A Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco no último domingo, dia 31 de maio, da “1ª Marcha pelo Lugar da Mulher”, manifestação realizada em frente ao MASP. O ato reuniu participantes com o objetivo de defender o papel da mulher “no corpo, na lei e na vida”, com a presença de mulheres de diferentes perfis ideológicos, além de apoiadores homens e travestis alinhados à pauta do movimento.
A mobilização foi articulada por ativistas e lideranças políticas conservadoras, que afirmam se posicionar contra a cultura woke que prega a ideologia de gênero e classificam mulheres biológicas como subgrupo, denominado cis.
Uma das porta-vozes do evento, a empresária e ativista Bárbara Hannelore, afirmou que a marcha não teve caráter de confronto. “É um ato de mulheres e de homens unidos, de todas as idades, todas as cores, crenças, de todo lugar do Brasil, que ainda acredita que ” ser Mulher não é uma categoria”.
Segundo ela, propostas legislativas em discussão no Congresso Nacional estariam relacionadas a um processo de “redefinição” da palavra mulher em documentos e políticas públicas. “É o apagamento do que foi conquistado por tantas mulheres que sangraram antes de nós”, declarou. Em vídeos publicados nas redes sociais, Bárbara também destacou a maternidade como elemento central da identidade feminina e criticou termos neutros utilizados em registros oficiais, como “pessoa que gesta“.
Outra liderança do movimento, a cientista política Júlia Lucy, também convocou apoiadores durante participação em programa de entrevistas. “A gente tem que colocar de novo o lugar da mãe no lugar onde é mãe, porque só mulher é mãe”, afirmou.
Júlia Lucy também lidera o movimento “Ele Nunca Será Mulher”, que, segundo seus organizadores, busca reforçar a identidade feminina e questionar o que chamam de perda de espaços sociais e institucionais destinados às mulheres.
Durante o evento, a médica Dra. Júlia Bruder, de Botucatu, também participou e relatou sua experiência pessoal ao se posicionar publicamente sobre o tema. Em seu discurso, afirmou ter se sentido “injustiçada” após repercussões de um vídeo seu publicado nas redes sociais sobre um processo judicial que sofreu envolvendo sua manifestação contrária a Érika Hilton ter assumido a comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. No entanto, o Ministério Público reconheceu que a Dra Júlia não cometeu nenhum crime e que apenas expôs sua opinião no vídeo, e o processo foi arquivado. Ela afirmou que pretende atuar em defesa das mulheres, destacando que “homem é homem, mulher é mulher e trans é trans”, posição que gerou muitos aplausos da platéia presente na Av. Paulista e nas redes sociais onde o seu discurso foi publicado posteriormente.
Esteve também presente a travesti, Yolanda Panda. Em sua fala, defendeu a separação entre gêneros e que as Mulheres devem ser reconhecidas pelas questões biológicas. Afirmou que travesti não é mulher. E que o fato dessas desavenças públicas, como pelo uso do banheiro feminino por homens biológicos, tem causado mais preconceito aos travestis. “Eu uso banheiro masculino e nunca tive problemas com isso.”
Outro participante do evento foi o senador Magno Malta que se colocou como apoiador das mulheres e que esse ato na Paulista foi o início de um movimento nacional voltado à defesa dos direitos fundamentais das mulheres e à preservação de espaços sociais, jurídicos e institucionais voltados às mulheres.
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