Saúde

Pesquisa sobre efeitos de agrotóxicos em abelhas recebe Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese

Uma tese desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Zootecnia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, recebeu menção Honrosa na área de avaliação “Zootecnia/Recurso Pesqueiros” do Prêmio CAPES de Tese, edição 2025.

O resultado final foi divulgado no dia 29 de agosto, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). No total, foram 1.543 trabalhos inscritos para esta edição do Prêmio.

A tese do PPG Zootecnia que recebeu o reconhecimento da Capes é de autoria de Isabella Cristina de Castro Lippi, intitulada “Efeito de dose letal e subletal do imidaclopride no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas”, e foi orientada pelo professor Ricardo de Oliveira Orsi.

Graduada em Medicina Veterinária pela Unesp de Jaboticabal, Isabella fez seu mestrado em Zootecnia na Universidade Federal da Grande Dourados.

Em seu doutorado na FMVZ/Unesp, ela buscou entender como os agrotóxicos, que muitas vezes estão presentes no ambiente e acabam sendo encontrados pelas abelhas durante seus voos, afetam a expressão de genes desses insetos.

PROGRAMAÇÃO – 14/09
9 h – Academia Elo
10h – Coral Canto e Encanto
11 h – Banda Koiffa

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, revela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Dados divulgados nesta terça-feira (2) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que mais de um bilhão de pessoas em todo o planeta vivem com algum tipo de transtorno mental, incluindo ansiedade e depressão. O cenário causa imensos prejuízos humanos e econômicos, alerta a instituição. 

“Embora muitos países tenham reforçado suas políticas e programas de saúde mental, maiores investimentos e ações são necessários globalmente para ampliar os serviços no intuito de proteger e promover a saúde mental das pessoas”, destacou a agência das Nações Unidas.

Segundo a OMS, transtornos de saúde mental como ansiedade e depressão são altamente prevalentes em todos os países e comunidades, afetando pessoas de todas as idades e níveis de renda. “É a segunda maior causa de incapacidade a longo prazo, gerando perda de qualidade de vida”, acentuou a OMS.

Desafios

“Transformar os serviços de saúde mental é um dos desafios mais urgentes da saúde pública”, destacou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Investir em saúde mental significa investir em pessoas, comunidades e economias – um investimento que nenhum país pode se dar ao luxo de negligenciar”, acrescentou.

“Cada governo e cada líder tem a responsabilidade de agir com urgência e garantir que os cuidados em saúde mental não sejam tratados como um privilégio, mas como um direito básico de todos”, concluiu Tedros.

Análise

Os números apresentados revelam que a prevalência de transtornos de saúde mental varia de acordo com o gênero e que mulheres são desproporcionalmente mais impactadas. Ansiedade e depressão figuram como os dois tipos de transtorno mais comuns tanto entre homens como entre mulheres.

“O suicídio permanece como uma consequência devastadora, ceifando cerca de 721 mil vidas apenas em 2021 em todo o planeta”, alertou a OMS, ao citar o suicídio como uma das principais causas de morte entre jovens em todos os países e contextos socioeconômicos.

“Apesar dos esforços globais, o progresso na redução da mortalidade por suicídio é insuficiente para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas que prevê uma redução de um terço nas taxas de suicídio até 2030. Na trajetória atual, apenas uma redução de 12% será alcançada até esse prazo.”  

Brasília (DF), 02/11/2024 - Movimentação do Dia de Finados no cemitério Campo da Esperança. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Suicídio permanece como consequência devastadora, ceifando 721 mil vidas em 2021 – Foto – Marcelo Camargo/Agência Brasil
Impacto econômico

A agência avalia o impacto econômico dos transtornos mentais como impressionante. Embora os custos com saúde sejam substanciais, os custos indiretos, sobretudo os que envolvem perda de produtividade, são muito maiores. A estimativa é que depressão e ansiedade, juntas, custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano.

“Essas descobertas ressaltam a necessidade urgente de investimento sustentado, priorização mais rigorosa e colaboração multissetorial para expandir o acesso à saúde mental, reduzir o estigma e combater as causas profundas dos problemas de saúde mental”, concluiu a OMS.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução

Fiocruz: Dois terços das gestantes já sofreram violência obstétrica no Rio de Janeiro

Aproximadamente dois terços das gestantes no Rio de Janeiro já relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência obstétrica, segundo estudo “Nascer no Brasil“, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O trabalho foi lançado na quarta-feira (3) com dados inéditos sobre gestação, parto e nascimento no estado do Rio de Janeiro.

Além das informações sobre violência obstétrica, a pesquisa reúne dados exclusivos sobre o perfil das puérperas, características das maternidades, adequação ao pré-natal, amamentação, saúde mental materna, além de taxas de cesarianas, partos vaginais e boas práticas. Os resultados foram publicados em uma série com sete artigos na Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O levantamento envolveu 29 maternidades públicas e privadas localizadas em 18 municípios fluminenses, com o total de 1.923 mulheres entrevistadas durante a internação para o parto ou por perda fetal, e foram obtidas informações de cadernetas de gestante e de prontuários de puérperas e recém-nascidos.

Segundo a pesquisa, entre os tipos de violência obstétrica, toques vaginais inadequados foram os mais relatados (46%), seguido por negligência (31%), abuso psicológico (22%), estigma e discriminação (8%) e abuso físico (3%). Foi constatada desigualdade na ocorrência do problema, com maior vulnerabilidade entre mulheres em condições socioeconômicas desfavoráveis.

Também foram observadas disparidades relacionadas ao estigma e discriminação de acordo com algumas características demográficas, como cor de pele preta e mulheres sem companheiro, bem como abuso físico e toques vaginais inadequados entre mulheres com idade acima de 35 anos e escolaridade inferior a 12 anos de estudo.

Mulheres primíparas [que estão dando à luz pela primeira vez], que entraram em trabalho de parto, com trabalho de parto prolongado e que tiveram parto vaginal, também apresentaram maiores prevalências de violência obstétrica em algumas das dimensões investigadas.

Perfil das puérperas

O “Nascer no Brasil 2 – Pesquisa Nacional sobre Perdas Fetais, Parto e Nascimento” foi realizado uma década após o lançamento da primeira edição, que apontou alto índice de cesarianas no sistema de saúde nacional. O estudo teve como objetivo dimensionar o panorama da saúde obstétrica, com base em informações sobre as condições socioeconômicas das mulheres, os fatores de risco gestacionais, o acesso e a qualidade dos serviços de saúde, além das condições do parto e do nascimento e os principais desfechos maternos e neonatais, oferecendo um acompanhamento ampliado do cenário da assistência à saúde sexual e reprodutiva no país.

Segundo o levantamento, um em cada dez partos aconteceu em adolescentes, enquanto o dobro ocorreu em mulheres com idade materna avançada, ou seja, 35 anos ou mais. Segundo as coordenadoras do estudo, os resultados indicam maior complexidade e requerem melhor qualificação do serviço público.

“As faixas etárias extremas da vida reprodutiva estão associadas ao aumento de risco de complicações obstétricas e perinatais. Já a gravidez na adolescência demanda atenção diferenciada em razão dos maiores riscos de óbito perinatal, parto prematuro e restrição do crescimento fetal, especialmente nas mais jovens”, afirmam Maria do Carmo Leal, médica e coordenadora do estudo, e Silvana Granado, enfermeira e coordenadora-adjunta do estudo.

O estudo também alertou que as adolescentes apresentaram maiores chances de desfechos perinatais negativos, como óbito perinatal e ter um recém-nascido prematuro. Já no grupo com idade superior a 35 anos, houve maior chance de síndromes hipertensivas, diabetes gestacional, descolamento prematuro de placenta e morbidade materna grave. Em contrapartida, elas receberam mais orientação sobre a maternidade de referência.

Desigualdades entre setor privado e público

Entre as mulheres atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS), 80% tiveram acompanhante em tempo integral. No setor privado, o índice foi de 98%. O uso de analgesia peridural foi ofertado para apenas 1% das parturientes do SUS, enquanto para as usuárias do setor privado, o acesso ao procedimento foi de 30%.

“A oferta de analgesia peridural se associou com o parto vaginal, sendo uma tecnologia útil para alívio da dor do parto, podendo ser uma aliada na redução de cesarianas sem indicação clínica”, afirmam Maria do Carmo Leal e Silvana Granado.

Os dados também apontam que as taxas de cesarianas ainda se mantêm altas, conforme constatou a primeira edição do estudo, sendo mais frequentes nos municípios do interior (66%) e no setor privado (85%), principalmente as realizadas antes do trabalho de parto.

Mulheres que tiveram filhos no SUS tiveram chance quase dez vezes maior de entrar em trabalho de parto em comparação com as que tiveram financiamento privado. “Nesse setor, observou-se que, quando a parturiente entra em trabalho de parto, ela evolui para um parto vaginal quase tanto como no setor público. Entretanto, apenas 15% das mulheres da rede privada tiveram parto vaginal e o modelo da cesariana sem trabalho de parto é o que prevalece”, lamentam as autoras da pesquisa.

Os dados indicam que, apesar de a cobertura da assistência pré-natal no Rio de Janeiro ser praticamente universal (98%), a sua adequação foi inferior a 1% no estado, ao se considerar todas as recomendações do Ministério da Saúde. Do total de gestantes entrevistadas, 79% iniciaram o acompanhamento médico até a 12ª semana de gestação e 75% realizaram o número mínimo de consultas para a idade gestacional no parto.

“As gestantes usuárias do serviço de saúde privado apresentaram melhor desempenho, evidenciando as desigualdades que persistem no país”, observam as autoras da pesquisa.

Segundo o estudo, menos de 20% das mulheres receberam todas as orientações recomendadas: riscos e benefícios sobre tipos de parto, maternidade de referência e uso de álcool e tabagismo. De acordo com as autoras, a baixa adequação ao pré-natal pode ser um dos fatores por trás da elevada razão de mortalidade materna, fetal e perinatal, e de incidência de sífilis congênita no estado, que é superior à média nacional.

Fonte: CNN

Foto: Reprodução

 

Campanha pede inclusão de medicamentos para obesidade no Sistema único de Saúde (SUS)

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançou esta semana campanha nacional pela inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS) de fármacos que combatem a obesidade. 

O movimento conta com apoio da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entre outras.

Em nota, a Sbem informou que a proposta é mobilizar a sociedade, sensibilizar autoridades e pressionar por políticas públicas que garantam acesso a tratamento adequado, sobretudo medicamentoso, na rede pública.

O comunicado cita que a obesidade, embora reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença crônica multifatorial, permanece como uma das únicas sem tratamento medicamentoso incorporado ao SUS.

“Enquanto pacientes com hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso gratuito a medicamentos, aqueles que vivem com obesidade permanecem sem qualquer alternativa terapêutica na rede pública”, destacou a Sbem.

A entidade ressalta que, até o momento, nenhum fármaco para perda de peso foi incorporado ao SUS – nem mesmo medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

“Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para o tratamento da obesidade foram submetidos à análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e tiveram sua incorporação negada: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida.”

Números

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade (WOF, na sigla em inglês), indicam que 31% dos adultos brasileiros têm obesidade, enquanto 68% têm sobrepeso – o que significa que quase sete em cada 10 vivem com excesso de peso.

As projeções indicam que, se nada for feito, até 2044 quase metade da população adulta brasileira (48%) estará obesa.

O relatório revela ainda que mais de 60 mil mortes prematuras no Brasil são atribuíveis ao sobrepeso e à obesidade por sua associação a doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC).

“Além do impacto humano, o problema traz custos expressivos para o sistema de saúde”, destacou a Sbem, ao citar estimativas de estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que apontam que, entre 2021 e 2030, os custos diretos ao SUS com doenças associadas à obesidade podem atingir US$ 1,8 bilhão.

Já as perdas indiretas, como anos de vida produtiva, segundo o estudo, podem chegar a US$ 20 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

Foto: reprodução

Médicos dos pronto-socorros de Botucatu sofrem com salários atrasados novamente

Os médicos que atuam nos pronto-socorros adulto e infantil de Botucatu enfrentam, mais uma vez neste ano, o atraso no pagamento de seus salários. A situação agrava o já delicado atendimento à população, que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para serviços essenciais e imediatos.

Profissionais relatam insegurança financeira e sobrecarga, pois os atrasos persistentes prejudicam a motivação e a capacidade de manter os serviços funcionando de forma adequada. Para muitos médicos, a instabilidade salarial gera preocupação não apenas pessoal, mas também ética, ao comprometer a atenção integral e contínua aos pacientes.

Segundo informações obtidas junto a servidores, os atrasos têm ocorrido de forma recorrente, mesmo com a Prefeitura anunciando cronogramas de pagamento que frequentemente não são cumpridos. A falta de regularidade compromete a rotina dos plantões, aumentando filas, atrasos nos atendimentos e pressão sobre as equipes de enfermagem e suporte médico.

Especialistas em administração pública alertam que atrasos salariais repetidos refletem fragilidade na gestão financeira da cidade, impactando diretamente a qualidade do serviço público de saúde. A situação contrasta com a obrigação legal do município de garantir a pontualidade no pagamento de servidores, especialmente profissionais de áreas estratégicas como a saúde.

“É desmotivador trabalhar meses sem receber. A pressão nos plantões aumenta e a gente sente que o atendimento à população é prejudicado. Já estamos sobrecarregados, e essa situação só piora tudo”, afirma um médico do pronto-socorro adulto, que prefere não se identificar.

Enfermeiros e profissionais de apoio também confirmam o impacto:

“Os atrasos afetam toda a equipe. Fica difícil organizar escalas, manter o atendimento e dar suporte adequado aos pacientes. É frustrante ver a população sofrendo por algo que poderia ser resolvido com planejamento financeiro”, relata um médico do PSI.

A população também sente os efeitos diretos da situação:

“Levei meu filho ao pronto-socorro e demoramos horas para ser atendidos. A equipe parecia sobrecarregada e cansada. É revoltante que os profissionais estejam passando por isso enquanto dependemos deles”, afirma uma moradora do bairro Centro.

“É um absurdo que a cidade não consiga pagar os médicos em dia. Já vimos filas enormes e atendimento atrasado em diversas situações. Quem sofre somos nós, que precisamos do serviço público”, acrescenta outro cidadão.

Enquanto os médicos aguardam a regularização dos salários, a população continua sofrendo com a sobreposição de demandas nos pronto-socorros, filas maiores e atrasos no atendimento, evidenciando o efeito direto da gestão financeira deficiente sobre o serviço público.

O episódio reforça a necessidade de maior responsabilidade e planejamento da Prefeitura, que deve priorizar a saúde e assegurar condições adequadas para que os profissionais exerçam suas funções sem prejuízos aos pacientes.

80 funcionários são demitidos pela OSS Pirangi e ficam sem a multa recisória sobre o FGTS

A empresa OSS Pirangi reincidiu o contrato com a Prefeitura de São Manuel e, por esse motivo, demitiu cerca de 100 funcionários contratados, com aviso prévio cumprido até o dia 31/07/2025. O termo de rescisão foi assinado entre os dias 13/08/2025 e 14/08/2025.

No entanto, aproximadamente 80 desses ex-funcionários ainda não receberam o pagamento da multa rescisória de 40% sobre o FGTS, que deveria ter sido quitada até o dia 11/08/2025. Entre os profissionais afetados estão técnicos de enfermagem, enfermeiros, farmacêutico, auxiliar administrativo, auxiliares de farmácia e funcionários da limpeza.

O Grupo de funcionários tentou contato com o setor de RH, representado por Eliana Cristina Lúcio, que orientou o envio de um e-mail. Portanto o e-mail foi enviado no dia 25/08/2025 para o endereço dp.sm@osspirangi.org.br, porém não houve resposta até o momento.

Cada novo contato segundo o grupo de funcionários, resulta em desculpas e promessas de novas datas que não são cumpridas. Eles seguem sem o recebimento do valor devido.

Crise na Santa Casa de Jaú: Diretoria anuncia renúncia coletiva por falta de repasses

A saúde da região pode estar prestes a mergulhar em um verdadeiro colapso. A atual direção da Santa Casa de Jaú, hospital que atende milhares de pacientes de dezenas de cidades, prepara-se para um anúncio devastador: a renúncia coletiva da Mesa Administrativa e do Conselho Fiscal, motivada por um déficit financeiro alarmante.

Segundo informações, a crise é resultado da falta de repasses dos municípios, do Estado e da União, que deixou o caixa da instituição em situação insustentável. A revelação promete expor números preocupantes e escancarar a gravidade da realidade que ameaça o futuro do hospital.

O anúncio oficial deverá ser feito em uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, dia 1º, quando a direção detalhará a gestão, a real situação financeira e os motivos que levaram à decisão drástica de renunciar.

Com isso, paira no ar uma dúvida aterrorizante: quem vai assumir a Santa Casa de Jaú e como ficará a população que depende do hospital para atendimentos de urgência, cirurgias e tratamentos de alta complexidade?

A expectativa é de que a coletiva traga revelações capazes de gerar um impacto profundo em toda a região. A iminente saída da atual gestão expõe não apenas uma crise administrativa, mas um risco direto de paralisação e caos na saúde pública.

Fonte: Central da Notícia SP
Foto: Reprodução

Prefeitura aumenta número de médicos no Pronto Socorro Infantil apenas em setembro

Após denúncias da Rede Alpha de Comunicação, mas pode estar descumprindo normas do SUS

Após as denúncias publicadas pela Rede Alpha de Comunicação sobre a falta de médicos e a superlotação no Pronto Socorro Infantil de Botucatu, a Prefeitura anunciou um reforço no quadro de profissionais para o mês de setembro. Porém, a medida tem caráter provisório e não se estenderá aos meses seguintes, levantando questionamentos sobre a legalidade da conduta da administração municipal.

A Constituição Federal, em seu artigo 196, e a Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde), que organiza o Sistema Único de Saúde (SUS), determinam que é dever do município garantir atendimento universal, integral e contínuo à população, especialmente em serviços de urgência e emergência. Ou seja, não se trata de uma decisão política ou de conveniência, mas de uma obrigação legal.

Na prática, limitar o aumento de médicos a apenas um mês pode configurar descumprimento desses princípios, já que coloca em risco a continuidade da assistência e expõe crianças a longas esperas em situações de vulnerabilidade.

“É revoltante ver meu filho com febre alta e ter que esperar horas porque não há médicos suficientes. Agora aumentam só para setembro? E depois, vamos voltar a sofrer?”, desabafa a auxiliar de serviços gerais Maria da Silva, mãe de uma criança de três anos.

Outro pai, o motorista Carlos Henrique Souza, também se mostra indignado: “A saúde não pode ser tratada como um favor do prefeito. É lei. Não é porque saiu na imprensa que resolveram agir, e mesmo assim só por um mês. Isso é brincar com a vida das nossas crianças”.

Especialistas consultados destacam que a Prefeitura só reagiu após pressão popular e da imprensa, mas segue sem apresentar um plano de recomposição permanente do corpo clínico.

Um médico da equipe do Pronto-Socorro Infantil que preferiu não se identificar ressalta: “A falta de planejamento compromete a confiança da população e coloca em xeque o compromisso do governo municipal com a saúde pública”.

A sociedade civil, respaldada pelas normas do SUS, tem o direito de cobrar que a Prefeitura garanta reforço permanente e não temporário no Pronto Socorro Infantil, sob pena de violar o princípio constitucional de acesso universal e contínuo ao atendimento em saúde.