraram que seria montada uma comissão para visitar os espaços culturais e nova reunião seria agendada em até 30 dias para dar satisfação sobre que providências seriam tomadas. Mas, até hoje, nem as visitas ocorreram por parte dos vereadores, e nem a nova reunião foi realizada para responder as denúncias.

No último mês de setembro, novamente, o Jornalista Fernando Bruder protocolou nova solicitação de resposta à Câmara Municipal endereçada ao Presidente da Câmara, Vereador Cula; porém, novamente, não foram dadas qualquer explicações sobre a fiscalização do vereadores nos espaços culturais do município de Botucatu.

Tal situação pode caracterizar crime de Prevaricação por parte dos vereadores envolvidos.

Veja a matéria sobre a reunião com os vereadores através do link abaixo:

https://www.alphanoticias.com.br/?s=Pr%C3%A9dios+cultura

A Rede Alpha reafirma seu compromisso com o jornalismo independente, com a defesa: do patrimônio histórico, da transparência na gestão pública e do direito de participação da população botucatuense perante às decisões que moldarão o futuro da nossa cidade.

Patrimônio público não é moeda de troca. É memória viva de um povo e deve ser preservado com responsabilidade e respeito.

A Rede Alpha continuará acompanhando os desdobramentos de mais esse caso e atualizando em próximas reportagens.

imagens: Prever FM

foto: Revista Projeto