Reforma do Cine Nelli apaga simbolo cultural e gera revolta em Botucatu

Uma intervenção de reforma qua há mais de um ano acontece em Botucatu, realizada durante as obras no Cine Teatro Nelli está provocando forte repercussão negativa entre moradores e agentes culturais da cidade. Segundo denúncias, a reforma autorizada pela Prefeitura de Botucatu resultou na raspagem do tradicional painel filogenético, uma obra que há décadas integrava a identidade visual do espaço.

De acordo com relatos, o painel — considerado por muitos como um símbolo da conexão entre arte, ciência e cultura local — não estava em estado irreversível e poderia ter passado por um processo de restauração. A decisão de removê-lo, no entanto, foi vista como precipitada e desrespeitosa com a memória cultural da cidade.

Artistas, produtores culturais e moradores se manifestaram nas redes sociais criticando duramente a ação. Para esse grupo, a eliminação do painel representa mais do que uma intervenção estética: seria um apagamento simbólico da história recente do teatro e da própria produção cultural botucatuense.

Era possível recuperar, preservar e valorizar. Optaram por apagar”, comentou um integrante do meio artístico local, refletindo o sentimento de indignação que cresce entre aqueles que acompanham a cena cultural da cidade.

O painel filogenético fazia parte da fase mais recente de ressignificação do teatro, marcando o espaço como um ponto de encontro entre diferentes expressões artísticas e o conhecimento científico — algo especialmente relevante em uma cidade com forte vocação universitária.

Até o momento, não houve detalhamento público por parte da administração municipal sobre os critérios técnicos que levaram à remoção da obra. A ausência de explicações tem intensificado as críticas e levantado questionamentos sobre a falta de transparência e de diálogo com o setor cultural.

A situação reacende um debate importante: qual é o limite entre modernizar e preservar? Para muitos, a reforma poderia ter sido uma oportunidade de valorização do patrimônio artístico local — e não de sua eliminação.

Agora, cresce a pressão para que a Prefeitura de Botucatu se posicione oficialmente sobre o caso e esclareça se houve estudo técnico, consulta a especialistas ou qualquer tentativa de conservação antes da raspagem do painel.

Enquanto isso, fica a pergunta que ecoa entre artistas e cidadãos:
Botucatu está evoluindo culturalmente — ou apagando a própria história?

 

Sobre Fernando Bruder

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