Saúde

Confira os dias e horários de expediente do Hemocentro do HCFMB para o Carnaval

O Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) informa como será o atendimento de coleta e doação de sangue durante o Carnaval.

  • 14 de fevereiro (sábado): funcionamento das 7 horas às 12 horas
  • 16 e 17 de fevereiro (segunda-feira e terça-feira): não haverá expediente
  • 18 de fevereiro (quarta-feira): funcionamento das 8 horas às 16h30

O Hemocentro precisa de doações de todos os tipos sanguíneos. Os requisitos para ser doador de sangue são: apresentar documento emitido por órgão oficial com foto, como RG ou CNH; ter boa saúde; pesar mais que 50kg; não estar em jejum; dormir ao menos 6 horas antes da doação; não estar com doenças infecciosas; não ter vida sexual promíscua; não ser usuário de drogas; não ingerir bebida alcoólica 12 horas antes da doação e ter entre 18 anos completos e 69 anos, 11 meses e 29 dias, desde que a primeira doação tenha ocorrido até os 60 anos. A doação de candidatos com idade entre 16 e 17 anos será autorizada somente com a presença do responsável legal e ambos portando documento original com foto.

Mais informações pelos telefones (14) 3811-6041 (ramal 2016) e pelo WhatsApp (14) 99631-5650.

Mais uma irregularidade denunciada no Pronto-Socorro Adulto de Botucatu

A ausência de informações claras e acessíveis sobre a Escala Médica no Pronto-Socorro Adulto (PSA) de Botucatu tem gerado reclamações e levantado questionamentos sobre a transparência e a eficiência do atendimento de urgência no município.

A situação foi denunciada por munícipes à Rede Alpha de Comunicação. Logo em seguida, a equipe de Jornalismo do Alpha Notícias esteve no local, para apurar as queixas.

Segundo os usuários, a Escala Médica — documento que informa quais profissionais estão de plantão e que está diretamente relacionada ao funcionamento dos atendimentos no Pronto-Socorro Adulto — não está fixada da recepção do PSA.

Ao buscar esclarecimentos no guichê de atendimento, a equipe de reportagem foi informada, por recepcionistas, que eles não tinham acesso aos nomes dos médicos plantonistas e que apenas a secretaria de saúde teria essas informações.

O que diz a lei estadual

A prática adotada no Pronto-Socorro Adulto de Botucatu contraria frontalmente a Lei Estadual nº 16.652/2018, do Estado de São Paulo.

A norma é clara ao determinar que todas as unidades de saúde da rede pública devem dar publicidade à relação dos médicos plantonistas, por meio de painel fixado em local visível, preferencialmente no hall de entrada da unidade.

De acordo com a lei, o painel deve conter, no mínimo:

  1. Nome completo do médico;
  2. Número do CRM, especialidade e setor que está no PS;
  3. Horário de início e término do plantão;
  4. Nome do diretor responsável pela unidade;
  5. Telefone da Ouvidoria da Saúde e orientação para reclamações.

A legislação ainda determina que essas informações sejam atualizadas a cada troca de turno, justamente para evitar fraudes, escalas “fantasmas” ou ausência de profissionais em serviços essenciais.

Importância da Escala Médica

A Escala Médica e o sistema de Classificação de Risco (Manchester) são pilares do atendimento em urgência e emergência no Brasil.

No entanto, usuários relatam que, na prática, a falta de informação clara sobre o funcionamento do sistema gera insegurança, sensação de abandono e desconfiança.

“O atendimento parece demorado e sem eficiência. A gente não sabe quem está atendendo,”, relatou um paciente que preferiu não se identificar.

O que diz a lei e o Conselho de Medicina

A Resolução nº 2.077/2014, do Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que todos os serviços hospitalares de urgência e emergência, públicos ou privados, devem adotar o acolhimento e garantir acesso do paciente à avaliação médica.

A normativa também reforça que nenhum paciente pode ser dispensado sem avaliação médica e que a organização do fluxo assistencial deve seguir critérios técnicos, com coordenação médica adequada.

O CFM e os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) entendem que a classificação de risco é um ato médico. Isso porque envolve avaliação clínica, definição de prioridades e possibilidade de reclassificação, conforme a evolução do quadro do paciente. E saber quem está atendendo é um direito de cada cidadão.

Embora outros profissionais de saúde possam participar do acolhimento inicial, a decisão final sobre a gravidade e prioridade do atendimento deve ser médica.

População cobra transparência e eficiência

Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Botucatu afirmam que a transparência, informação acessível e funcionamento eficiente do sistema são direitos dos cidadãos e obrigação do poder público.

O serviço pode ser terceirizado, mas a fiscalização da execução do serviço tem que ser da Prefeitura de Botucatu e dos vereadores da Câmara Municipal do município.

A ausência da Escala Médica visível, para a população, dificulta o acesso a informações básicas sobre o atendimento no Pronto-Socorro e comprometem a confiança no serviço público de saúde.

“A divulgação da escala médica deveria organizar o atendimento e salvar vidas. Muitas vezes, nem sabemos se quem está atendendo é médico mesmo. Do jeito que está, só aumenta a desconfiança da população no serviço e a revolta de quem precisa de socorro”, afirma Bruno Octaviano, morador da Cohab.

Violação de direitos e risco à população

A não divulgação da escala médica viola princípios básicos da administração pública, como a publicidade e a transparência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

Também afronta os direitos dos usuários do SUS, que têm garantido o acesso à informação clara e adequada sobre os serviços e profissionais que os atendem.

Na prática, a população fica impossibilitada de:

  • Identificar quem é o médico responsável pelo atendimento;
  • Verificar se o número de profissionais é compatível com a demanda;
  • Exercer controle social sobre a gestão do serviço.
  • Em um Pronto-Socorro, essa falta de transparência pode mascarar deficiência de pessoal, sobrecarga de plantões e falhas na organização do atendimento, ampliando riscos de negligência, omissão de socorro e erros médicos.

Consequências legais

O descumprimento da Lei Estadual nº 16.652/2018 pode ensejar representações junto à Ouvidoria do SUS, ao Ministério Público e aos órgãos de controle, além de responsabilização administrativa dos gestores da unidade.

A lei foi criada justamente para proteger o cidadão e evitar que serviços de saúde funcionem sem fiscalização social.

Enquanto a escala médica continuar invisível para quem mais precisa do serviço, o Pronto-Socorro Adulto de Botucatu seguirá operando à margem da transparência exigida por lei.

Em um cenário de sucessivas denúncias envolvendo o atendimento de urgência no município, a pergunta que fica é simples e incômoda: o que se pretende esconder ao negar à população uma informação que a lei determina que seja pública?

A Rede Alpha de Comunicação segue acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde e da direção do Pronto-Socorro Adulto sobre as denúncias apresentadas, especialmente quanto à publicidade da Escala Médica, ao cumprimento das normas da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e às medidas adotadas para garantir mais transparência e eficiência no atendimento à população que é atendida diariamente no Pronto Socorro Adulto de Botucatu

Contrato do PSA levanta dúvidas sobre valores, execução e risco assistencial à vida dos pacientes

Diferença milionária entre valor do pregão e contrato assinado, somada a denúncias de médicos, acende alerta sobre a gestão do serviço.

O contrato firmado entre a Prefeitura de Botucatu e a empresa PROMEDSP, responsável pela gestão médica do Pronto-Socorro Adulto, tem gerado questionamentos relevantes sobre a legalidade, a execução do serviço e a segurança do atendimento à população.

O acordo prevê o pagamento de R$ 7.319.988,00 pelo período inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até 10 anos.

No entanto, o Pregão nº 092/2025, que originou a contratação, estimava um custo total de R$ 12.790.008,00, valor R$ 5,47 milhões superior ao contrato efetivamente firmado.

Especialistas em direito administrativo apontam que diferenças dessa magnitude exigem análise rigorosa de exequibilidade, conforme determina a Lei nº 14.133/2021, sob risco de comprometimento da qualidade do serviço contratado.

Denúncias indicam precarização após início do contrato

Desde que a PROMEDSP assumiu a gestão do Pronto-Socorro Adulto, médicos que atuam na unidade relatam uma série de problemas operacionais.

Entre eles, a redução do valor dos plantões, que teriam passado de R$ 1.700,00 para R$ 1.300,00, o que, segundo os profissionais, provocou saída de médicos experientes e aumento da rotatividade.

Outro ponto relatado é a exigência informal de atendimento de até oito pacientes por hora, ritmo considerado incompatível com a medicina de urgência e emergência, especialmente em casos clínicos complexos.

Escalas médicas abaixo do necessário

As denúncias também envolvem o dimensionamento das equipes, que estaria abaixo do previsto no Termo de Referência do contrato.

De acordo com os médicos:
Durante o dia, o Pronto-Socorro conta com:

  • 3 médicos na clínica médica;
  • 1 médico na sala de emergência;
  • 1 ortopedista;
  • 1 médico na sala de observação.

No período noturno e finais de semana:

  • não há médico exclusivo na sala de observação;
  • o atendimento ortopédico ocorre apenas até 0h.

Profissionais alertam que a ausência de médico na sala de observação durante a noite representa risco assistencial significativo, especialmente em um serviço de referência para urgência e emergência.

Médicos “em teste” e sem remuneração

Outro ponto considerado grave nas denúncias é a suposta prática de escalar médicos, inclusive recém-formados, para atuar em finais de semana e feriados sob a justificativa de estarem “em teste” ou “conhecendo o serviço”.

Segundo os relatos, esses profissionais estariam atendendo pacientes, inclusive casos graves, sem remuneração e sem supervisão adequada.

Caso confirmada, a prática pode configurar irregularidade na execução contratual, infração ética e risco à segurança dos pacientes.

Diferença de valores levanta suspeita de inexequibilidade

A expressiva diferença entre o valor estimado no pregão e o contrato assinado levanta questionamentos sobre como a empresa conseguiu executar o serviço por um custo tão inferior ao previsto pela própria administração municipal.

Especialistas explicam que, pela legislação vigente, a Prefeitura tem a obrigação de analisar se o preço contratado é compatível com os custos reais do serviço, incluindo remuneração adequada dos profissionais e manutenção de equipes suficientes.

A combinação entre valor reduzido, contrato de longa duração e denúncias de precarização pode indicar falhas no processo de contratação ou na fiscalização da execução do contrato.

Possível impacto estrutural na saúde pública

Outro ponto que chama atenção é a possibilidade de prorrogação do contrato por até 10 anos, o que, na prática, pode representar a terceirização prolongada de um serviço essencial, sem debate legislativo aprofundado ou participação efetiva da sociedade.

Juristas avaliam que contratos desse porte e duração exigem controle rigoroso, sob pena de comprometimento do direito constitucional à saúde e dos princípios da legalidade, moralidade administrativa e eficiência.

Providências que podem ser adotadas

Diante dos indícios, o caso pode ser objeto de:

  1. Representações ao Ministério Público;
  2. Análises pelo Tribunal de Contas;
  3. Apuração pelo Conselho Regional de Medicina;
  4. Ações judiciais, como Ação Popular ou Ação Civil Pública.

A reportagem procurou a Prefeitura de Botucatu e a empresa PROMEDSP para esclarecimentos, mas até o fechamento desta edição não houve manifestação. O espaço segue aberto para posicionamento.

📌 O Alpha Notícias seguirá acompanhando o caso e eventuais desdobramentos envolvendo a gestão do Pronto-Socorro Adulto de Botucatu.

Quando a economia aparece apenas no papel, mas o custo real recai sobre médicos exaustos e pacientes vulneráveis, a pergunta que fica é simples e urgente: quem está pagando essa conta?

📌Se você ou algum familiar sentiu que houve alguma falha no atendimento do PSA, entre em contato com a nossa equipe de jornalismo pelo WhatsApp (14) 99695-5853.

Uso de fungicidas agrícolas compromete tratamentos contra infecções graves em humanos

O fungo Aspergillus fumigatus, causador de uma doença chamada aspergilose invasiva, está evoluindo resistência aos poucos medicamentos capazes de detê-lo. Há apenas quatro classes de medicamentos antifúngicos no mercado, um número insuficiente diante da dimensão do problema — e a evolução de uma blindagem contra esse pequeno leque de terapias pode ter consequências graves para a saúde pública mundial nos próximos anos.

A preocupação com o tema motivou o Documento de Botucatu, uma moção pública de alerta aprovada em dezembro de 2025 durante um encontro entre 51 especialistas, 21 deles estrangeiros, na Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, em Botucatu (SP). Um dos líderes dessa iniciativa é o engenheiro agrônomo Paulo Ceresini, especialista em fitopatologia da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (SP).

O texto reúne recomendações para enfrentar a resistência antifúngica no Brasil e no mundo a partir de um conceito conhecido como One Health (“Uma Só Saúde”), que considera o bem-estar humano como inseparável da preservação ambiental e da qualidade de vida das demais espécies que compartilham a biosfera conosco.

O artigo científico que embasa o Documento de Botucatu, assinado por Ceresini como primeiro autor e recém-publicado no periódico especializado One Health, explica que o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fungicidas agrícolas, especialmente da classe dos triazóis. Esses compostos foram amplamente utilizados nas lavouras nas últimas três décadas e também constituem a base do tratamento médico contra infecções fúngicas graves.

A exposição constante deste fungo aos triazóis funciona como uma pressão seletiva darwiniana, que elimina os indivíduos suscetíveis ao fungicida. Apenas as linhagens que já nascem naturalmente resistentes a esses compostos, por causa de mutações fortuitas no genoma, são capazes de sobreviver e se reproduzir. Esse gargalo tem justamente o efeito de selecionar e ampliar a população dessas linhagens blindadas a medicamentos antes eficazes.

Fora do ambiente agrícola, o Aspergillus fumigatus aparece em escala macroscópica como uma mancha verde-acinzentada de textura aveludada, que se adapta bem a ambientes secos de maneira incomum para os fungos — o que explica sua capacidade de se instalar em lugares inóspitos como dutos de ar-condicionado. Seus esporos, pequenos e ressequidos, são facilmente aerossolizados, o que o torna um contaminante comum em ambientes fechados de escritórios, por exemplo. Na natureza, porém, ele pode ser encontrado em habitats mais usuais, como matéria orgânica em decomposição.

Em geral, o A. fumigatus é inofensivo. Todos nós inalamos alguns esporos diariamente e os eliminamos sem maiores problemas. Mas em pacientes imunossuprimidos ou com outras comorbidades — como recém-transplantados, pessoas com leucemia e pacientes de covid-19 — a aspergilose pode ser grave e, frequentemente, fatal. Calcula-se que a espécie cause 600 mil mortes todos os anos no mundo; número que tende a piorar se pessoas saudáveis começarem a sucumbir às variantes resistentes.

Segundo dados apresentados durante o encontro, a aspergilose ganhou força no Brasil nos últimos anos — foram cerca de 200 vítimas fatais em 2022 versus 800 em 2024 —, o que acompanha uma tendência observada internacionalmente. O uso de triazóis na agricultura brasileira também subiu de 20 mil toneladas anuais para 160 mil toneladas desde a introdução dessa classe de fungicidas no começo dos anos 2000. “A correlação não prova causalidade, obviamente, mas ela é um sinal de alerta importante”, resume Ceresini.

Colônia de Aspergillus fumigatus observada com microsópio (Crédito: Jankaan/Creative Commons)

Documento propõe políticas públicas para lidar com o problema

O texto aprovado no encontro traz um consenso científico inédito em torno do tema. Ele recomenda que os dados sobre resistência antifúngica sejam coletados de forma auditável e divulgados com acesso aberto à sociedade, e que se crie um sistema nacional de monitoramento para acompanhar a presença de fungos resistentes no ar e no solo. “Não existe um sistema assim nem no Brasil nem fora, o documento é um marco”, diz Ceresini.

Além disso, o documento propõe que as agências reguladores exijam avaliações de risco mais rigorosas antes de aprovar produtos agrícolas capazes de estimular resistência a medicamentos humanos; que se amplie a capacidade dos hospitais de detectar infecções fúngicas e sua resistência e que se realize campanhas educativas voltadas a agricultores, profissionais de saúde, estudantes e ao público em geral.

Os Ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e da Agricultura e Pecuária estão preparando a nova edição de seu Plano Nacional de Enfrentamento da Resistência Antimicrobiana (PANBR), que deverá orientar políticas públicas sobre o tema ao longo do próximo quinquênio. Os especialistas que se encontraram em Botucatu defendem que a resistência antifúngica, historicamente negligenciada, passe a ser abordada com clareza nesta próxima edição do documento.

O Documento de Botucatu é publicado no âmbito do Failsafe, uma parceria internacional para enfrentar a resistência a antifúngicos financiada pela principal agência de fomento à pesquisa do governo britânico, a UK Research and Innovation (UKRI). Um dos objetivos da iniciativa é capacitar pesquisadores em países de baixa e média renda para lidar com o tema.

O Conselho de Pesquisa Médica do UKRI escolheu Ceresini para encabeçar a perna brasileira do projeto justamente por sua experiência como engenheiro agrônomo e fitopatologista, que o qualifica para liderar os esforços de coleta e análise de material em campo e fazer um mapa da ocorrência de linhagens resistentes no estado de São Paulo. O projeto foi aprovado em 3 meses e forneceu verba de £ 250 mil, com que foi possível contratar três pós-doutorandos, dois doutorandos, dois mestrandos e uma aluna de iniciação científica para trabalhar sob a batuta do docente de Ilha Solteira.

A equipe contou com a participação ativa de docentes da Unesp nos câmpus de Dracena (Ana Firmino e Paulo Lopes), de Ilha Solteira (Karine Costa, Rita Peruquetti e Bárbara Christofaro Silva), de Jaboticabal (Everlon Rigobelo e Fábio Mingotte), de Botucatu (Edson Furtado), e do câmpus Lagoa do Sinoi da Ufscar (Waldir Cintra e Danilo Stipp), além de parcerias agrícolas relevantes para a amostragem no estado de São Paulo.

Essa equipe passou um ano fazendo coletas em diversas partes do estado de São Paulo — porém, o Jornal da Unesp não teve acesso aos resultados, que ainda não foram publicados em um paper. “Estamos em uma fase de geração final de dados, de sequenciamento do DNA das linhagens desse fungo, que dura até fevereiro”, explica Ceresini. O trabalho ocorreu em correspondência com pesquisadores das Universidades de Manchester e da Geórgia, que fizeram coletas parecidas no Reino Unido e nos EUA.

“Dediquei os últimos vinte anos ao estudo da resistência a antifúngicos na agricultura, nunca me voltei a patógenos humanos”, conta Ceresini. “Porém, era essa intersecção que os parceiros buscavam: alguém com conhecimento agronômico para fazer a amostragem no campo e determinar o que está acontecendo.”

O protagonismo inesperado de um agrônomo em uma pesquisa de saúde pública é, por si só, uma demonstração da força da abordagem One Health. Para lidar com desafios do futuro — que incluem também a resistência de bactérias a antibióticos e a provável piora de doenças transmitidas por mosquitos — as pesquisas na área da saúde pública precisarão enxergar o ser humano cada vez mais como um ator em uma complexa rede de interações com outros seres vivos e com o clima terrestre. Não temos escolha: estamos na Terra juntos, e é impossível conviver bem com nossa vizinhança biológica sem compreendê-la.

Fonte: jornal.unesp.br

Anvisa atualiza norma sobre cannabis medicinal e amplia acessos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução que modifica as regras para produtos derivados de cannabis no país, com impacto direto no acesso e na oferta dessas terapias. A medida permite a venda do fitofármaco canabidiol em farmácias de manipulação, mediante prescrição individual, e amplia as possibilidades de uso previstas na regulamentação sanitária.

Uma das mudanças centrais envolve os medicamentos com concentração de tetrahidrocanabinol acima de 0,2%. Até então, o uso era restrito a pacientes em cuidados paliativos ou com quadros irreversíveis ou terminais. Com a nova norma, pessoas diagnosticadas com doenças debilitantes graves passam a ser incluídas entre aquelas autorizadas a utilizar produtos com esse teor da substância, mantendo-se as exigências de controle e prescrição médica.

A resolução também altera as vias de administração permitidas. Além das formas oral e inalatória, passam a ser autorizados os usos bucal, sublingual e dermatológico. A Anvisa informou que a ampliação foi definida a partir de evidências científicas avaliadas durante a Análise de Impacto Regulatório, considerando critérios técnicos relacionados à absorção e ao risco sanitário. Houve ainda ajuste de nomenclatura, com a substituição do termo “nasal” por “inalatória”.

No campo comercial, a norma flexibiliza a publicidade, antes proibida, permitindo-a apenas para profissionais prescritores e de forma restrita às informações constantes na rotulagem e no material informativo aprovado pela agência. A resolução reforça que não há qualquer alteração quanto ao uso recreativo da cannabis, que continua vedado no Brasil, permanecendo a autorização limitada exclusivamente a finalidades medicinais dentro das regras sanitárias vigentes.

 

Médicos expõem que falhas do PSA de Botucatu se devem ao desmonte na gestão da terceirizada PROMEDSP

Médicos que atuavam, há anos, no Pronto Socorro Adulto (PSA) de Botucatu denunciaram à Rede Alpha de Comunicação um grave processo de desmonte do serviço após a empresa PROMEDSP assumir a gestão da unidade em 2025.

Segundo os profissionais, a equipe médica local — experiente, integrada à rede municipal e conhecedora do perfil epidemiológico da cidade — foi sumariamente retirada, sem transição técnica adequada, sendo substituída por médicos oriundos de municípios como Igaraçú do Tietê, Mineiros do Tietê e Barra Bonita.

De acordo com os relatos, a substituição completa da equipe assistencial coincidiu com um agravamento significativo da situação do pronto socorro, marcado por demora excessiva no atendimento, altas médicas precoces, falhas na avaliação clínica, além de um aumento preocupante no número de óbitos, conforme denúncias recorrentes feitas por pacientes e familiares.

Os médicos afirmam que o rompimento abrupto com a equipe local comprometeu princípios básicos da assistência em urgência e emergência, como continuidade do cuidado, segurança do paciente e tomada de decisão clínica qualificada.

A ausência de médicos com vínculo com a cidade e conhecimento da rede de apoio — incluindo exames, leitos de retaguarda e fluxos de referência — teria criado um cenário de improviso, risco e instabilidade permanente.

As denúncias levantam questionamentos graves sobre a responsabilidade da empresa PROMEDSP e da Prefeitura de Botucatu, uma vez que o serviço de pronto socorro é essencial e ininterrupto, devendo obedecer aos princípios constitucionais da administração pública, como legalidade, eficiência, moralidade e supremacia do interesse público.

Segundo os denunciantes, não houve transparência sobre os critérios adotados para a substituição da equipe, tampouco apresentação pública de indicadores técnicos que justificassem a retirada de médicos que já atuavam no serviço há anos.

Para os profissionais, a decisão teve impacto direto na assistência e pode configurar negligência administrativa, ao expor a população a risco evitável.

“Não estamos falando de uma simples troca de contrato. Estamos falando de vidas perdidas, de atendimentos que não aconteceram a tempo e de decisões clínicas tomadas sem conhecimento da realidade local”, afirmou um dos médicos, sob condição de anonimato, temendo retaliações profissionais.

A situação relatada pode, em tese, caracterizar infrações éticas médicas, falhas na gestão do serviço público de saúde e até eventual responsabilidade civil e penal, caso seja comprovado nexo entre a desorganização do serviço, altas indevidas ou demora no atendimento e os óbitos registrados no Pronto Socorro Adulto.

Diante da gravidade dos relatos, médicos defendem a abertura de investigação pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle interno e externo, para apurar:

  1. os termos do contrato com a PROMEDSP;
  2.  os critérios de substituição da equipe médica;
  3. os indicadores de mortalidade antes e depois da mudança;
  4. e as condições reais de trabalho e atendimento impostas aos profissionais atualmente no serviço.

A equipe de Jornalismo da Rede Alpha procurou o prefeito Fábio Leite, o vice-prefeito e secretário de saúde, Dr. André Spadaro; a secretária de comunicação, Cinthia Al-Lage e o diretor responsável pela PROMEDSP, Dr. Vinícius Barrionuevo Garcia Gullo, mas nem deles deu qualquer esclarecimento sobre as denúncias.

A Rede Alpha de Comunicação seguirá acompanhando o caso, reunindo denúncias, documentos e relatos de familiares de pacientes, e cobrando posicionamento oficial da Prefeitura de Botucatu e da empresa PROMEDSP.

📌 Se você ou algum familiar sentiu que houve alguma falha no atendimento do PSA, entre em contato com a nossa equipe de jornalismo pelo WhatsApp (14) 99695-5853.

O que está em jogo não é apenas a gestão de um contrato, mas o direito constitucional da população a um atendimento de saúde seguro, digno e eficiente.

Jovem é internado após introduzir frasco de desodorante no reto

Um jovem de 19 anos precisou ser internado após introduzir um frasco de desodorante no ânus e o objeto ficar preso no reto. O caso foi relatado pelo cirurgião coloproctologista Daniel Brosco, que utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (26) para fazer um alerta sobre os perigos da introdução de objetos inadequados para a prática sexual. Segundo o especialista, o paciente relatou que o incidente ocorreu durante uma “brincadeira” sexual. A embalagem acabou subindo para o reto e, após tentativas frustradas de retirá-la em casa, o jovem buscou ajuda médica.

O médico explicou que o intestino possui movimentos peristálticos (contrações involuntárias) que, somados ao vácuo criado na região, podem “sugar” o objeto, dificultando sua remoção manual.

O uso de itens improvisados pode trazer consequências severas. Brosco adverte que a prática oferece riscos de perfuração intestinal, o que pode espalhar fezes na cavidade abdominal e causar infecções graves, podendo levar à morte.

“A fantasia não é um problema. O problema é não usar objetos específicos para isso. Imagina se o conteúdo da embalagem vaza ou se o objeto sobe de uma forma que exige cirurgia para retirar?”, questionou o médico. O profissional revelou que os casos têm se tornado comuns. Nos últimos meses, ele atendeu pacientes que precisaram retirar objetos inusitados, como batatas, garrafas de vidro e até partes de uma cadeira.

Idoso recebe alta do Pronto Socorro Adulto e em seguida tem hemorragia em casa

Mais um caso de complicações para pacientes no atendimento do Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

A família procurou a Rede Alpha de Comunicação para denunciar situação de alta indevida de um idoso que procurou atendimento no Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

A família reclama de omissão de socorro e risco de morte do paciente que procurou o serviço na semana passada con queixa de sangramento digestivo.

A família alega que o paciente deveria ter sido internado na sala de emergência, mas que o médico resolveu dar alta hospitalar e orientou queno caso deveria ser acompanhado na Unidade Básica de Saúde (UBS). A decisão de liberar o paciente, segundo familiares, foi tomada mesmo diante de sinais evidentes de sangramento ativo.

Poucas horas após a alta, já em casa, o idoso sofreu hemorragia maciça, com sangramento abundante, colocando sua vida em risco iminente.

A família revoltada com a situação, enquanto aguardava a ambulância para transportar o paciente para um hospital, fez um vídeo pra expor a situação e denunciar possíveis crimes e violações éticas no Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

O caso do idoso que recebeu alta do Pronto Socorro Adulto de Botucatu, mesmo apresentando quadro de situação possível de risco de morte, recebu alta sem o devido atendimento.

A situação ultrapassa a esfera da falha administrativa e entra no campo de possíveis ilícitos penais, infrações éticas graves e responsabilidade civil do Município.

O paciente, pertencente a grupo de risco, buscou atendimento médico em situação de urgência.

A família alega que o idoso foi liberado sem a realização adequada de exames, sem estabilização clínica e sem observação hospitalar. Condutas estas, amplamente previstas nos protocolos médicos e nas diretrizes do atendimento de emergência.

A família registrou em vídeo o estado crítico do paciente, material que agora circula como prova concreta do agravamento previsível e evitável para pacientes graves que procuram o Pronto Socorro Adulto.

Possíveis crimes

À luz do Código Penal Brasileiro, o caso pode configurar, em tese:
1. Omissão de socorro (art. 135 do Código Penal), uma vez que o paciente buscou ajuda médica e não recebeu a assistência compatível com a gravidade do quadro.

2. Lesão corporal culposa (art. 129, §6º), caso fique comprovado que a conduta negligente resultou em agravamento da condição de saúde.

3. Homicídio culposo, na forma tentada ou consumada, caso o desfecho seja fatal e se estabeleça nexo causal entre a alta indevida e o resultado.

4. Prevaricação ou conivência administrativa, se houver indícios de que a liberação ocorreu para aliviar demanda, superlotação ou metas internas, em detrimento da segurança do paciente.

Infrações éticas médicas

No âmbito ético-profissional, a conduta pode violar frontalmente o Código de Ética Médica, que proíbe expressamente:

– Negar assistência em casos de urgência e emergência;
– Expor o paciente a risco desnecessário por imprudência, negligência ou imperícia;
– Abandonar o paciente ou interromper tratamento sem garantir continuidade segura da assistência;
– Deixar de empregar todos os meios disponíveis e cientificamente reconhecidos para preservar a vida e a saúde.

A liberação de um paciente com sangramento ativo, sem diagnóstico e sem controle da hemorragia, afronta princípios básicos da Medicina, como a não maleficência e a proteção à vida.

Responsabilidade civil do Município e da Empresa Terceirizada

Por se tratar de unidade pública de saúde, o caso também pode gerar responsabilidade civil objetiva do Município, conforme o artigo 37, §6º da Constituição Federal.

Isso significa que o poder público e a empresa terceirizada PROMEDSP, responsável pela contratação dos médicos que assumiu contrato com a Prefeitura de Botucatu há cerca de 4 meses, também podem ser responsabilizados e serem obrigados a indenizar a vítima e seus familiares, independentemente, de dolo, bastando a comprovação do dano e do nexo causal com o serviço defeituoso.

Perguntas que exigem resposta imediata

1. Quem realizou a avaliação clínica do paciente?
2. Quem autorizou e assinou a alta médica?
3. Quais exames foram solicitados — e por que não foram feitos?
4. O prontuário registra adequadamente o quadro de sangramento?
5. Houve pressão institucional para liberação rápida de pacientes?

A Rede Alpha de Comunicação procurou o prefeito Fábio Leite, o vice-prefeito e secretário secretário de saúde, Dr. André Spadaro; a secretária de comunicação, Cinthia Al-Lage; e o médico responsável pela empresa terceirizada PROMEDSP, Dr. Vinícius Barrionuevo Garcia Gullo; mas não deram qualquer resposta sobre a grave situação que o atendimento do Pronto Socorro Adulto se encontra.

A ausência de respostas oficiais até o momento reforça a suspeita de tentativa de silenciamento e banalização de um episódio gravíssimo.

Providências urgentes

Diante da gravidade dos fatos, o caso exige:
1. Abertura imediata de sindicância administrativa;
2. Investigação pelo Ministério Público;
3. Apuração pelo Conselho Regional de Medicina;
4. Acesso integral da família ao prontuário médico;
5. Esclarecimentos públicos da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura de Botucatu.

Não se trata de erro isolado ou fatalidade.

Trata-se de um possível fracasso do dever legal de proteger a vida.

Quando um paciente procura socorro e sai do hospital em situação pior do que entrou, o sistema falhou — e essa falha precisa ter nome, responsáveis e consequências.

A sociedade precisa saber até quando a negligência será tratada como rotina no Pronto Socorro Adulto.