Saúde

Fiocruz: Dois terços das gestantes já sofreram violência obstétrica no Rio de Janeiro

Aproximadamente dois terços das gestantes no Rio de Janeiro já relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência obstétrica, segundo estudo “Nascer no Brasil“, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O trabalho foi lançado na quarta-feira (3) com dados inéditos sobre gestação, parto e nascimento no estado do Rio de Janeiro.

Além das informações sobre violência obstétrica, a pesquisa reúne dados exclusivos sobre o perfil das puérperas, características das maternidades, adequação ao pré-natal, amamentação, saúde mental materna, além de taxas de cesarianas, partos vaginais e boas práticas. Os resultados foram publicados em uma série com sete artigos na Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O levantamento envolveu 29 maternidades públicas e privadas localizadas em 18 municípios fluminenses, com o total de 1.923 mulheres entrevistadas durante a internação para o parto ou por perda fetal, e foram obtidas informações de cadernetas de gestante e de prontuários de puérperas e recém-nascidos.

Segundo a pesquisa, entre os tipos de violência obstétrica, toques vaginais inadequados foram os mais relatados (46%), seguido por negligência (31%), abuso psicológico (22%), estigma e discriminação (8%) e abuso físico (3%). Foi constatada desigualdade na ocorrência do problema, com maior vulnerabilidade entre mulheres em condições socioeconômicas desfavoráveis.

Também foram observadas disparidades relacionadas ao estigma e discriminação de acordo com algumas características demográficas, como cor de pele preta e mulheres sem companheiro, bem como abuso físico e toques vaginais inadequados entre mulheres com idade acima de 35 anos e escolaridade inferior a 12 anos de estudo.

Mulheres primíparas [que estão dando à luz pela primeira vez], que entraram em trabalho de parto, com trabalho de parto prolongado e que tiveram parto vaginal, também apresentaram maiores prevalências de violência obstétrica em algumas das dimensões investigadas.

Perfil das puérperas

O “Nascer no Brasil 2 – Pesquisa Nacional sobre Perdas Fetais, Parto e Nascimento” foi realizado uma década após o lançamento da primeira edição, que apontou alto índice de cesarianas no sistema de saúde nacional. O estudo teve como objetivo dimensionar o panorama da saúde obstétrica, com base em informações sobre as condições socioeconômicas das mulheres, os fatores de risco gestacionais, o acesso e a qualidade dos serviços de saúde, além das condições do parto e do nascimento e os principais desfechos maternos e neonatais, oferecendo um acompanhamento ampliado do cenário da assistência à saúde sexual e reprodutiva no país.

Segundo o levantamento, um em cada dez partos aconteceu em adolescentes, enquanto o dobro ocorreu em mulheres com idade materna avançada, ou seja, 35 anos ou mais. Segundo as coordenadoras do estudo, os resultados indicam maior complexidade e requerem melhor qualificação do serviço público.

“As faixas etárias extremas da vida reprodutiva estão associadas ao aumento de risco de complicações obstétricas e perinatais. Já a gravidez na adolescência demanda atenção diferenciada em razão dos maiores riscos de óbito perinatal, parto prematuro e restrição do crescimento fetal, especialmente nas mais jovens”, afirmam Maria do Carmo Leal, médica e coordenadora do estudo, e Silvana Granado, enfermeira e coordenadora-adjunta do estudo.

O estudo também alertou que as adolescentes apresentaram maiores chances de desfechos perinatais negativos, como óbito perinatal e ter um recém-nascido prematuro. Já no grupo com idade superior a 35 anos, houve maior chance de síndromes hipertensivas, diabetes gestacional, descolamento prematuro de placenta e morbidade materna grave. Em contrapartida, elas receberam mais orientação sobre a maternidade de referência.

Desigualdades entre setor privado e público

Entre as mulheres atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS), 80% tiveram acompanhante em tempo integral. No setor privado, o índice foi de 98%. O uso de analgesia peridural foi ofertado para apenas 1% das parturientes do SUS, enquanto para as usuárias do setor privado, o acesso ao procedimento foi de 30%.

“A oferta de analgesia peridural se associou com o parto vaginal, sendo uma tecnologia útil para alívio da dor do parto, podendo ser uma aliada na redução de cesarianas sem indicação clínica”, afirmam Maria do Carmo Leal e Silvana Granado.

Os dados também apontam que as taxas de cesarianas ainda se mantêm altas, conforme constatou a primeira edição do estudo, sendo mais frequentes nos municípios do interior (66%) e no setor privado (85%), principalmente as realizadas antes do trabalho de parto.

Mulheres que tiveram filhos no SUS tiveram chance quase dez vezes maior de entrar em trabalho de parto em comparação com as que tiveram financiamento privado. “Nesse setor, observou-se que, quando a parturiente entra em trabalho de parto, ela evolui para um parto vaginal quase tanto como no setor público. Entretanto, apenas 15% das mulheres da rede privada tiveram parto vaginal e o modelo da cesariana sem trabalho de parto é o que prevalece”, lamentam as autoras da pesquisa.

Os dados indicam que, apesar de a cobertura da assistência pré-natal no Rio de Janeiro ser praticamente universal (98%), a sua adequação foi inferior a 1% no estado, ao se considerar todas as recomendações do Ministério da Saúde. Do total de gestantes entrevistadas, 79% iniciaram o acompanhamento médico até a 12ª semana de gestação e 75% realizaram o número mínimo de consultas para a idade gestacional no parto.

“As gestantes usuárias do serviço de saúde privado apresentaram melhor desempenho, evidenciando as desigualdades que persistem no país”, observam as autoras da pesquisa.

Segundo o estudo, menos de 20% das mulheres receberam todas as orientações recomendadas: riscos e benefícios sobre tipos de parto, maternidade de referência e uso de álcool e tabagismo. De acordo com as autoras, a baixa adequação ao pré-natal pode ser um dos fatores por trás da elevada razão de mortalidade materna, fetal e perinatal, e de incidência de sífilis congênita no estado, que é superior à média nacional.

Fonte: CNN

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Campanha pede inclusão de medicamentos para obesidade no Sistema único de Saúde (SUS)

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançou esta semana campanha nacional pela inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS) de fármacos que combatem a obesidade. 

O movimento conta com apoio da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entre outras.

Em nota, a Sbem informou que a proposta é mobilizar a sociedade, sensibilizar autoridades e pressionar por políticas públicas que garantam acesso a tratamento adequado, sobretudo medicamentoso, na rede pública.

O comunicado cita que a obesidade, embora reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença crônica multifatorial, permanece como uma das únicas sem tratamento medicamentoso incorporado ao SUS.

“Enquanto pacientes com hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso gratuito a medicamentos, aqueles que vivem com obesidade permanecem sem qualquer alternativa terapêutica na rede pública”, destacou a Sbem.

A entidade ressalta que, até o momento, nenhum fármaco para perda de peso foi incorporado ao SUS – nem mesmo medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

“Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para o tratamento da obesidade foram submetidos à análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e tiveram sua incorporação negada: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida.”

Números

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade (WOF, na sigla em inglês), indicam que 31% dos adultos brasileiros têm obesidade, enquanto 68% têm sobrepeso – o que significa que quase sete em cada 10 vivem com excesso de peso.

As projeções indicam que, se nada for feito, até 2044 quase metade da população adulta brasileira (48%) estará obesa.

O relatório revela ainda que mais de 60 mil mortes prematuras no Brasil são atribuíveis ao sobrepeso e à obesidade por sua associação a doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC).

“Além do impacto humano, o problema traz custos expressivos para o sistema de saúde”, destacou a Sbem, ao citar estimativas de estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que apontam que, entre 2021 e 2030, os custos diretos ao SUS com doenças associadas à obesidade podem atingir US$ 1,8 bilhão.

Já as perdas indiretas, como anos de vida produtiva, segundo o estudo, podem chegar a US$ 20 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

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Médicos dos pronto-socorros de Botucatu sofrem com salários atrasados novamente

Os médicos que atuam nos pronto-socorros adulto e infantil de Botucatu enfrentam, mais uma vez neste ano, o atraso no pagamento de seus salários. A situação agrava o já delicado atendimento à população, que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para serviços essenciais e imediatos.

Profissionais relatam insegurança financeira e sobrecarga, pois os atrasos persistentes prejudicam a motivação e a capacidade de manter os serviços funcionando de forma adequada. Para muitos médicos, a instabilidade salarial gera preocupação não apenas pessoal, mas também ética, ao comprometer a atenção integral e contínua aos pacientes.

Segundo informações obtidas junto a servidores, os atrasos têm ocorrido de forma recorrente, mesmo com a Prefeitura anunciando cronogramas de pagamento que frequentemente não são cumpridos. A falta de regularidade compromete a rotina dos plantões, aumentando filas, atrasos nos atendimentos e pressão sobre as equipes de enfermagem e suporte médico.

Especialistas em administração pública alertam que atrasos salariais repetidos refletem fragilidade na gestão financeira da cidade, impactando diretamente a qualidade do serviço público de saúde. A situação contrasta com a obrigação legal do município de garantir a pontualidade no pagamento de servidores, especialmente profissionais de áreas estratégicas como a saúde.

“É desmotivador trabalhar meses sem receber. A pressão nos plantões aumenta e a gente sente que o atendimento à população é prejudicado. Já estamos sobrecarregados, e essa situação só piora tudo”, afirma um médico do pronto-socorro adulto, que prefere não se identificar.

Enfermeiros e profissionais de apoio também confirmam o impacto:

“Os atrasos afetam toda a equipe. Fica difícil organizar escalas, manter o atendimento e dar suporte adequado aos pacientes. É frustrante ver a população sofrendo por algo que poderia ser resolvido com planejamento financeiro”, relata um médico do PSI.

A população também sente os efeitos diretos da situação:

“Levei meu filho ao pronto-socorro e demoramos horas para ser atendidos. A equipe parecia sobrecarregada e cansada. É revoltante que os profissionais estejam passando por isso enquanto dependemos deles”, afirma uma moradora do bairro Centro.

“É um absurdo que a cidade não consiga pagar os médicos em dia. Já vimos filas enormes e atendimento atrasado em diversas situações. Quem sofre somos nós, que precisamos do serviço público”, acrescenta outro cidadão.

Enquanto os médicos aguardam a regularização dos salários, a população continua sofrendo com a sobreposição de demandas nos pronto-socorros, filas maiores e atrasos no atendimento, evidenciando o efeito direto da gestão financeira deficiente sobre o serviço público.

O episódio reforça a necessidade de maior responsabilidade e planejamento da Prefeitura, que deve priorizar a saúde e assegurar condições adequadas para que os profissionais exerçam suas funções sem prejuízos aos pacientes.

80 funcionários são demitidos pela OSS Pirangi e ficam sem a multa recisória sobre o FGTS

A empresa OSS Pirangi reincidiu o contrato com a Prefeitura de São Manuel e, por esse motivo, demitiu cerca de 100 funcionários contratados, com aviso prévio cumprido até o dia 31/07/2025. O termo de rescisão foi assinado entre os dias 13/08/2025 e 14/08/2025.

No entanto, aproximadamente 80 desses ex-funcionários ainda não receberam o pagamento da multa rescisória de 40% sobre o FGTS, que deveria ter sido quitada até o dia 11/08/2025. Entre os profissionais afetados estão técnicos de enfermagem, enfermeiros, farmacêutico, auxiliar administrativo, auxiliares de farmácia e funcionários da limpeza.

O Grupo de funcionários tentou contato com o setor de RH, representado por Eliana Cristina Lúcio, que orientou o envio de um e-mail. Portanto o e-mail foi enviado no dia 25/08/2025 para o endereço dp.sm@osspirangi.org.br, porém não houve resposta até o momento.

Cada novo contato segundo o grupo de funcionários, resulta em desculpas e promessas de novas datas que não são cumpridas. Eles seguem sem o recebimento do valor devido.

Crise na Santa Casa de Jaú: Diretoria anuncia renúncia coletiva por falta de repasses

A saúde da região pode estar prestes a mergulhar em um verdadeiro colapso. A atual direção da Santa Casa de Jaú, hospital que atende milhares de pacientes de dezenas de cidades, prepara-se para um anúncio devastador: a renúncia coletiva da Mesa Administrativa e do Conselho Fiscal, motivada por um déficit financeiro alarmante.

Segundo informações, a crise é resultado da falta de repasses dos municípios, do Estado e da União, que deixou o caixa da instituição em situação insustentável. A revelação promete expor números preocupantes e escancarar a gravidade da realidade que ameaça o futuro do hospital.

O anúncio oficial deverá ser feito em uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, dia 1º, quando a direção detalhará a gestão, a real situação financeira e os motivos que levaram à decisão drástica de renunciar.

Com isso, paira no ar uma dúvida aterrorizante: quem vai assumir a Santa Casa de Jaú e como ficará a população que depende do hospital para atendimentos de urgência, cirurgias e tratamentos de alta complexidade?

A expectativa é de que a coletiva traga revelações capazes de gerar um impacto profundo em toda a região. A iminente saída da atual gestão expõe não apenas uma crise administrativa, mas um risco direto de paralisação e caos na saúde pública.

Fonte: Central da Notícia SP
Foto: Reprodução

Prefeitura aumenta número de médicos no Pronto Socorro Infantil apenas em setembro

Após denúncias da Rede Alpha de Comunicação, mas pode estar descumprindo normas do SUS

Após as denúncias publicadas pela Rede Alpha de Comunicação sobre a falta de médicos e a superlotação no Pronto Socorro Infantil de Botucatu, a Prefeitura anunciou um reforço no quadro de profissionais para o mês de setembro. Porém, a medida tem caráter provisório e não se estenderá aos meses seguintes, levantando questionamentos sobre a legalidade da conduta da administração municipal.

A Constituição Federal, em seu artigo 196, e a Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde), que organiza o Sistema Único de Saúde (SUS), determinam que é dever do município garantir atendimento universal, integral e contínuo à população, especialmente em serviços de urgência e emergência. Ou seja, não se trata de uma decisão política ou de conveniência, mas de uma obrigação legal.

Na prática, limitar o aumento de médicos a apenas um mês pode configurar descumprimento desses princípios, já que coloca em risco a continuidade da assistência e expõe crianças a longas esperas em situações de vulnerabilidade.

“É revoltante ver meu filho com febre alta e ter que esperar horas porque não há médicos suficientes. Agora aumentam só para setembro? E depois, vamos voltar a sofrer?”, desabafa a auxiliar de serviços gerais Maria da Silva, mãe de uma criança de três anos.

Outro pai, o motorista Carlos Henrique Souza, também se mostra indignado: “A saúde não pode ser tratada como um favor do prefeito. É lei. Não é porque saiu na imprensa que resolveram agir, e mesmo assim só por um mês. Isso é brincar com a vida das nossas crianças”.

Especialistas consultados destacam que a Prefeitura só reagiu após pressão popular e da imprensa, mas segue sem apresentar um plano de recomposição permanente do corpo clínico.

Um médico da equipe do Pronto-Socorro Infantil que preferiu não se identificar ressalta: “A falta de planejamento compromete a confiança da população e coloca em xeque o compromisso do governo municipal com a saúde pública”.

A sociedade civil, respaldada pelas normas do SUS, tem o direito de cobrar que a Prefeitura garanta reforço permanente e não temporário no Pronto Socorro Infantil, sob pena de violar o princípio constitucional de acesso universal e contínuo ao atendimento em saúde.

Professor Rogério Amorim fala sobre os avanços do Canabidiol na Medicina: Uma perspectiva histórica

O uso da cannabis para fins medicinais é um tema que tem ganhado cada vez mais destaque, tanto na comunidade científica quanto na sociedade em geral. No entanto, o preconceito e a desinformação ainda cercam o assunto. Para combater essa visão deturpada, o professor Rogério Martins Amorim, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) do Câmpus de Botucatu, destaca a importância da informação e do conhecimento científico.

Uma Planta com História Milenar

A história da cannabis é muito mais antiga do que se imagina. Conforme aponta o professor Rogério, seu cultivo pelo ser humano é milenar, com usos que remontam à pré-história. A planta foi amplamente utilizada para diversas finalidades, não apenas medicinais, mas também nutricionais — suas sementes são ricas em proteínas — e industriais, na confecção de roupas e cordas. Um exemplo histórico é o uso de cânhamo, um tipo de cannabis, nas velas das caravelas que chegaram ao Brasil.

O ponto de virada para a criminalização da planta ocorreu por volta da década de 1930, em um movimento liderado pelos Estados Unidos com motivações sociais e mercadológicas. A partir de então, os estudos sobre a cannabis foram drasticamente reduzidos.

A Descoberta do Sistema Endocanabinoide

A virada na pesquisa científica veio nas décadas de 1950 e 1960, quando o professor israelense Raphael Mechoulam iniciou seus estudos sobre a cannabis. Ele foi um dos primeiros a descobrir que o nosso próprio organismo produz substâncias muito semelhantes às encontradas na planta. Essa descoberta levou à identificação do sistema endocanabinoide, presente na maioria dos animais.

Esse sistema é fundamental para o equilíbrio do corpo, pois interage com nosso cérebro e diversos outros órgãos. A partir de então, o mundo passou a reconhecer o potencial terapêutico da cannabis, que contém substâncias capazes de interagir com esse sistema e trazer benefícios no tratamento de diversas doenças.

O Potencial Terapêutico

Atualmente, o interesse nas pesquisas sobre o uso de canabidiol (CBD), um dos compostos da cannabis, tem crescido significativamente. O professor Rogério Amorim e outros pesquisadores estão à frente de estudos que exploram a aplicação do CBD no tratamento tanto de humanos quanto de animais.

O objetivo é desmistificar o tema e mostrar que, com o avanço da ciência, a cannabis pode ser vista como uma ferramenta valiosa na medicina moderna.

Acompanhe a entrevista completa através do LINK

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Pais denunciam crise no atendimento do PS infantil com superlotação e demora no atendimento

O Pronto Socorro Infantil (PSI) de Botucatu voltou a registrar cenas de superlotação nos últimos dias. Filas de espera ultrapassam horas, famílias lotam os corredores e profissionais relatam exaustão.

A causa, segundo trabalhadores da saúde, está na redução de dois médicos por dia na escala de atendimento, medida adotada pela gestão do prefeito Fábio Leite.

A decisão política ocorreu justamente no período de maior procura por atendimento pediátrico, quando aumentam os casos de doenças respiratórias típicas do inverno.

“É um absurdo isso, estou com meu filho com falta de ar e com febre esperando pra tomar medicação há quase 2 horas” diz um pai chorando e indignado com a situação.

Outra mãe informou ter vindo Taguaí, há quase 3 horas, de Botucatu, e não tem como voltar para casa, por que nao tem mais transporte pra sua cidade. “Estou aqui desde as 2h da tarde e agora a pouco que saíram os exames do meu filho.”

Outra mãe refere que é a terceira vez que ela retorna hoje com a criança, tentando um horário com menos lotação no atendimento, mas vai embora novamente sem atendimento.

Postos de saúde sem pediatras agravam a situação

O problema se intensifica porque vários postos de saúde de Botucatu estão sem pediatras disponíveis.

Sem assistência nos bairros, famílias procuram diretamente o pronto socorro, o que gera sobrecarga no serviço e atraso no atendimento.

“Esperei mais de quatro horas com minha filha com febre alta. O pronto socorro estava cheio de crianças. Se tivesse pediatra no posto perto de casa, não precisaria vir até aqui”, relatou uma mãe indignada.

Chegamos ao pronto socorro e já encontramos mais de 40 crianças esperando. Se tivesse pediatra no meu posto de saúde eu não estaria aqui com minha filho correndo o risco de pegar outras doenças ”, relatou uma mãe que aguardava atendimento com o filho.

Promessa não cumprida

O corte de médicos vai na contramão da promessa feita pelo próprio prefeito Fábio Leite nos primeiros 100 dias de governo, quando anunciou que reforçaria o quadro de profissionais e ampliaria os serviços de urgência e emergência infantil com a abertura de mais 3 serviços de urgência e emergência, que o prefeito denominou de SUA. Ele anunciou em entrevista aos órgãos de imprensa que os novos serviços seriam distribuídos nas outras zonas da cidade.

Mas na prática, o que se vê é o oposto: menos médicos, mais espera e mais sofrimento para as famílias.

Leis desrespeitadas

A situação em Botucatu afronta diversas normas que garantem o direito universal à saúde:

1. Constituição Federal – Artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

Ao reduzir os médicos e não garantir pediatras nos postos, a Prefeitura falha em assegurar atendimento universal e igualitário.

2. Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde): define o SUS como responsável por organizar serviços de saúde de forma regionalizada, contínua e hierarquizada.

A falta de pediatras na atenção básica (Postos de saúde) desrespeita a hierarquização prevista, sobrecarregando a urgência e emergência.

3. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Artigo 11: “É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do SUS.”

Crianças em Botucatu estão aguardando horas em corredores de pronto socorro, sem atendimento integral e oportuno, configurando violação ao ECA.

Impactos na rede de saúde

Com menos médicos, o tempo de espera se multiplica e a sobrecarga das equipes aumenta.

Médicos e enfermeiros relatam exaustão, estresse e risco de queda na qualidade do atendimento, o que pode gerar falhas e colocar vidas em risco.

Além disso, o acúmulo de crianças aguardando por consulta em ambientes fechados favorece a transmissão de doenças respiratórias, o que aprofunda ainda mais o problema de saúde pública.

É preciso salientar ainda que a gravidade dessa situação atinge crianças de outros municípios da região. Isso porque os serviços prestados pelo PSI também são voltados para a assistência das crianças de cerca de 70 cidades do centro-oeste paulista.

Aumento de riscos para as equipes de saúde

Profissionais da rede relatam que a situação tem provocado exaustão das equipes e risco de queda na qualidade do atendimento.

Trabalhar com a demanda dobrada e menos médicos na escala é um desafio desumano. Estamos fazendo o possível, mas o cansaço é grande”, desabafou um médico que pediu para não ser identificado.

Falta de planejamento e transparência

A crise expõe a falta de planejamento da administração municipal para lidar com períodos de maior demanda no atendimento infantil. Além da redução arbitrária de médicos no pronto socorro, a carência de pediatras nos postos de saúde demonstra que a prefeitura não tem conseguido garantir a cobertura mínima de assistência básica.

Desde a matéria anterior publicada no último dia 13 de agosto, a equipe de jornalismo da Rede Alpha aguarda um posicionamento oficial do prefeito Fábio Leite, do vice-prefeito e secretário de saúde e governo, o médico Dr André Spadaro; e da secretária de comunicação, Cinthia Al Lage, mas até o momento, nenhum deles se pronunciou formalmente.

Conclusão

A redução de médicos no PSI e a falta de pediatras nos postos de saúde configuram uma grave violação ao direito à saúde das crianças e suas famílias, em Botucatu.

A Prefeitura de Fábio Leite descumpre a Constituição, a Lei Orgânica da Saúde e o Estatuto da Criança e do Adolescente, colocando em risco não apenas a eficiência do sistema, mas principalmente a vida e a dignidade das crianças e suas famílias.

Enquanto o poder público falha em garantir o básico, a população paga a conta: atendimentos atrasados, profissionais sobrecarregados e crianças vulneráveis à espera de socorro.

A Equipe do Alpha Notícias continuará aguardando um parecer das autoridades e acompanhando os desdobramentos de mais esta denúncia encaminhada pelos munícipes de Botucatu e da Região.