Uma contradição envolvendo declarações públicas da administração municipal e contratos vigentes chama atenção em Botucatu. Após afirmar em vídeo divulgado nas redes sociais que não permitiria que empresas responsáveis por serviços “mal feitos e porcos” continuassem trabalhando para a Prefeitura, o prefeito Fábio Leite mantém ativo um contrato milionário com a mesma empresa anteriormente criticada publicamente.
A empresa Dellazari e Borlina Soluções Ltda foi alvo de críticas do próprio prefeito após falhas na pavimentação executada na Rua Veiga Russo e na Rua Carlos Corsi. Segundo a denúncia feita na época, a camada asfáltica apresentou deterioração em menos de dez dias após a conclusão da obra, executada ao custo aproximado de R$ 259 mil aos cofres públicos.


Na ocasião, o prefeito declarou:
“Não vamos permitir que fornecedores desse tipo continuem prestando serviços à Prefeitura.”
Ele também afirmou que a Procuradoria Municipal havia sido acionada para notificar e responsabilizar a empresa pelos problemas apresentados.
Contrato milionário segue ativo
Apesar da declaração pública, dados do Portal da Transparência mostram que a mesma empresa segue contratada pela Prefeitura por meio do contrato nº 0418/25, no valor de R$ 2.666.022,99, para execução da primeira etapa da canalização do Córrego Tanquinho, dentro do projeto de revitalização viária da Avenida Vital Brasil com a Rua Tiradentes.
O contrato:
- foi firmado após processo licitatório nº 025493/25
- possui regime de execução por empreitada global
- está vigente até novembro de 2026
- permanece ativo sem registro público de suspensão contratual
A manutenção do vínculo contratual ocorre mesmo após manifestação pública do chefe do Executivo classificando serviços anteriores da empresa como inadequados.

Histórico anterior de problemas em obras públicas
As críticas à empresa não se limitaram à pavimentação recente. Sob o contrato nº 171/2023, no valor de R$ 9.826.467,21, com posteriores aditivos financeiros, a empresa foi responsável pela implantação de estruturas do Parque Linear de Botucatu.
Entre os problemas relatados por usuários e apontados em denúncias públicas estavam:
- falhas na drenagem da pista de skate
- água minando na pista de ciclismo
- canalizações danificadas
- falta de acabamento em diversos trechos
- necessidade de correções estruturais após a entrega
Esses apontamentos reforçaram questionamentos sobre a qualidade da execução e a fiscalização contratual das obras.

Declarações políticas e responsabilidade administrativa
Durante a divulgação do vídeo sobre a obra da Rua Veiga Russo, o prefeito destacou que havia determinado providências administrativas contra a empresa responsável e afirmou que fornecedores com esse padrão de execução não permaneceriam atuando no município.
No entanto, a permanência da empresa como executora de obra estratégica de drenagem urbana levanta questionamentos sobre:
- critérios de responsabilização contratual
- eventual aplicação de penalidades administrativas
- atuação da fiscalização técnica municipal
- coerência entre discurso público e prática administrativa
Relembre a Reportagem:
Continuidade de contratos após críticas públicas
Outro ponto que chama atenção é que parte das obras executadas pela empresa ocorreu ainda durante o período em que o atual prefeito integrava o núcleo administrativo da gestão anterior do ex-prefeito Mário Pardini, tendo ocupado secretarias estratégicas como Administração, Fazenda e Governo.
Isso reforça o debate público sobre:
- continuidade de fornecedores
- fiscalização histórica dos contratos
- controle de qualidade das obras públicas
- responsabilidade compartilhada entre gestões
Questionamentos que permanecem sem resposta
Diante das declarações feitas pelo próprio prefeito e da permanência do contrato vigente com a empresa anteriormente criticada, permanecem questionamentos relevantes:
- A empresa foi formalmente notificada?
- Houve aplicação de multa contratual?
- Existe processo administrativo sancionador aberto?
- Houve impedimento de contratar com o município?
- Quais garantias técnicas foram exigidas para continuidade da execução da obra atual?
A população aguarda esclarecimentos sobre quais medidas efetivamente foram adotadas após as críticas públicas feitas pela própria administração municipal e quais mecanismos de fiscalização estão sendo aplicados para garantir a qualidade das obras financiadas com recursos públicos.
Os dados do contrato também indicam quem são os responsáveis pela fiscalização da execução da obra da canalização do Córrego Tanquinho. Conforme registros administrativos, a fiscalização está atribuída ao secretário municipal de Infraestrutura, Rodrigo Colauto Taborda, ao secretário municipal adjunto de Infraestrutura, William de Oliveira e Silva, ao chefe da Divisão de Serviços Topográficos, Guilherme Henrique Gomes Valim, e ao engenheiro Eduardo Wochnik Silva.
A presença de quatro fiscais vinculados à Secretaria de Infraestrutura reforça que a obra possui acompanhamento técnico formal durante sua execução. No entanto, diante das críticas públicas feitas anteriormente pela própria administração municipal à empresa responsável por serviços considerados inadequados, cresce a expectativa sobre qual tem sido o papel efetivo da fiscalização técnica na verificação da qualidade dos serviços atuais e na eventual adoção de medidas administrativas caso irregularidades sejam identificadas.
Essas informações ampliam o debate público sobre a responsabilidade técnica e administrativa no acompanhamento de contratos milionários com recursos públicos, especialmente em situações nas quais já houve registros anteriores de problemas em obras executadas pela mesma empresa, aumentando a cobrança por transparência, controle e prestação de contas à população.
A reportagem da REDE ALPHA DE COMUNICAÇÃO segue acompanhando o caso.
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