Saúde

Reconhecimento em dose dupla – HCFMB é destaque nacional com pesquisas premiadas em radioterapia

O Serviço de Radioterapia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) foi premiado com dois trabalhos científicos apresentados no Congresso Brasileiro de Radioterapia 2025. O evento foi realizado em Vitória (ES) e reuniu centenas de especialistas nacionais e internacionais da área. O objetivo foi promover a atualização científica, troca de experiências e discussão de inovações tecnológicas em radioterapia.

Reconhecimento científico

Dois trabalhos desenvolvidos por profissionais de saúde do HCFMB foram premiados em primeiro e segundo lugar na categoria “apresentações orais” no Congresso.

1º lugar: “Mapeando o Risco de Recidiva na Fossa Supraclavicular e Mamária Interna: uma meta-análise”

2º lugar: “Previsão Otimizada do Volume de Bexiga na Tomografia de Planejamento: Uma Ferramenta Rápida e Precisa para a Radioterapia Prostática”

O trabalho que ficou em primeiro lugar tratou de um importante problema no tratamento com radioterapia para câncer de mama: quais áreas da região do pescoço e do tórax devem ser incluídas no campo de radiação. Com base em uma análise de quase mil casos de recidiva (quando o câncer volta), coletados de estudos internacionais, os autores criaram uma proposta de recomendação mais clara e baseada em evidências. Essa proposta ajuda a melhorar os resultados do tratamento, diminuir efeitos colaterais e preencher uma lacuna nas orientações atuais usadas pelos profissionais.

Já o segundo colocado apresentou uma solução prática para clínicas que não têm tomógrafos específicos para radioterapia. O estudo desenvolveu uma fórmula matemática simples e precisa para calcular o volume da bexiga durante o planejamento do tratamento de câncer de próstata. Com isso, é possível verificar rapidamente se a bexiga está no volume ideal, sem precisar repetir exames ou atrasar o início do tratamento. É uma ferramenta barata, fácil de usar e que contribui diretamente para um atendimento mais eficiente e de qualidade.

“Essas premiações representam um marco histórico para o HCFMB, pois é a primeira vez que a instituição conquista simultaneamente o 1º e o 2º lugar nas apresentações orais do principal congresso nacional de radioterapia”, pontua o Chefe do Serviço de Radioterapia do HCFMB, Gustavo A. Viani.

Autores

1º lugar – “Mapeando o Risco de Recidiva na Fossa Supraclavicular e Mamária Interna: uma meta-análise”

Marcelo Dante Tacconi Alvarez

Ana Carolina Hamamura

Gustavo Arruda Viani

2º lugar – “Previsão Otimizada do Volume de Bexiga na Tomografia de Planejamento: Uma Ferramenta Rápida e Precisa para a Radioterapia Prostática”

Rafaela Ferraz Camargo

Lucas Francisco Carmello Guimarães

Marcelo Dante Tacconi Alvarez

Gustavo Lopes Gonçalves

Ana Carolina Hamamura

Gustavo Arruda Viani

Os dois trabalhos foram apresentados por Marcelo Dante (físico médico residente) e Rafaela Camargo (técnica em radioterapia), representando a equipe multiprofissional da Radioterapia do HCFMB.

Jornal HCFMB

Prefeito de Botucatu Reduz Equipe do Pronto Socorro Infantil em Pleno Pico de Doenças Respiratórias

Em uma decisão que tem causado indignação entre profissionais de saúde e pais de crianças em Botucatu, o prefeito Fábio Leite reduziu de 6 para apenas 4, o número de médicos atuando no Pronto Socorro Infantil (PSI).

A medida ocorre justamente no período mais crítico do inverno, quando há aumento significativo de casos de doenças respiratórias entre crianças e a demanda por atendimento cresce de forma exponencial.

E neste momento mais crítico do inverno, quando doenças respiratórias lotam unidades de saúde, a gestão do prefeito Fábio Leite decidiu reduzir os médicos da equipe do PSI.

Esta medida afeta diretamente a rapidez e a qualidade do atendimento às crianças. E contraria a promessa feita, pelo próprio prefeito, durante os 100 primeiros dias de governo.

A promessa foi de ampliar o número de médicos e criar novos serviços de urgência e emergência em outras regiões da cidade.

Quase 200 dias depois, nada foi ampliado. Ao contrário, houve corte de profissionais, justamente, no setor mais sensível para a saúde pública, a saúde das crianças.

1. PROMESSAS X REALIDADE

A promessa feita nos início de abril, em coletiva com os secretários municipais e a imprensa, nos primeiros 100 dias de governo, era que em 60 dias haveria aumento de médicos e início de mais 5 serviços de urgência e emergência tanto para adultos quanto para as crianças. No entanto a realidade, quase 200 dias depois, é que pouco ou quase nada ainda foi concretizado.

Em relação ao PSI, a promessa era ampliar o quadro de médicos mas na verdade, houve redução de 6 para 4 médicos.

Já sobre a criação de outros 5 novos serviços de urgência e emergência para descentralizar e estar mais perto de outras regiões populosas da cidade, facilitando o acesso da população, principalmente de areas distantes dos atuais Pronto Socorros, tanto do PSA quanto do PSI, até o momento, nenhum novo serviço foi implantado.

Além disso, a redução no tempo de espera para atendimento, segundo vários usuários, só aumentou.

O prefeito Fábio Leite, no início do mandato, disse que a priorização da saúde seria o “pilar de gestão”. Mas a falta de transparência e retrocessos tem causado muitas reclamações da população.

2. IMPACTOS DIRETOS

Toda essa situação tem gerado:

* Filas mais longas;
* Aumento no tempo de espera: há relatos, nas redes sociais, de pais que esperaram mais de 3 horas pelo atendimento;
* Sobrecarga de profissionais: os médicos e equipe de enfermagem precisam atender mais pacientes por hora, comprometendo a qualidade do atendimento.
* Risco à vida: especialistas orientam que doenças respiratórias exigem intervenção rápida para evitar agravamento do quadro. A diminuição de médicos no PSI levanta preocupações sobre o tempo de espera para atendimento, a sobrecarga dos profissionais restantes e o risco direto à saúde das crianças. Especialistas alertam que, em períodos de alta demanda, a falta de profissionais pode agravar o estado clínico de pacientes, aumentar internações e até levar a desfechos fatais.

3. DEPOIMENTOS

Meu filho ficou quase 4 horas esperando para ser atendido com febre alta e dificuldade para respirar. Quando entrei, o médico estava visivelmente exausto” — relatou Ana Paula, mãe de uma criança de 3 anos.

Nós trabalhamos no limite, e cada redução de equipe significa mais risco para os pacientes e para a equipe. O inverno é nosso período mais crítico, e não faz sentido cortar médicos agora” — afirmou um profissional do PSI que pediu para não ser identificado.

4. FALTA DE EXPLICAÇÕES

A assessoria de imprensa da prefeitura; o próprio Prefeito de Botucatu, Fábio Leite; e o Vice-prefeito que também é o Secretário de Saúde, e ainda Secretário de Governo, o médico Dr André Spadaro; foram procurados pela equipe de Jornalismo da Rede Alpha de Comunicação e nenhum deles, mais uma vez, quiseram dar explicações sobre mais essa demanda da população.

A falta de transparência agrava ainda mais a situação do PSI, pois a prefeitura não apresenta um plano de implementação de melhorias para o serviço de saúde municipal, em seus canais oficiais, e nem informa quando serão cumpridas as promessas feitas nos 100 dias do mandato para a cidade de Botucatu.

Enquanto isso, a população, que aguardava melhorias no atendimento de urgência e emergência, agora vê um retrocesso em plena alta sazonal de doenças respiratórias.

Famílias continuam enfrentando filas, incertezas e medo de não conseguir atendimento em tempo hábil para seus filhos.

Tempo que crianças passam em dispositivos eletrônicos pode impactar na saúde cardíaca

O tempo que crianças e jovens passam em celulares, jogos eletrônicos e outros dispositivos pode colocar sua saúde cardíaca em risco, revela um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association. De acordo com os resultados da pesquisa, há maior maior risco de doenças cardiometabólicas, como pressão alta, colesterol elevado e resistência à insulina, com base em dados de mais de 1.000 participantes de um estudo na Dinamarca. A análise foi revisada por pares da American Heart Association.

“Limitar o tempo de tela discricionário na infância e adolescência pode proteger a saúde cardíaca e metabólica a longo prazo”, disse o autor principal do estudo, David Horner, pesquisador do Copenhagen Prospective Studies on Asthma in Childhood (COPSAC) da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. “Nosso estudo fornece evidências de que essa conexão começa cedo e destaca a importância de ter rotinas diárias equilibradas.”

“Conseguimos detectar um conjunto de alterações metabólicas no sangue, uma ‘impressão digital do tempo de tela’, validando o potencial impacto biológico do comportamento de passar tempo em tela”, disse Horner. “Reconhecer e discutir hábitos de tela durante consultas pediátricas pode se tornar parte de um aconselhamento mais amplo sobre estilo de vida, assim como dieta ou atividade física.”

Análises

O estudo mostra que aumenta cada vez mais o número de crianças e adolescentes que passam horas excessivas grudados em telas e dispositivos eletrônicos. Pelos dados, apenas 29% dos jovens americanos, com idades entre 2 e 19 anos, tinham saúde cardiometabólica favorável com base em dados de 2013-2018 da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição.

Para a pesquisa, foram usados dados de 1.287 crianças, de 6 a 10 anos, em 2010, e de 364 jovens, de 18, em 2000. Os pesquisadores examinaram a relação entre o tempo de tela e os fatores de risco cardiometabólico. O tempo de tela incluiu o tempo gasto assistindo TV, filmes, jogando ou usando celulares, tablets ou computadores para lazer.

Para o estudo, foi avaliado um conjunto de pontuação formado por componentes que integram a chamada síndrome metabólica — medida da cintura, pressão arterial, lipoproteína de alta densidade (HDL) ou colesterol “bom”, triglicerídeos e níveis de açúcar no sangue — e ajustada para gênero e idade. A pontuação cardiometabólica refletiu o risco geral do participante em relação à média do grupo de estudo (medida em desvios-padrão): 0 significa risco médio e 1 significa um desvio-padrão acima da média.

A análise constatou que cada hora extra de tela aumentou a pontuação cardiometabólica em cerca de 0,08 desvios-padrão nas crianças de 6 a 10 anos e 0,13 desvios-padrão nas de 18 anos. “Isso significa que uma criança com três horas extras de tela por dia teria um risco cerca de um quarto a meio desvio-padrão maior do que seus pares”, disse Horner.

A análise também constatou que tanto a duração do sono quanto o horário do sono afetaram a relação entre o tempo de tela e o risco cardiometabólico. Tanto a menor duração do sono quanto o momento de dormir mais tarde intensificaram a relação entre o tempo de tela e o risco cardiometabólico. Crianças e adolescentes que dormiram menos apresentaram risco significativamente maior associado à mesma quantidade de tempo de tela.

“Na infância, a duração do sono não apenas moderou essa relação, como também a explicou parcialmente: cerca de 12% da associação entre tempo de tela e risco cardiometabólico foi mediada pela menor duração do sono”, disse Horner. “Essas descobertas sugerem que a falta de sono pode não apenas amplificar o impacto do tempo de tela, mas também ser um caminho fundamental que liga os hábitos de tela a alterações metabólicas precoces.”

Para Amanda Marma Perak, presidente do Comitê de Prevenção de Doenças Cardiovasculares de Corações Jovens da American Heart Association, que não participou do estudo, há urgência nas ações.

“Se reduzir o tempo de tela parece difícil, comece a antecipar o tempo gasto nele e concentre-se em ir para a cama mais cedo e por mais tempo”, disse a especialista.

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Reprodução

Famesp abre processos seletivos para Botucatu nas áreas da saúde e engenharia; inscrições de 2 a 11 de agosto

A Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) anuncia a abertura de novos processos seletivos para atuação em diferentes unidades em Botucatu. As vagas são para as áreas da saúde e engenharia, com prazos de inscrição que vão de 2 a 11 de agosto.

No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp (HCFMB), estão disponíveis vagas para engenheiro de segurança do trabalho, terapeuta ocupacional (saúde mental) e técnico em radiologia (radioterapia).

Para o Centro de Saúde Escola (CSE), há oportunidade para médico geriatra, com contrato por prazo determinado.

A contratação das funções será para prestação de serviços nas unidades administradas pela Fundação ou com as quais mantenha convênio na cidade de Botucatu.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site da Famesp: www.famesp.org.br, na aba Processos Seletivos, onde também estão disponíveis os editais completos com todas as informações.

Sobre a Famesp

A Famesp é uma fundação privada, sem fins lucrativos, com mais de 40 anos de existência. Em 2011, foi qualificada como Organização Social de Saúde, o que a possibilitou firmar contratos de gestão de equipamentos estaduais de saúde.

Além de possuir um hospital próprio na cidade de Botucatu (o Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” – SAEI-DAM), onde mantém sua sede, a Famesp também está presente nas cidades de Bauru (SP), Itapetininga (SP) e Tupã (SP), fazendo a gestão de hospitais e ambulatórios médicos por meio de contratos de gestão com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu realiza captação de múltiplos órgãos

A Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) realizou recentemente a captação de múltiplos órgãos de um único doador.

Foram captados o coração, os pulmões, o fígado, os rins e as córneas — órgãos vitais que beneficiaram pacientes em situação crítica, reforçando o impacto transformador da doação de órgãos. Foi a primeira captação pulmonar após o recente credenciamento do Serviço no Ministério da Saúde para realização de transplante desse órgão. O fígado foi o único órgão que permaneceu no HCFMB para ser implantado.

Além das especialidades médicas do HCFMB, participou da captação uma equipe do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (InCor). A ação foi possível graças a generosidade da família do(a) doador(a), que, mesmo em um momento de profunda tristeza, autorizou o procedimento.

Seja um doador de órgãos

Para ser um doador de órgãos, a pessoa deve manifestar seu desejo à família e pessoas mais próximas. De um doador, é possível obter vários órgãos e tecidos para realização do transplante. Podem ser doados rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.

Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos e tecidos de um mesmo doador. Na maioria das vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para as pessoas que precisam da doação. Para um transplante, só importa a compatibilidade entre o doador e as várias pessoas que esperam por novo órgão.

Pacientes do SUS também poderão ser atendidos por planos de saúde a partir de agosto

Pacientes da rede pública de saúde, a partir de agosto, poderão contar com atendimento também por meio de planos de saúde. A medida integra o programa Agora Tem Especialistas e prevê a conversão de até R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento ao SUS, acumuladas por operadoras de saúde, em serviços especializados, como consultas, exames e cirurgias.

O principal objetivo ampliar o acesso à atenção especializada e reduzir o tempo de espera na rede pública. O programa foi apresentada na segunda-feira (28) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a presidente da ANS, Carla de Figueiredo Soares.

Com a medida, o governo federal autoriza operadoras de saúde a quitarem suas dívidas com o SUS por meio da oferta de serviços à população, sem qualquer custo ao paciente. As dívidas  são provenientes  de atendimentos realizados pela rede pública que deveriam ter sido cobertos pelos planos.

“Estamos implementando pela primeira vez na história do SUS um modelo que transforma dívidas em ações concretas para reduzir filas e garantir dignidade a quem mais precisa”, destacou o ministro Alexandre Padilha.

Segundo a presidente da ANS, a inovação vem acompanhada de mecanismos rigorosos de fiscalização. “Não há espaço para que operadoras deixem de atender seus clientes. Pelo contrário: o programa incentiva que ampliem sua capacidade, beneficiando tanto usuários de planos quanto pacientes do SUS”, ressaltou Carla Soares.

Com a nova regra, os planos de saúde poderão oferecer assistência ao SUS em seis especialidades prioritárias: oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia. A participação será voluntária e deverá atender às necessidades apontadas por estados e municípios.

Para aderir ao programa, as operadoras devem comprovar capacidade técnica e apresentar uma matriz de oferta de serviços. Entre as vantagens da adesão estão a regularização fiscal, o melhor aproveitamento da estrutura hospitalar já contratada e a redução de disputas judiciais e administrativas.

Operadoras devem oferecer serviços de acordo com demanda local do SUS

O processo começa com a manifestação de interesse via plataforma InvestSUS. O Ministério da Saúde avaliará a situação da operadora e a compatibilidade dos serviços oferecidos com as demandas locais do SUS. Se aprovados, os serviços entram em uma espécie de “prateleira” acessível a estados e municípios, que poderão selecionar os atendimentos conforme suas necessidades. A prestação dos serviços começa imediatamente após a aprovação.

Os valores convertidos em serviços serão negociados com a ANS ou com a Procuradoria-Geral Federal, no caso de dívidas já inscritas.

A prestação dos serviços será distribuída por região, de acordo com critérios de equidade e prioridade clínica. Para evitar pulverização e garantir escala, os planos deverão realizar, no mínimo, 100 mil atendimentos mensais. Em casos excepcionais, planos de menor porte poderão participar com um mínimo de 50 mil atendimentos mensais, desde que atendam a áreas com alta demanda e pouca oferta. O monitoramento será feito por estados, Distrito Federal e municípios, com apoio técnico do Ministério da Saúde.

Uma das grandes inovações do programa está no modelo de pagamento: as operadoras serão remuneradas apenas após a conclusão dos chamados Combos de Cuidados Integrados (OCIs), pacotes que incluem consultas, exames e tratamentos, como cirurgias, dentro de prazos previamente definidos. As especialidades contempladas nos OCIs são ginecologia, cardiologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia e oftalmologia

Cada serviço prestado será convertido em um Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR), documento necessário para que a dívida com o SUS seja abatida.

Fonte: ICL Notícias

Foto: Reprodução

Estudo da FMB/Unesp aponta maior efetividade da terapia antirretroviral em idosos vivendo com HIV

Pesquisa mostra que pessoas com 50 anos ou mais têm melhor resposta ao tratamento e menos falhas na terapia contra o vírus.

Uma pesquisa desenvolvida pela aluna de mestrado Pietra Vivian Stanicki, do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), revela que idosos vivendo com HIV apresentam melhores resultados no tratamento antirretroviral (TARV) em comparação com adultos mais jovens. O trabalho foi orientado pelo Prof. Dr. Alexandre Naime Barbosa e coorientado pela Profa. Dra. Karen Ingrid Tasca, e já foi aceito para publicação em uma revista científica internacional de alto impacto.

Intitulado “Avaliação da Efetividade do Tratamento Antirretroviral em Idosos Vivendo com HIV/Aids”, o estudo analisou, entre 2021 e 2023, 1.018 pacientes acompanhados no Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM) – unidade da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). Os participantes foram divididos em dois grupos: idosos (com 50 anos ou mais) e adultos mais jovens (com menos de 50 anos).

Os dados mostraram que as pessoas com 50 anos ou mais tiveram melhores resultados com o tratamento: a maioria conseguiu controlar o vírus no sangue (89,8%, contra 83,3% entre os mais jovens) e apresentou menos casos de falha virológica (2,5% contra 10,1%). Além disso, houve melhor recuperação do sistema imunológico, especialmente entre aqueles que usavam combinações de medicamentos mais simples e modernos, como lamivudina (3TC) com dolutegravir (DTG) ou darunavir com ritonavir (DRV/r).

O professor Alexandre Naime Barbosa, infectologista, diretor de assistência do SAEI-DAM e orientador da pesquisa, afirma que o estudo traz evidências inéditas no Brasil e aponta para uma mudança significativa no perfil das pessoas vivendo com HIV. “Mais de 50% dos pacientes atendidos no nosso serviço de referência já têm 50 anos ou mais”, destaca. Para ele, esse dado, além de surpreendente, é positivo: “Mostra que as pessoas estão vivendo mais com a infecção, o que é fruto da efetividade do tratamento.”

Naime ressalta ainda que os resultados obtidos entre os idosos superaram as expectativas. “Eles não apenas são a maioria, mas também têm apresentado melhores desfechos terapêuticos”, afirmou. Ele defende que esses achados reforçam a importância da adesão ao tratamento e da eficácia dos esquemas antirretrovirais modernos e simplificados. “Precisamos voltar o olhar para o envelhecimento com HIV, um fenômeno crescente no Brasil que exige estratégias de cuidado cada vez mais específicas.”

A mestranda Pietra Vivian Stanicki, primeira autora do trabalho, destaca que o estudo observou uma efetividade superior da TARV nos idosos, mesmo em um contexto de polifarmácia, onde o uso simultâneo de diversos medicamentos poderia representar um desafio adicional. “Os resultados confirmam a segurança e a eficácia dos regimes simplificados, com menores índices de falha terapêutica e uma resposta imunológica consistente”, explicou.

Ela lembra que o envelhecimento das pessoas com HIV traz novos desafios, como a manutenção da qualidade de vida e o manejo de comorbidades. “Nas próximas etapas, pretendemos investigar marcadores inflamatórios, realizar genotipagens e aprofundar o entendimento sobre as necessidades dessa população”, finalizou.

FMVZ/Unesp leva a Terapia Assistida por Animais (TAA) para instituições de saúde de Botucatu

Um projeto de extensão desenvolvido pela Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, campus de Botucatu, com a participação de alunos e docentes, está levando a Terapia Assistida por Animais (TAA) para instituições de saúde sediadas no município, oferecendo uma colaboração relevante para suas atividades terapêuticas, a partir da interação entre homens e animais.

Denominado “Patas amigas: Terapia Assistida com Animais como instrumento de bem- estar físico, social, emocional e cognitivo”, o projeto coordenado pelos professores Juliany Gomes Quitzan e Paulo Fernandes Marcusso, promove atividades de terapia assistida por animais na Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE) de Botucatu e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) e no Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) Professor Cantídio de Moura Campos.

A equipe do projeto visita as instituições parceiras, levando cães para ter contato com pacientes e usuários dos serviços oferecidos por essas entidades. O objetivo é utilizar a TAA como instrumento de bem-estar físico, social, emocional e cognitivo para esse público. O projeto foi concebido por médicos veterinários, mas contou com o auxílio de enfermeiros, psicólogos e médicos pediatras e neurologistas. As ações ocorrem em forma de rodízio, beneficiando as instituições parceira. “Dessa forma, estaremos presentes dentro de cada uma dessas instituições, com ações sempre monitoradas e multiprofissionais”, coloca o professor Marcusso.

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma modalidade de terapia que utiliza animais para promoção do bem-estar humano e animal. “Ela tem sido utilizada como um instrumento auxiliar no tratamento de algumas doenças, mostrando uma série de efeitos benéficos em pacientes psiquiátricos, adultos, crianças hospitalizadas, idosos, entre outros”, comenta a professora Juliany.

Cães de diferentes raças foram avaliados e treinados para se tornarem cães-terapeutas. “O perfil e comportamento dos animais foram avaliados previamente e uma série de exames foram realizados, para garantir que o cão não é portador de nenhuma doença que possa ser transmitida ao ser humano”, explica a professora.

As ações têm entre 20 a 60 minutos no máximo, de acordo com a quantidade de pacientes, nível de interação e objetivos terapêuticos desejados. “Nossa meta é que os pacientes possam se beneficiar com as sessões e que os estudantes possam interagir com a comunidade local em prol do desenvolvimento social, da construção de valores a partir do contato dos acadêmicos e pós-graduandos da área da saúde com a prática do atendimento humanizado”, ressalta o professor Marcusso.

A FMVZ já teve iniciativas semelhantes no passado, que inspiraram a criação do “Patas Amigas”. Em 2001, a FMVZ promoveu um primeiro projeto de extensão com esse enfoque, coordenado pela professora Denise Schwartz, então docente da Faculdade e atualmente na FMVZ/USP. A iniciativa foi retomada em 2018, agora com o nome de “Patas amigas”, sob a coordenação da professora Juliany e do professor José Carlos de Figueiredo Pantoja, com a participação do Grupo PET (Programa de Educação Tutorial) da FMVZ. “Eu também participei do projeto “Mascote Terapia”, que inspirou a criação do “Patas Amigas”. Quando retomamos as atividades, contamos com a ajuda da médica veterinária Luciana Mobricci, coordenadora do programa “Bichos do Bem”, em São José dos Campos. Ela foi aluna na FMVZ e, junto comigo, participou do “Mascote Terapia”.

Depoimentos
– Lucas Reis Alves Mota, coordenador Médico e vice-diretor Clínico do CAIS professor Cantídeo: “A área da Saúde Mental, principalmente nos cenários de internação, ainda enfrenta muitos estigmas, tanto por parte dos usuários quanto dos próprios profissionais da área da saúde.

As duas principais estratégias para a redução desse estigma são o conhecimento teórico e a interação pessoal. Assim, ao meu ver, o projeto tem uma importância fundamental ao servir como uma ferramenta de contato entre as pessoas de fora deste espaço e os pacientes internados.

Vejo os animais que integram o projeto como agentes para a aproximação entre este local de cuidado e os integrantes do projeto, abrindo espaço para que conheçam, na prática, que, mesmo dentro de um espaço de internação, é possível realizar o cuidado de sujeitos humanos, respeitando os preceitos antimanicomiais.

Gosto muito de uma frase que diz “manicômio não é um lugar, é um discurso”, e este discurso quase sempre representa violência, distanciamento e isolamento. Projetos como o Patas, para nós, representam um processo ativo de desconstrução desse discurso, permitindo que pequenos passos sejam dados na direção de uma inserção cada vez maior destes sujeitos na sociedade, e da sociedade nestes sujeitos, mesmo durante os momentos nos quais encontram-se adoecidos”

Joyce dos Santos Neves – diretora Clínica do CAIS
“O Projeto Patas Amigas é uma iniciativa transformadora. Mais do que simples visitas, essas ações representam momentos de afeto, conexão e acolhimento para os pacientes em tratamento de saúde mental.
A presença dos animais no ambiente hospitalar tem um efeito terapêutico profundo. Eles despertam sentimentos de carinho, confiança e segurança, ajudando a aliviar sintomas como ansiedade, tristeza e solidão. Para muitos pacientes, o contato com os animais quebra a rotina da internação e oferece um instante genuíno de alegria e tranquilidade.

Esses encontros também estimulam a comunicação, a interação social e o envolvimento emocional dos pacientes com o mundo ao redor. É comum ver expressões de afeto, sorrisos espontâneos e até relatos de lembranças felizes surgindo durante as atividades. Isso mostra como os animais conseguem acessar áreas delicadas da mente humana que, muitas vezes, os tratamentos convencionais não alcançam com tanta facilidade.

Além de beneficiar diretamente os pacientes, o projeto também fortalece o ambiente terapêutico como um todo. Ele aproxima os profissionais da saúde dos pacientes de maneira mais empática e humanizada, promovendo relações mais afetivas e respeitosas dentro da unidade.

O Patas Amigas prova que cuidar da saúde mental vai além de medicamentos e terapias tradicionais — é também oferecer presença, contato e emoção. Por meio do vínculo com os animais, o projeto devolve um pouco de leveza àqueles que enfrentam dias difíceis, mostrando que o afeto também cura”.

Priscila Lisboa Baptista – Coordenadora de Saúde da APAE
“A Terapia Assistida por Animais tem um impacto muito positivo, tanto no SUS quanto para os usuários da APAE. O contato com os animais contribui para o bem-estar emocional, estimula a socialização e pode até melhorar aspectos motores e cognitivos.

É uma abordagem que complementa os tratamentos que realizamos (fisio, psico, fono) de forma muito humana e sensível. Seria excelente se esse tipo de intervenção pudesse estar disponível de forma contínua, porque os benefícios são realmente visíveis no dia a dia dos atendimentos”.