Terceirização dos artistas: Conselho de Cultura de Botucatu vira arena de gritos, ataques pessoais aos artistas que foram contra a decisão

Além da reação exaltada da secretária Cristina Cury, assessor da pasta toma o microfone  e transforma debate público em confronto.

O que deveria ser um espaço democrático de diálogo e construção coletiva de políticas públicas, no Conselho Municipal de Cultura, se transformou, mais uma vez, em um cenário de tensão, confronto verbal e cerceamento da palavra durante uma recente reunião, pela Secretária de Cultura, Cris Cury e pelo seu assessor de Gabinete Paulo Vitor Previatto que usou tom ameaçador e autoritário com os artistas que discordaram do projeto de terceirização dos agentes culturais para atividades complementares nas escolas de tempo integral da educação básica do município. Os artistas questionam como será feita a contratação, uma vez que muitos defendemos que os cargos deveriam ser ocupados por arte-educadores através de concurso público e não por terceirização.

A confusão começou após a fala de um munícipe que, de forma longa e embasada, questionou a condução das políticas culturais e, principalmente, a confusão recorrente entre as atribuições do Conselho e da Secretaria Municipal de Cultura. Ele reconheceu iniciativas da pasta, mas foi enfático ao afirmar que o Conselho não tem função executiva, cabendo-lhe deliberar, fiscalizar e orientar, enquanto a execução das políticas públicas e do orçamento é responsabilidade exclusiva do Poder Executivo.

O munícipe também destacou a importância de o Conselho receber pautas e documentos com antecedência e alertou que a recente mudança da lei torna o órgão deliberativo, obrigando o Executivo a cumprir suas decisões. Segundo ele, decretos, repasses de verbas para festas, eventos religiosos, carnaval ou contratação de shows passam, obrigatoriamente, pela aprovação do Conselho, sob pena de violação da própria legislação municipal.

A fala gerou reação imediata e exaltada da secretária municipal de Cultura, Cristina Cury, que elevou o tom e desviou o debate do campo institucional para o pessoal. Sua manifestação foi registrada integralmente:

“Meu nome é Cristina Cury Ramos. Eu levo isso com honra e responsabilidade. E eu já falei, eu não vou admitir esse tipo de coisa, porque eu estou aqui como uma igual. Eu não estou aqui como a prima do João Cury, ou a sobrinha do Jamil Cury. Eu estou como Cristina Cury. Até porque eu sou ‘Cury’ antes deles serem, do Fernando Cury, ou de qualquer outra pessoa. Não me limite a um nome, muito menos a um sobrenome. Eu sou muito mais do que isso.

Embora eu não precise estar nessa reunião, eu venho e vocês vão me ver em todas as reuniões com você, a não ser que eu não esteja aqui por algum outro motivo, tá bem? E vai ser sempre assim. O assunto virou-se família, cara, família. Eu já expulsei da minha sala uma outra pessoa que veio falar e começou a falar dos ‘Curys’.”

Após essa intervenção, o clima se agravou ainda mais com a entrada do assessor de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura, Paulo Vitor Previatto, que tomou o microfone do munícipe e passou a discursar em tom agressivo e intimidador.

Entre as falas mais relevantes do assessor Paulo Vitor Previatto, registradas durante a reunião, estão:

“Não só de hoje, eu penso que você dá umas viajadas fortes. Às vezes você induz algumas pessoas, porque pessoas que falam com muita confiança levam as pessoas na lábia.”

Em outro momento, ao interromper o munícipe, Paulo Vitor Peviatto afirmou:

“Eu quis te interromper sim. Eu quis ser pronto. Vou interromper. Agora o microfone está comigo, estou falando.”

O assessor também acusou o cidadão de distorcer falas e agir por motivações políticas:

“Não queira distorcer a partir do seu viés político. Inclusive político.”

Em tom ainda mais duro, sugeriu que o munícipe estaria tentando influenciar os conselheiros contra a Secretaria e a gestão municipal:

“Tentar influenciar as novas mentes aqui para que elas se voltem contra a secretaria, contra a Cris, contra o Fábio Leite… eu já vi isso em outros filmes, em outros lugares.”

Paulo Vitor ainda afirmou que não admitiria desrespeito ao trabalho da equipe:

“Eu não admito que desrespeitem o meu trabalho. Não é fácil, não foi fácil, então não é só você que estudou, não é só você que fez e aconteceu.”

As falas, marcadas por interrupções, ataques pessoais e elevação de voz, descaracterizaram completamente o propósito da reunião, transformando um espaço de participação social em um ambiente hostil e intimidatório para qualquer munícipe que ousasse discordar da condução da política cultural.

O episódio não é isolado. Em outra reunião do Conselho Municipal de Cultura e Turismo, situação semelhante envolveu o jornalista Fernando Bruder, que teve sua atuação questionada e cerceada, caso amplamente divulgado pela imprensa local e que reforça um padrão preocupante de intolerância a críticas.

Relembe o caso:

https://www.alphanoticias.com.br/clima-tenso-na-reuniao-do-conselho-de-cultura-de-botucatu/

https://www.alphanoticias.com.br/rede-alpha-sofre-censura-pelo-conselho-municipal-de-cultura-e-turismo/ 

Os acontecimentos levantam questionamentos sérios sobre o funcionamento do Conselho Municipal de Cultura de Botucatu e sobre a postura da Prefeitura de Botucatu diante da participação popular. Conselhos existem para ouvir a sociedade, acolher divergências e fiscalizar o poder público — não para constranger cidadãos, cercear opiniões ou impor o silêncio por meio da intimidação.

O que se repete nos conselhos de cultura da cidade é um verdadeiro absurdo: espaços criados para representar a população sendo usados para calar a própria população. O resultado é o enfraquecimento da democracia participativa e a transformação de instâncias públicas em ambientes fechados, onde questionar vira afronta e discordar passa a ser tratado como inimigo.

Confira o video:

Video entre Munícipe e Secretárua de Cultura de Botucatu

Video entre Munícipe e Assessor de Gabinete de Cultura

 

 

Sobre Fernando Bruder

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