Saúde

Botucatu intensifica combate à Leishmaniose após casos em cães em Rubião Júnior

A Vigilância Ambiental em Saúde de Botucatu (VAS) vai iniciar um inquérito sorológico em Rubião Júnior na próxima segunda-feira (13) para monitorar e conter o avanço da Leishmaniose Visceral. A ação foi motivada pela confirmação de três casos autóctones da doença em cães no distrito.

O inquérito, que consiste na coleta de amostras de sangue de cães para detectar a presença da Leishmania, será realizado nas residências de Rubião Júnior, começando pelo Jardim Botucatu. A VAS planeja coletar cerca de 600 amostras e encaminhá-las para análise no Instituto Adolfo Lutz.

A colaboração dos moradores é fundamental para o sucesso da iniciativa. A Vigilância Ambiental solicita que os tutores de cães recebam as equipes de saúde em suas casas e sigam as orientações de prevenção. Em caso de dúvidas, a VAS disponibiliza o telefone (14) 98120-1933.

Essa ação de monitoramento é crucial para proteger a população de Botucatu, já que os cães são os principais reservatórios da Leishmaniose, e os mosquitos-palha, os vetores da doença.

Campanha Nacional de Multivacinação começa hoje em todo o país

Crianças e adolescentes com idade até 15 anos já podem atualizar a caderneta nacional de vacinação. Até o dia 31 de outubro, todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação 2025 estarão disponíveis em todo o país.

Segundo o Ministério da Saúde, neste mês das crianças foram disponibilizadas mais de 6,8 milhões de doses, além do repasse de R$ 150 milhões às gestões de saúde locais, para organização das ações nos territórios.

Durante o lançamento da campanha de 2025, no início do mês, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a segurança e a eficácia das doses utilizadas no país para o controle de doenças preveníveis pela vacinação.

“Quero relembrar aos pais e mães que eles só não tiveram paralisia infantil, só não tiveram meningite, só não tiveram doenças extremamente graves porque, um dia, seu pai e sua mãe enfrentaram situações muito mais difíceis do que hoje para te vacinar – numa época em que as vacinas não estavam todos os dias nas unidades básicas de saúde e, muitas vezes, só chegavam no dia da campanha nacional daquela doença”, disse o  ministro.

Agora, foram disponibilizadas doses das vacinas:

BCG

Hepatite B

Penta (DTP/Hib/HB)

Poliomielite inativada

Rotavírus

Pneumocócica 10 valente (conjugada)

Meningocócica C (conjugada) / Meningocócica ACWY (conjugada)

Influenza

Covid-19

Febre amarela

Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

Varicela

DTP

Hepatite A

HPV

Campanha é reforçada

Para reforçar a campanha junto aos pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde fará chamadas por meio do aplicativo Meu SUS Digital, com expectativas de alcance de 40 milhões de pessoas. A ferramenta é gratuita e está disponível para web e nas versões iOS e Android. Para acessar é necessário possuir conta Gov.br.

No ambiente do aplicativo é possível acessar a Caderneta Digital de Saúde da Criança e também acompanhar a situação vacinal, com a previsão de próximas doses e atualização em tempo real.

Cobertura Vacinal

Para o Ministério da Saúde, a campanha faz parte de um esforço nacional de recuperação vacinal com resultados já percebidos nos últimos anos.

O órgão federal aponta que – de 2022 a 2024 – houve um crescimento de 17% na imunização de crianças menores de dois anos contra a pólio e expansão de 40% na vacinação da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).

Para a proteção contra o sarampo, que registra um crescimento de casos na América do Norte, região que concentra 99% dos sete mil registros das Américas, o Brasil vai reforçar a imunização contra a doença entre a população de todas as idades. As doses foram disponibilizadas para pessoas de 12 meses a 59 anos de idade.

Dia D

No próximo dia 18 de outubro, haverá o Dia D de mobilização, com horário especial de funcionamento dos postos de saúde de todo o país.

“Todos os dias são dias de vacinação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas o 18 de outubro será uma oportunidade estratégica para mobilizarmos, juntamente com estados e municípios, as localidades com maior concentração de crianças, garantindo que todas sejam protegidas durante o Dia D”, finalizou Padilha.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo

FMVZ/Unesp vai sediar novo centro de pesquisa financiado pela Fapesp

Proposta do “Cetras Universitário: Cempas” foi contemplada pelo programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs)

No dia 29 de setembro de 2025, as professoras Sheila Canevese Rahal e Cláudia Valéria Brandão, do Departamento de Cirurgia Veterinária e Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, participaram de um evento promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no qual foram divulgados os novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) aprovados pela instituição.

Ao todo, a Unesp vai ser a sede de quatro novos CCDs financiados pela Fapesp. Com duração de três cinco anos, o programa da Fapesp busca no conhecimento científico as soluções para questões sociais prementes, em parceria com secretarias estaduais e órgãos de governos, podendo congregar também o apoio de entidades privadas e do terceiro setor.

As propostas lideradas pela Unesp perfazem pouco mais de R$ 40 milhões para o financiamento dos novos quatro CCDs, que contemplam, além da FMVZ, em Botucatu, unidades dos câmpus universitários de São Paulo, Bauru e Tupã.
Na FMVZ, o CCD vai ser abrigado no Cempas (Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens), hoje reconhecido como Centro de Triagem e Reabilitação (Cetras) universitário e habilitado a receber, identificar, avaliar, reabilitar e destinar espécimes da fauna silvestre e da fauna exótica. A instituição pública parceira neste CCD é a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), que abriga, entre outros órgãos, o DER (Departamento de Estradas e Rodagens), um ator importante do dia a dia do Cempas, que reabilita animais atropelados nas rodovias paulistas.

Além de permitir o avanço do conhecimento por meio das pesquisas com animais selvagens, o CCD “Cetras Universitário: Cempas” vai contribuir para mitigação da perda da biodiversidade no Estado de São Paulo.
As atividades de pesquisa serão conduzidas por docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Animais Selvagens da FMVZ, bem como por alunos de graduação da unidade e do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, câmpus de Botucatu.

A professora Sheila Canevese Rahal atuará como Pesquisadora Responsável e a professora Cláudia Valéria Brandão como Pesquisadora Principal do Centro. Os pesquisadores Associados serão os professores Bruno Cesar Schimming, Maria Jaqueline Mamprim, Alessandra Melchert, Felipe Fornazari, Renata Navarro Cassu e Tais Harumi de Castro Sasahara. A pesquisadora associada do ente público será Patrícia Locosque, bióloga e coordenadora de Fauna Silvestre da Secretaria do Meio Ambiente.

Cabe destacar que o recebimento e atendimento dos animais selvagens é um desafio público constante e de interesse da Subsecretaria de Meio Ambiente, no ítem “Manutenção da biodiversidade, processos e serviços ecossistêmicos”.
“As pesquisas desenvolvidas com os animais silvestres são de grande importância no contexto da preservação ambiental e saúde. Tais pesquisas podem contribuir em vários aspectos, devido à inter-relação com a saúde única, educação, equilíbrio do ecossistema e necessidade da preservação das espécies, especialmente as ameaçadas de extinção ou já em extinção”, afirma a professora Sheila. “A aprovação do Cempas como Centro de Ciência para o Desenvolvimento pela Fapesp constitui um reconhecimento da proposta, que articula diferentes áreas do conhecimento para a geração de soluções aplicadas à conservação da biodiversidade”, complementa a professora Claudia Valéria.

Presente ao lançamento, a reitora Maysa Furlan destacou a abrangência territorial da Unesp, distribuída por 24 cidades paulistas, como um ponto de grande aderência ao programa da Fapesp. “Nós estamos em 24 cidades e conhecemos muitas vezes o problema e o potencial da nossa universidade para resolver essas questões. Penso que a Unesp tem uma aderência muito grande para o programa porque detém um espaço territorial que outras universidades não detêm. Consequentemente, interage e conhece os problemas”, disse a reitora, que em seu discurso destacou também a importância da preservação da autonomia para a prática universitária.

(Na foto, a partir da esquerda, professoras Sheila Canevese Rahal, Maysa Furlan (Reitora da Unesp) e Cláudia Valéria Brandão)

Ministério da Saúde vai comprar 150 mil antídotos contra intoxicação por metanol

O Ministério da Saúde comprará, em caráter emergencial, antídotos contra intoxicações por metanol, a serem utilizados por estados e municípios para o tratamento de vítimas que tenham tomado bebidas alcoólicas adulteradas.

O governo pretende adquirir 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, além da possibilidade de adquirir Fomepizol junto a produtores e agências internacionais. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, via redes sociais.

“Determinamos a compra emergencial de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico para reforçar estados e municípios no tratamento de vítimas. A Anvisa também acionou produtores e agências internacionais para adquirir Fomepizol, outro antídoto usado em casos de intoxicação”, postou o ministro.

Na quinta-feira (2), Padilha detalhou ações estratégicas de enfrentamento a esse tipo de intoxicação, durante reunião da sala de situação, criada pelo governo federal visando o monitoramento e a coordenação das iniciativas, em meio aos casos de suspeita e contaminação que vêm sendo identificados.

“O Ministério da Saúde estruturou, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), um estoque estratégico em hospitais universitários federais e serviços do SUS com 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico. Além disso, está em andamento a compra emergencial de mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas), garantindo a reposição e distribuição do produto conforme a necessidade de estados e municípios”, informou o ministério.

Chamada Pública

De acordo com a pasta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma chamada pública para identificar “fornecedores internacionais do fomepizol, medicamento específico para intoxicação por metanol, atualmente não disponível no Brasil”.

Esta ação vai mobilizar as 10 maiores agências reguladoras do mundo para que indiquem, em seus países, quais são os produtores do fomepizol.

O governo oficializou também um pedido à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol.

Precaução

O ministério manifestou a intenção de adquirir outras 1 mil unidades do medicamento por meio da linha de crédito do Fundo Estratégico da Opas, o que poderá ampliar ainda mais o estoque nacional.

Ao anunciar as medidas, Padilha disse que esses pedidos e compras de antídotos estão sendo feitos por precaução.

“Nos últimos anos, não ultrapassamos 20 casos por ano, mas temos observado um registro maior no estado de São Paulo. Essas são medidas preventivas do Ministério da Saúde”, disse o ministro.

Casos suspeitos

Até a tarde de quinta-feira (2), o Brasil havia registrado 48 casos suspeitos de intoxicação por metanol. Outros 11 casos já haviam sido confirmados por meio de detecção laboratorial pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs), segundo a Sala de Situação instalada pelo governo federal

Apenas uma morte decorrente desse tipo de intoxicação foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Mais sete óbitos seguem em investigação, sendo dois em Pernambuco e os outros cinco também em São Paulo.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Rafael Nascimento

Potencial tóxico da carambola em pessoas com doença renal foi descrito pela primeira vez por docentes da Unesp de Botucatu

Em 1990, ano em que a Alemanha conduzia o seu o processo de reunificação no ocaso da Guerra Fria, o paciente H. dava entrada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), no interior de São Paulo, com um soluço persistente, intratável, acompanhado de vômito e desidratação. Homem negro e morador de Botucatu, H. era um adulto jovem que sofria de insuficiência renal crônica (IRC). Havia passado por hemodiálise na véspera e, para a surpresa dos médicos da Unesp, que fazia a gestão do HCFMB, perdera dois quilos em 48 horas em razão da desidratação, sendo que doentes renais crônicos em geral ganham peso por causa da retenção de líquidos.

Era uma sexta-feira, e os soluços em sequência que incomodavam H. e o impediam de se alimentar levaram os médicos a interná-lo e submetê-lo a uma sequência de exames físicos, laboratoriais e de imagem. Sem diagnóstico à vista, o então médico residente Luis Cuadrado Martin ouviu do paciente H. um relato que se mostraria bastante importante e revelador ao longo dos anos. “Foi a carambola, doutor”, disse, referindo-se às três carambolas que havia ingerido cerca de quatro horas antes do início dos sintomas. Na segunda-feira seguinte à internação, após passar por sessão regular de hemodiálise, os soluços sumiram e H., enfim, recebeu alta hospitalar.

Em agosto daquele ano, H. voltou ao hospital para participar do programa de diálise junto a outros pacientes e reparou que um deles chegara ao local com uma canastra de carambolas provenientes do sítio em que vivia, que abrigava caramboleiras (Averrhoa carambola). Em alerta após experiência anterior, H. recusou a fruta. Mas 10 dos 18 pacientes renais crônicos e uma parte da equipe de saúde comeram carambola. Dos dez pacientes que ingeriram o fruto, oito desenvolveram soluços nas primeiras 12 horas após a ingestão. Dois pacientes que comeram a fruta antes da hemodiálise não tiveram qualquer soluço, assim como os pacientes que a recusaram, e os profissionais de saúde que a ingeriram.

                                 Luis Cuadrado Martin – crédito: Carlos Pessoa / FMB

Foi a partir desta espécie de experimento informal, ocorrido há 35 anos nas dependências do HCFMB, que o então residente Luis Cuadrado Martin, hoje docente da Faculdade de Medicina de Botucatu, elaborou, como autor principal, a primeira descrição clínica sobre o potencial tóxico da carambola em pacientes com doença renal crônica de que se tem notícia na literatura científica.

O artigo “Soluço intratável desencadeado por ingestão de carambola (Averrhoa carambola) em portadores de insuficiência renal crônica” foi publicado três anos depois no Jornal Brasileiro de Nefrologia. O texto foi assinado por Martin e outros dois médicos em início de carreira que também se tornariam docentes da Unesp: Jacqueline Caramori e Pasqual Barretti. Completava o time de autores o então professor da FMB Vitor Augusto Soares, que havia apresentado a descrição clínica no ano anterior no XVI Congresso Brasileiro de Nefrologia, realizado no Rio de Janeiro.

Dentre os 8 pacientes que ingeriram a carambola após a hemodiálise naquele dia e apresentaram sintomas, dois apresentaram intercorrências mais graves e tiveram que retornar ao hospital no dia seguinte. Foram então submetidos a uma nova sessão de hemodiálise, que zerou os sintomas. O artigo com a descrição do caso sugeria que o experimento informal resultara em um achado inédito.

“Os dados apresentados sugerem fortemente que a ingestão de carambola foi o fator desencadeante do soluço nestes pacientes (…) A observação de que nenhum dos membros da equipe de saúde que ingeriu a fruta tenha apresentado soluço, associada ao fato de que o tratamento hemodialítico foi eficaz na supressão desses sintomas, sugere que na carambola deva existir alguma substância de excreção renal e dialisável capaz de provocar esse sintoma”, escreveram os autores no artigo de 1993.

Martin relata que o achado ecoou entre os colegas. “Ambos os episódios, o isolado e o epidêmico, foram no ano de 1990. Nós descrevemos e avisamos: ‘olha, já se sabe que tem que tomar cuidado com essa fruta para pacientes com insuficiência renal’. Lembro que na época do Congresso (Brasileiro de Nefrologia), alguns nefrologistas nos procuraram para dizer que já tinham atendido pacientes com soluços e que, a partir dali, perguntariam sobre a carambola”, lembra.

Relato de caso de morte repercute

Porém, na literatura científica, o alerta sobre a carambola do artigo dos professores da Unesp ecoou somente cinco anos depois. Em 1998, o professor e médico Miguel Moyses Neto, da Divisão de Nefrologia do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto, reportou, junto com dois colegas do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão, seis casos de pacientes renais em um programa de diálise que também apresentaram soluços associados a outros sintomas importantes depois de comerem carambolas, tais como insônia, confusão mental e, em um dos casos descritos, a morte de um paciente com diabetes, aos 57 anos de idade.

O artigo de 1998 foi publicado na revista médica Nephrology Dialysis Transplantation, de Oxford, acompanhado de uma nota do professor e editor-chefe Eberhard Ritz em que se pondera tratar-se de “observação clínica preliminar que requer confirmação”. Na nota, o docente justificava a publicação em razão da “potencial implicação clínica”. Uma das quatro referências do artigo assinado pelos docentes do câmpus de Ribeirão Preto da USP é o artigo pioneiro dos professores da Unesp no Jornal Brasileiro de Nefrologia.

“Na época, eles ligaram para o professor Pasqual (Barretti, um dos autores) para saber como é que tinha sido (no HCFMB) porque havia casos mais graves lá e já começaram a fazer hemodiálise nesses pacientes, alertados pelo nosso primeiro artigo”, diz o professor Luis Cuadrado Martin. “Tivemos casos leves, mas já foi descrito de forma bem consistente. A relação causa-efeito ficou muito clara e também deduzimos que essa suposta substância, na época era uma suposta substância, devia ser excretada pelo rim (via hemodiálise).”

Com o decorrer dos anos, a toxicidade da carambola para pacientes renais crônicos passou a ser estudada sob a perspectiva lançada a partir do Brasil. Embora atualmente seja muito comum no país, em especial no estado de São Paulo, a caramboleira, árvore que pertence à família Oxalidaceae, é nativa da Ásia e foi introduzida nos países tropicais da América do Sul durante o período das grandes navegações ultramarinas.

“Quando o (médico e docente da USP) Miguel Moyses me ligou dizendo que uma paciente estava em coma e que tinha comido carambola, perguntou se era o caso para diálise. Respondi que ‘pela nossa experiência com certeza é’. A diálise foi feita e foi bem-sucedida. Eles (na USP) foram mais ousados em termos de pesquisa, publicaram em uma revista internacional e Ribeirão Preto ganhou grande protagonismo. Mas os dois momentos (da Unesp e da USP) foram fundamentais e de grande importância. Com o tempo, tornou-se um conhecimento de domínio mais amplo a partir de estudos iniciados e concluídos no Brasil”, diz o professor Pasqual Barretti, que foi reitor da Unesp de 2021 a 2024.

                                 Pasqual Barretti na ala de hemodiálise do HCFMB

A “suposta substância” a que se refere o professor Cuadrado Martin foi isolada e caracterizada em 2013 por um trabalho em colaboração da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, ambas do câmpus de Ribeirão Preto da USP. A toxina presente na carambola, que recebeu o nome de caramboxina, é absorvida pela digestão, filtrada pelo rim e eliminada na urina em pessoas sadias. Em pacientes com problemas renais, como o funcionamento do rim está comprometido, a caramboxina, que é um aminoácido, acumula-se no organismo e, via corrente sanguínea, liga-se a receptores do sistema nervoso central, pois não é adequadamente filtrada pelo rim, causando soluços, confusão mental, agitação psicomotora, convulsões e até morte. O artigo de 2013 dos docentes da USP, com pesquisa financiada pelas principais agências de fomento do Brasil, foi publicado na revista Angewandte Chemie International e tem, entre seus 17 autores, dois nomes do artigo científico de 1998.

Em editorial escrito em 2015, o professor Pasqual Barretti, coautor do artigo pioneiro de 1993, publicou no Jornal Brasileiro de Nefrologia um histórico que vai da primeira descrição clínica feita no HCFMB ao isolamento da caramboxina, citando a publicação de uma revisão sistemática, de autoria de nutricionistas da Universidade Federal de Juiz de Fora, que contém artigos publicados entre 2000 e 2014 sobre os efeitos da ingestão da carambola em um total de 110 pacientes com doença renal crônica e relatos semelhantes àqueles relatados nas descrições iniciais publicadas em 1993 (Unesp) e em 1998 (USP), papers que passaram a ser citados como os pioneiros do achado científico.

“Como três dos autores estavam em início de carreira, penso que o fato de nós termos feito iniciação científica contribuiu para desenvolvermos habilidades para identificar e divulgar o caso. O principal impacto de fazer iniciação científica é o gosto por publicar. Você aprende a fazer pesquisa, a ter raciocínio voltado para pesquisa. Tínhamos esse espírito científico”, diz Martin, lembrando também de quem teve o insight inicial para a questão, o paciente H.

“É importante escutar o paciente. A conversa e a obtenção de dados clínicos corretos na anamnese têm valor preditivo positivo e valor preditivo negativo maior do que qualquer exame, por mais sofisticado que seja. Foi isso que fizemos na época: escutamos o paciente H., ligamos os pontos e tratamos adequadamente. Felizmente, na nossa casuística, salvaram-se todos”, diz Martin.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 10% da população brasileira apresenta algum grau de doença renal crônica, percentual que tende a ser influenciado pelo envelhecimento populacional e a alta na prevalência de doenças como hipertensão e diabetes, principais causas da doença. “Esse achado foi um marco para a nefrologia do Brasil, e importante também para a saúde pública. É uma fruta muito comum em várias partes do mundo”, afirma o professor Pasqual Barretti.

Martin, que também é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, ressalta que muitas pessoas desconhecem que têm problemas nos rins e, por isso, seria importante ampliar, no dia a dia, o alcance da mensagem sobre a toxicidade da carambola para renais crônicos.

“Para cada pessoa que faz hemodiálise, tem cem pessoas da população que tem algum grau de problema renal, mesmo que leve. A pessoa, eventualmente, nem sente ou tem sintomas tão inespecíficos que acabam não sendo diagnosticados. Então existe um iceberg submerso de doença renal crônica”, diz o professor Luis Cuadrado Martin. “Seria interessante ter uma lei estadual ou federal ou uma ação mais abrangente no sentido de avisar que a carambola pode ser tóxica para quem tem problema renal. Ninguém quer proibir as pessoas de comer a fruta, mas o aviso é bastante importante”, afirma.

Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

Fotos: Martha Morais / ACI Unesp

Casos de intoxicação por metanol chegam a 43 no Brasil, com uma morte confirmada

Após determinação de notificação imediata pelo Ministério da Saúde, o número de suspeitas de intoxicação por metanol chagou a 43 no país. Desse total, foram registradas no Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) 39 casos em São Paulo, sendo dez confirmados e 29 em investigação, além de quatro casos em investigação em Pernambuco.

Apenas uma morte decorrente desse tipo de intoxicação foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Mais sete óbitos seguem em investigação, sendo dois em Pernambuco e os outros cinco também em São Paulo.

“Estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

De acordo com o órgão do governo federal, os números atuais extrapolam a média anual de 20 casos de intoxicação por metanol no Brasil. A Polícia Federal conduz a investigação por suspeita de envolvimento de organização criminosa, por meio da adulteração de bebida alcoólica.

Sala de Situação

Para monitorar os casos de intoxicação, o Ministério da Saúde instalou, nessa quinta-feira (1º), em caráter extraordinário, uma Sala de Situação que reúne equipes técnicas dos ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública, Agricultura e Pecuária; dos conselhos Nacional de Saúde (CNS), Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e das secretarias de Saúde de São Paulo e Pernambuco.

Os profissionais atuarão na análise sistemática dos casos suspeitos, além do planejamento, da organização, coordenação e do controle das medidas a serem adotadas enquanto persistirem o risco sanitário e a necessidade de resposta nacional à intoxicação por metanol após o consumo de bebida alcoólica.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução

Profissionais da Saúde anunciam greve de 48 horas em SP; HC de Botucatu adere parcialmente ao movimento

Profissionais da Saúde anunciaram uma greve de 48 horas em todo o estado de São Paulo, a partir desta quarta-feira, 1º de outubro, e o movimento deverá ter adesão de servidores do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu.

​O SindSaúde-SP confirmou a paralisação, que visa pressionar o governo estadual a cumprir compromissos feitos com a categoria. Embora a porcentagem de servidores de Botucatu que irão aderir seja incerta, o HC da Faculdade de Medicina de Botucatu informou que, para garantir o atendimento, as áreas ambulatoriais, administrativas e assistenciais funcionarão normalmente, mas com revezamento de funcionários.​

Principais Reivindicações da Categoria

​As principais pautas de cobrança do SindSaúde-SP, já comunicadas ao governo por meio de ofícios protocolados, são:
​Bonificação por Resultados (BR): O pagamento da BR referente ao ano de 2023, que o governo prometeu efetuar até o 5º dia útil de setembro e não cumpriu. O sindicato reforça ainda o “gosto amargo” de ter ficado de fora do pagamento da bonificação de 2022.

​Reajuste do Auxílio-Alimentação: Os servidores cobram o aumento do auxílio-alimentação, cujo valor atual é de apenas R$ 12 por dia desde 2018. O governo havia prometido apresentar uma proposta de novo valor até 15 de setembro, o que não ocorreu.

​Aumento da Gratificação do Iamspe (Gdamspe): A categoria busca o aumento da Gratificação pelo Desempenho e Apoio à Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. Um grupo de trabalho foi criado, e o governo sinalizou que apresentará um novo valor a ser pago até 15 de outubro.​

Aumento do Prêmio de Incentivo (PI): Os servidores exigem a valorização e equiparação salarial. Houve negociação sobre o reajuste do PI, e o governo se comprometeu a apresentar uma proposta de reestruturação até o final deste ano.

​O SindSaúde-SP destaca que as mobilizações são essenciais para garantir que o governo honre seus compromissos e promova a valorização dos profissionais da saúde.

Foto: Arquivo

​FMVZ/Unesp atualiza RaivaMata: Nova versão do aplicativo chega com recursos aprimorados

Já está disponível a segunda versão do aplicativo móvel “RaivaMata”, desenvolvido na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, sob a coordenação do professor José Rafael Modolo, do Departamento de Produção Animal e Medicina Veterinária Preventiva.

O aplicativo foi disponibilizado no site da FMVZ/Unesp no dia 28 de setembro, o Dia Mundial contra a Raiva. A data foi instituída pela OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) da OMS (Organização Mundial de Saúde) com o objetivo de promover o combate à doença, conscientizar sobre sua prevenção e comemorar as conquistas nessa área.

O aplicativo RaivaMata é de utilização rápida, didática e de fácil entendimento. Traz informações clínicas e epidemiológicas e profiláticas precisas e direcionadas sobre a raiva de cães e gatos para procedimentos e condutas contra a raiva nesses animais e nas pessoas com pós-exposição ao vírus rábico.

O aplicativo funciona como um site, podendo ser acessado de qualquer plataforma: iOS, Android, Windows, Mac, Linux. É possível instalá-lo no celular ou no computador, usando apenas o navegador.

A nova versão do aplicativo utiliza tecnologia mais moderna, atualizada e com novas funcionalidades que não estavam disponíveis na versão anterior. Dentre as melhorias estão: nova arquitetura que permite o acesso de qualquer plataforma, deixando de depender exclusivamente do iOS ou Android; opções de temas claro e escuro para tornar a leitura mais confortável e controle de tamanho da fonte para melhor leitura.

Além disso, a página de diagnóstico laboratorial, agora possui textos indexados com títulos e barras de separação, substituindo os botões utilizados anteriormente. A página de envio de material, por sua vez, agora inclui um vídeo incorporado diretamente na página eliminando a necessidade de links externos.

A raiva é uma doença de ocorrência e preocupação mundial, inclusive no Brasil, por ser potencialmente fatal em quase 100% das vítimas humanas e gerar consideráveis gastos aos órgãos públicos nos tratamentos pós-exposição ao vírus pelas vítimas, sendo o cão com raiva o principal transmissor dessa zoonose no mundo. “É imprescindível que os profissionais da saúde tenham conhecimentos atualizados como apoio no processo de tomada de decisões sobre a raiva, onde a educação sanitária permanente tem considerável importância, contribuindo para aumentar a chance de sucesso no combate a essa doença”, comenta o professor Modolo.

A nova versão do aplicativo foi desenvolvida por Fernando Egger Assine Ribeiro, da Diretoria Técnica de Informática da FMVZ/Unesp e está contando com a orientação e intermediação da Agência Unesp de Inovação (AUIN) para o registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), do Ministério da Economia.
O aplicativo pode ser baixado gratuitamente no site da FMVZ, clicando sobre a caixa Livros e Aplicativos ou pelo link: https://www2.fmvz.unesp.br/raivamata

A Raiva hoje
No estado de São Paulo, a última morte por raiva humana ocorreu em 2001, e foi transmitida pelo gato da tutora que não tinha sido vacinado. Em 2023, depois de 40 anos, foi diagnosticado um caso de raiva canina.

A vacinação nos cães e gatos contra a raiva, além de prevenção nesses animais, é o procedimento mais eficaz de proteção das pessoas da saúde pública contra essa doença. As campanhas de vacinação anuais no estado de São Paulo contra a raiva de cães e gatos realizadas até 2019, resultaram em uma diminuição significativa nos casos de raiva nesses animais e, consequentemente, nos humanos.

Mas a raiva segue causando preocupação em todos os países e governos do mundo, inclusive em entidades nacionais e internacionais de saúde pública. Ela está presente em todos os continentes, com exceção da Oceania e da Antártida.

Sua ocorrência é constante e significativa na maioria dos países africanos e asiáticos. Anualmente, morrem cerca de 60 mil pessoas de raiva no mundo, o que representa uma pessoa, em média, a cada 10 ou 15 minutos. Metade dessas vítimas são menores de 15 anos.