Destaques

Funcionários da SEMUTRAN pintam faixas nas ruas sem o uso de equipamentos de proteção individual

Servidores da Secretaria Adjunta de Assuntos de Transporte Coletivo e Trânsito (SEMUTRAN) da Prefeitura de Botucatu vêm sendo flagrados trabalhando na pintura de faixas de pedestres nas ruas da cidade sem o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) essenciais, expondo-se diretamente ao tráfego de veículos, ao sol intenso e a riscos graves à saúde e à integridade física.

A prática, além de perigosa, fere normas de segurança no trabalho e pode configurar omissão administrativa.

Moradores e motoristas têm registrado imagens e vídeos de equipes em atividade sem coletes de alta visibilidade, sem proteção para os olhos, mãos e pés, muitas vezes sem qualquer separação segura entre a área de serviço e os carros que passam a poucos centímetros.

A situação se agrava sob o sol escaldante do verão, que aumenta o risco de estresse térmico e exaustão dos trabalhadores.

EPI obrigatórios para pintura de vias

Segundo normas técnicas de trânsito e segurança, trabalhadores expostos ao fluxo de veículos durante serviços sobre o pavimento devem usar, no mínimo:
1. Coletes ou vestimentas de alta visibilidade retrorrefletiva, conforme a norma técnica ABNT para vestuário de segurança, para serem vistos a distância pelos condutores;

2. Proteção para olhos e face, como óculos de segurança, para proteger contra respingos de tinta e detritos;

3. Luvas de proteção, para evitar contato direto com produtos químicos e fricção constante;

4. Calçados de segurança, preferencialmente com biqueira e sola adequadas, para proteger contra objetos perfurantes ou escorregamentos;

5. Proteção auricular, se houver exposição prolongada a ruídos de máquinas

Esses equipamentos devem ser fornecidos gratuitamente pelo empregador e mantidos em bom estado para garantir a eficácia da proteção.

Normas e responsabilidades legais

No Brasil, o uso de EPI é disciplinado pela Norma Regulamentadora NR-6, que exige que o órgão (público ou privado) forneça, treine e exija o uso de equipamentos adequados, de acordo com os riscos da atividade, mantendo registros e condições de conservação desses itens.

A legislação estabelece que é responsabilidade da organização – neste caso, proveniente da administração pública municipal – prover e fiscalizar o uso de EPI pelos servidores.

Além disso, órgãos como o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) orientam que trabalhadores em sinalização de vias devem ter vestuário de alta visibilidade para reduzir o risco de atropelamentos ou colisões em ambientes com tráfego.

Uso de EPI é obrigatório por Lei

Em termos trabalhistas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e as Normas Regulamentadoras brasileiras são de observância obrigatória, inclusive para terceirização e órgãos públicos que empregam trabalhadores vinculados à administração pública.

A falta de fornecimento ou exigência de uso de EPI pode resultar em autuações pela Ministério do Trabalho e Previdência (MTP) e responsabilização administrativa pelo não cumprimento das normas de saúde e segurança no trabalho.

Quem responde por essa situação

A responsabilidade pelo cumprimento das normas de segurança é do chefe imediato da SEMUTRAN, do Secretário Adjunto de trânsito, do Secretário Municipal de Zeladoria a qual a SEMUTRAN é ligada, e também, do Prefeito de Botucatu, como autoridade máxima do Executivo local.

Cabe a essas autoridades zelar pela integridade física dos servidores, providenciar a compra e o uso correto de EPI, além de implementar medidas de segregação e controle de tráfego durante obras e serviços em vias públicas.

A omissão na adoção dessas medidas pode gerar implicações legais, incluindo:
– Multas e autuações em inspeções trabalhistas, com base no descumprimento de normas regulamentadoras;

– Responsabilização administrativa e funcional dos gestores responsáveis pela saúde e segurança dos servidores;

– Ações civis por danos morais e materiais, caso um trabalhador sofra acidente;

– Impactos na imagem institucional da Prefeitura, demonstrando negligência com a segurança dos próprios servidores.

Enquanto isso, os trabalhadores continuam expostos às intempéries, sob o sol forte e no meio do trânsito, sem a proteção mínima que lhes permitiria realizar um serviço essencial com segurança e dignidade.

A denúncia está lançada: omissão e risco ocupam o lugar da proteção e da responsabilidade pública.

Nota de Repúdio

NOTA DE REPÚDIO

Manifestamos nosso veemente repúdio à decisão da Prefeitura de Botucatu, através da arbitrariedade da Secretária de Comunicação, Cinthia Al-Lage e do Nutricionista William Fernandes de expulsarem o Jornalista Fernando Bruder, da Cozinha Piloto do município, enquanto exercia legitimamente seu trabalho jornalístico, durante diligência oficial da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo.

O episódio ocorreu no contexto da fiscalização sobre a distribuição de carne estragada em kits escolares de férias destinados a crianças do ensino fundamental, fato de extrema gravidade e de inequívoco interesse público. Impedir a atuação da imprensa nesse cenário representa uma afronta direta aos princípios constitucionais da liberdade de imprensa, do direito à informação e da transparência na administração pública.

A presença de um jornalista em uma diligência dessa natureza não configura obstrução, mas sim um instrumento essencial de fiscalização social, garantindo que a população tenha acesso a informações claras e verdadeiras sobre ações que envolvem a saúde pública e a segurança alimentar de crianças.

Causam ainda maior indignação as tentativas de cerceamento da atividade jornalística justamente no momento em que o poder público deveria agir com máxima transparência, prestar esclarecimentos à sociedade e colaborar com os órgãos de controle e fiscalização.

Repudiamos qualquer forma de intimidação, constrangimento ou censura ao exercício da profissão jornalística. Exigimos respeito ao trabalho da imprensa e reiteramos que calar jornalistas não protege a gestão pública, apenas agrava a desconfiança da população.
A sociedade botucatuense merece respostas, responsabilidade e transparência — não atitudes autoritárias que atentam contra a democracia e o direito à informação.

 

Rede Alpha de Comunicação

Botucatu, 22 de janeiro de 2026.

 

Polícia Civil e Vigilância Sanitária EstaduaL abrem inquérito sobre a carne estragada do kit escolar em Botucatu

A denúncia feita pela Rede Alpha de Comunicação ganhou contornos ainda mais graves e chocantes na tarde desta quarta-feira, 21 de janeiro, durante diligência da Polícia Civil na Cozinha Piloto de Botucatu. O local foi alvo de investigação após a revelação de que carne estragada teria sido distribuída em kits de alimentação escolar entregues a alunos da rede municipal neste mês de janeiro.

A apuração, que já resultou na abertura de inquérito policial, foi formalizada pelo Conselho de Alimentação Escolar (CAE) junto à Polícia Civil. A diligência foi comandada pelo delegado Marcelo Lanhoso de Lima e contou com o acompanhamento da Vigilância Sanitária, do vice-presidente do CAE, Luciano Valim e da Guarda Civil Municipal, que deu apoio à operação.

Durante o interrogatório, o nutricionista da Cozinha Piloto, Willian Fernandes, confirmou ao delegado que a carne foi retirada das escolas e das residências das famílias e que o produto está sendo substituído, inclusive por carne de outra marca, a Seara. No entanto, o ponto mais alarmante veio em seguida: questionado sobre o estado da carne recolhida, o nutricionista admitiu que as amostras estavam, de fato, estragadas.

Segundo o relato feito ao delegado, a Vigilância Sanitária recolheu nove amostras, que foram encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz para análise.

O vice-presidente do Conselho de Alimentação Escolar, Luciano Valin, revelou ainda um detalhe importante, a Vigilância Sanitária proibiu a devolução da carne à empresa fornecedora, temendo que o produto pudesse ser reprocessado e recolocado no mercado, colocando novamente a população em risco. Por isso, o material permanece sob tutela da Cozinha Piloto, da Vigilância Sanitária e da Prefeitura de Botucatu, aguardando incineração no próprio município.

🚨 TENTATIVA DE SILENCIAR A IMPRENSA CAUSA REVOLTA

O que mais indignou a imprensa presente foi um episódio grave ocorrido durante a diligência. O nutricionista da Cozinha Piloto entrou em contato com o secretário de Educação, Gilberto Mariotto, e posteriormente com a secretária de Comunicação, Cinthia Al Lage, informando sobre a presença da equipe da Rede Alpha acompanhando a ação policial. Segundo apurado, a secretária teria solicitado que a equipe de jornalismo fosse retirada imediatamente do local, levantando suspeitas de tentativa de ocultar a verdade.

Diante dos fatos, a Rede Alpha aguarda um pronunciamento oficial da Prefeitura de Botucatu, desta vez baseado na verdade, sobre um caso que envolve educação, saúde pública e segurança alimentar, atingindo diretamente crianças e famílias do município.

A Rede Alpha de Comunicação repudia veementemente a atitude da Prefeitura de Botucatu ao impedir a permanência da imprensa em um local de interesse público em local público e em situação de interesse coletivo durante a diligência oficial (art. 5º, XIV e art. 220), prática que fere o princípio constitucional da liberdade de imprensa e do direito à informação, configurando uma ação ilegal e inaceitável, especialmente em uma reportagem de extrema relevância para os munícipes de Botucatu, que têm o direito de saber a verdade sobre fatos que envolvem saúde, educação e segurança pública. O papel da imprensa é defender a transparência e informar a população, destaca o jronalista Fernando Bruder.

👉 A pergunta que fica é: por que tentar esconder o que a própria investigação policial confirmou?

Acompanhe a Reportagem:

 

Após denuncia da Rádio Alpha FM, Prefeitura entrega kit de dieta para criança

Após a veiculação de uma denúncia no jornalismo da Rádio Alpha FM, a família da pequena Stephanie obteve uma resposta do poder público. A mãe da criança, Priscila, entrou em contato com a emissora para agradecer o apoio e informar que, ainda mesmo de manhã em que a situação foi exposta no ar, a Prefeitura entrou em contato e realizou a entrega de 11 latas de suplemento alimentar, indispensável para a sobrevivência da filha.

Além da ação do município, Priscila de Lima Campos relatou que representantes da DRS de Bauru também fizeram contato, confirmando que o suplemento fornecido pelo Estado já foi providenciado e que uma nova remessa deve chegar já no dia seguinte. Segundo a mãe, a mobilização trouxe alívio e segurança à família após um período de angústia.

Em sua mensagem, Priscila destacou a importância do papel social do jornalismo e agradeceu à Rádio Alpha por dar visibilidade ao caso. “Foi um alívio enorme. Muito obrigada ao jornalista Fernando Bruder por darem voz à minha filha, à Stephanie”, afirmou. O episódio reforça a relevância da imprensa como instrumento de mediação entre a população e o poder público, garantindo direitos e respostas rápidas em situações de urgência.

Liminar é ignorada pela Prefeitura de Botucatu e criança fica sem suplemento vital

O jornalista Fernando Bruder recebeu uma grave denúncia envolvendo a falta de fornecimento de suplemento alimentar essencial para a sobrevivência de uma criança de 12 anos, moradora de Botucatu. A mãe, Priscila de Lima Campos, participou ao vivo do Jornal Alpha Notícias, na Rádio Alpha FM, e relatou a situação dramática enfrentada pela família após a interrupção do fornecimento do produto, utilizado como única fonte de alimentação da filha, que possui paralisia cerebral, microcefalia e se alimenta exclusivamente por gastrostomia.

Segundo Priscila, o processo de renovação do fornecimento do suplemento deveria ter ocorrido em novembro, o que não aconteceu. Desde então, a família passou a depender de doações esporádicas, insuficientes para garantir a nutrição contínua da criança. Diante da ausência de respostas da Prefeitura, da Secretaria de Saúde e da DRS de Bauru, a mãe recorreu à Justiça. Conseguiu, uma liminar judicial determinou que a Prefeitura realizasse a compra imediata do suplemento. No dia seguinte, o município foi oficialmente notificado e recebeu prazo de 24 horas para cumprir a decisão — o que, segundo a família, não ocorreu.

A mãe afirma que a Prefeitura alegou existência de doações, informação que ela contesta veementemente. “Não houve doação. Se houve, que apresentem um documento assinado por mim ou pelo meu esposo comprovando o recebimento, o que não existe”, afirmou. A última ajuda recebida, segundo ela, foi no dia 12/01, com apenas três latas, quantidade suficiente para poucos dias. O suplemento acabou, e atualmente a criança está sem qualquer nutrição adequada, colocando sua vida em risco.

Desesperada, Priscila buscou ajuda do Conselho Tutelar, que tentou localizar o produto em farmácias e estabelecimentos de produtos hospitalares, sem sucesso. Como medida emergencial e improvisada, uma nutricionista — que se encontra de licença médica — orientou uma dieta alternativa caseira, que não é a indicada para o quadro clínico da criança. A mãe alerta que esse tipo de alimentação já causou graves complicações no passado, incluindo ganho excessivo de peso e internação na Unesp, o que levou a equipe médica a determinar o uso exclusivo do suplemento específico.

Priscila reforça que o fornecimento sempre foi regular ao longo dos 12 anos de vida da filha, inclusive em administrações anteriores, e que esta é a primeira vez que a criança fica sem o suplemento. “É a única coisa que ela se alimenta. É essencial para a sobrevivência dela. Eu não sei mais a quem recorrer”, desabafou, pedindo que o poder público providencie a compra imediata do produto.

Procurado pela Rede Alpha, o secretário de Saúde e vice-prefeito de Botucatu, André Spadaro, que acompanhou ao vivo a entrevista pelas Rádio Alpha FM, informou via whatsapp que a DRS de Bauru alega não ter sido notificada e que o fornecimento seria de responsabilidade do Estado. Segundo ele, no final do ano, por questões burocráticas de renovação do processo, a dieta deixou de ser enviada pela DRS, e a Prefeitura passou a fornecer provisoriamente até a regularização, fato que foi contradito pela mãe ao vivo na entrevista.

No entanto, a resposta do secretário é considerada vaga e insuficiente diante da gravidade do caso. A denúncia expõe um grave descaso do poder público frente a uma situação que envolve o direito à vida, à saúde e à dignidade de uma criança em condição de extrema vulnerabilidade. Uma solução que poderia ser simples — como a compra emergencial do suplemento ou um contato direto entre os órgãos responsáveis e a família — se arrasta em meio à burocracia, enquanto a criança permanece sem alimentação adequada.

A Rede Alpha segue acompanhando o caso e cobrando providências urgentes das autoridades competentes.

Prefeitura de Botucatu reconhece a carne estragada e faz recolhimento

O jornalista Fernando Bruder entrevistou Luciano Valim, membro do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Botucatu, para esclarecer os fatos relacionados à denúncia feita na semana passada enviada à Rede Alpha sobre a distribuição de carne suína supostamente estragada nos kits de alimentação escolar entregues pela Prefeitura de Botucatu, por meio da Secretaria Municipal de Educação, durante o período de férias.

Segundo Luciano Valim, “a situação teve início no dia 13 de janeiro, quando ele esteve na Cozinha Piloto do município para acompanhar a distribuição dos kits que, inicialmente, estavam previstos para dezembro, mas acabaram sendo entregues apenas em janeiro. Durante esse acompanhamento, Valim relatou ter identificado a inclusão de uma carne suína tipo charque, proteína que, segundo ele, não havia sido previamente apresentada ou discutida com o Conselho. Ainda assim, ele acompanhou a entrega dos kits em escolas e creches da cidade.

No dia seguinte, mães de alunos começaram a relatar que a carne apresentava odor forte e característico de produto estragado. Uma das mães fez o alerta público, o que levou Valim a retornar imediatamente à Cozinha Piloto. No local, estavam presentes o Secretário Municipal de Educação, Gilberto Mariotto, os subsecretário Márcio e Carlinhos e Roberta da Vigilância Sanitária além o nutricionista responsável, William Fernandes o vereador Japa. Valim afirmou que, ao cheirar a carne apresentada, percebeu mau cheiro e solicitou o recolhimento do produto, pedido que, naquele momento, não teria sido atendido, sob a justificativa de que se tratava do odor normal do charque.

De acordo com o conselheiro, a situação se agravou ao longo do dia, quando ele e outros membros do CAE, além da reportagem da Rede Alpha, visitaram residências de famílias que receberam os kits. Nesses locais, o cheiro da carne foi descrito como “insuportável” e “de podre”. À tarde, durante uma visita à casa da mãe que fez a denúncia, o secretário de Educação levou uma marmita preparada com carne retirada da Cozinha Piloto, tentando demonstrar que o alimento estava próprio para consumo. No entanto, segundo Valim, essa carne não era a mesma recebida pela família denunciante. Ainda assim, ao serem abertas as embalagens levadas pelas mães, o forte odor foi constatado, inclusive por autoridades presentes.

Luciano Valim destacou que, após os relatos, foi determinada a recolha de toda a proteína distribuída nos kits em escolas e creches do município. Ele afirmou que, apesar de a embalagem chegar lacrada às unidades escolares, a responsabilidade é da empresa fornecedora, que deverá repor toda a quantidade distribuída, estimada em cerca de 3.300 quilos de carne, além de estar sujeita a multa diária. As carnes recolhidas estão armazenadas na Cozinha Piloto, aguardando retirada pela empresa.

O conselheiro também criticou a falta de diálogo entre a Secretaria de Educação, a equipe de nutrição e o Conselho de Alimentação Escolar ao longo dos últimos três anos de mandato. Segundo ele, decisões importantes são tomadas sem a devida comunicação prévia ao CAE, o que, na sua avaliação, contribui para episódios recorrentes envolvendo alimentos, como já teria ocorrido anteriormente com ovos, pão de forma e atum. Valim afirmou que o Conselho encaminhará o caso ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Estadual de Alimentação Escolar, além de registrar boletim de ocorrência.

Outro ponto levantado foi o processo de licitação. Valim explicou que a substituição de marcas só pode ocorrer se houver apresentação e aprovação prévia de amostras e se não houver redução de qualidade ou quantidade do produto. Ele ressaltou que, no caso específico da carne da marca Seara, com embalagens de 400 gramas, cada kit deveria conter duas unidades, informação que, segundo ele, não foi claramente repassada à população.

Por fim, Luciano Valim cobrou mais transparência do poder público. Para ele, a Prefeitura e a Secretaria de Educação deveriam comunicar claramente à população o que ocorreu, quais providências estão sendo adotadas, quais penalidades serão aplicadas à empresa fornecedora e como será feita a reposição dos alimentos. “Não se trata de política ou de prejudicar quem quer que seja. Estamos falando da alimentação e da saúde das crianças de Botucatu”, afirmou.

A Rede Alpha de Comunicação segue aguardando um posicionamento oficial e detalhado da Prefeitura de Botucatu e da Secretaria Municipal de Educação sobre o caso, especialmente quanto aos laudos laboratoriais das amostras encaminhadas para análise, às multas aplicadas e ao cronograma de reposição da proteína às famílias atendidas pelos kits de alimentação escolar.

Acompanhe a entrevista completa de Luciano Valim ao Jornalista Fernando Bruder no Jornal Alpha Notícias:

Chuvas desta sexta-feira já expõe falhas em obra da Prefeitura na Floriano Peixotto

Uma chuva de baixa intensidade registrada na tarde desta sexta-feira (16/01) foi suficiente para evidenciar problemas na obra de revitalização da Avenida Floriano Peixotto, em Botucatu. No trecho da pista sentido centro–bairro, já é possível observar a formação de poças d’água em uma área que passou por reforma recente, levantando questionamentos sobre a qualidade do projeto e da execução dos serviços.

Com o acúmulo de água na via, a passagem de veículos acaba lançando respingos sobre pedestres que transitam pela calçada, gerando transtornos que, segundo moradores e comerciantes da região, poderiam ter sido evitados com um sistema de drenagem adequado. Em um trecho de aproximadamente 300 a 400 metros, os problemas já ficaram evidentes logo nas primeiras chuvas do mês de janeiro, escancarando indícios de falta de planejamento.

Outro ponto que chama atenção é o fato de o asfalto ter sido aberto diversas vezes após a conclusão parcial da obra. Mesmo sem uma inauguração oficial, apenas com a liberação do trânsito, vários trechos precisaram ser refeitos pouco tempo depois da execução inicial. A situação se repete em relação à acessibilidade: os acessos para cadeirantes só começaram a ser implantados após o dia 20 de novembro, data inicialmente prevista para a inauguração. No dia 19/11, a Rede Alpha já havia divulgado uma reportagem com o jornalista Fernando Bruder, mostrando a ausência dessas adaptações, problema que persiste até hoje, com esquinas ainda sem rampas adequadas para pessoas com mobilidade reduzida.

Além disso, os bolsões de estacionamento anunciados no projeto continuam, em sua maioria, apenas no papel. Até o momento, apenas um pequeno bolsão foi implantado, localizado na esquina da Avenida Paula Vieira, número considerado insuficiente diante da proposta original, o que tem levantado uma série de reclamações dos comerciantes locais que estão indignados com a diminuição do fluxo de clientes pelas questões de vagas de estacionamento.

Diante desse cenário, a obra da Avenida Floriano Peixotto se soma a outras intervenções do poder público municipal que têm gerado insatisfação em parte da população. A condução dos trabalhos pela Prefeitura de Botucatu, sob a gestão do prefeito Fábio Leite, volta a ser alvo de críticas relacionadas à qualidade da execução e à falta de planejamento, especialmente em uma obra que deveria melhorar a mobilidade e a segurança urbana, mas que já apresenta problemas poucos meses após sua entrega parcial.

Imagens: Emerson Gamito

Botucatu está entre os piores municípios em Inclusão Social

Botucatu figura entre as cidades com pior desempenho do Brasil em relação a Inclusão Social de acordo com o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025.

O IPS é um dos mais importantes indicadores que medem o desenvolvimento social e a qualidade de vida da população, indo além de dados econômicos como o PIB.

Ele avalia se as pessoas conseguem viver com dignidade, segurança, bem-estar e oportunidades reais, com base em resultados concretos na vida da população.

No Brasil, o IPS é elaborado de forma independente, inspirada no índice internacional Social Progress Index, e utiliza apenas dados oficiais de órgãos como IBGE, Ministério da Saúde (Datasus), TSE e CadÚnico.

O índice analisa todos os 5.570 municípios brasileiros, estruturando os dados, com pontuação de 0 a 100, em três dimensões:

1. Necessidades Humanas Básicas;
2. Fundamentos do Bem-Estar e;
3. Oportunidades

De acordo com os dados divulgados pelo IPS Brasil, o município de Botucatu, infelizmente, ocupa a 5.342ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros, com nota 36,15 em 2025. Em 2024, ocupava 5304° lugar com a nota de 27,70.

Mesmo apresentando um leve aumento no ranking de 42 posições, esse ganho não foi susbtancial em comparação às outras cidades paulistas.

E infelizmente, o desempenho é considerado extremamente fraco quando comparado a cidades de porte e perfil econômico semelhantes e com outras cidades do Estado e da região da Cuesta.

Assim, esse resultado coloca Botucatu na parte mais baixa do ranking nacional e muito abaixo da média brasileira, que foi de 46,07 pontos, neste componente.

O IPS avalia não apenas renda ou crescimento econômico, mas a capacidade real dos municípios de garantir direitos, inclusão, segurança e oportunidades à população.

Inclusão social: onde Botucatu falha

O componente Inclusão Social integra a dimensão Oportunidades do IPS e analisa indicadores diretamente ligados à equidade, representatividade e proteção social.

No caso de Botucatu, os dados revelam fragilidades estruturais importantes:

1. Paridade de gênero na Câmara Municipal, evidenciando baixa representatividade de gênero no poder político local;
2. Paridade de negros na Câmara Municipal é classificada como relativamente fraca, evidenciando baixa representatividade racial no poder político local;
3. Indicadores de violência contra mulheres apresentam desempenho relativamente fraco, apontando taxas elevadas de ocorrências;
4. Violência contra a população negra e a violência contra povos indígenas aparecem como relativamente neutras, mas ainda distantes de um cenário considerado satisfatório.

O conjunto desses fatores contribui para a pontuação final extremamente baixa no ranking nacional.

Comparação com municípios semelhantes

O IPS Brasil agrupa municípios com faixa de PIB per capita semelhante para permitir comparações mais justas.

Nesse grupo de cidades com renda per capita de 55 a 56 mil, da qual Botucatu faz parte, a situação é ainda mais alarmante. Das 11 cidades, do Estado de São Paulo, que compõem esse grupo, Botucatu fica em último lugar em Inclusão Social.

Esse grupo inclui as seguintes cidades:

1. Aparecida d’Oeste: 96,20;
2. Mesópolis: 85,26;
3. Cafelândia: 63,15;
4. São José do Rio Pardo: 54,68;
5. Morungaba: 54,26;
6. Ubarana: 51,82;
7. Guararapes: 50,31;
8. Pirapozinho: 47,24;
9. Aguaí: 37,95;
10. Anhembi: 36,41
11. Botucatu: 36,15

Esse desempenho de Botucatu sinaliza que o problema não pode ser atribuído apenas a questões econômicas.

Em relação a cidades paulistas com população entre 150 a 200 mil habitantes, Botucatu continua entre as piores. Nesse grupo estão:

– Mogi Guaçu: 52,54;
– Itapecirica da Serra: 50,5;
– Franco da Rocha: 48,90;
– Santana do Parnaíba: 48,08;
– Ferraz de Vasconcelos: 46,75;
– Bragança Paulista: 42,23;
– Francisco Morato: 42,03;
– Pindamonhangaba: 40,27;
– Botucatu: 36,15

Botucatu aparece entre os piores desempenhos, mostrando que o problema também não pode ser atribuído a quantidade populacional, ficando a frente apenas de Itapetininga: 32,84; São Caetano do Sul: 28,58; Itu: 28,32 e Atibaia: 26,82.

Comparação com outras cidades da Região

Botucatu ocupa posição abaixo de outras cidades da região, tais como:

– Paranapanema: 84,61
– Areiópolis: 64,24
– Barra Bonita: 57,41
– Pardinho: 54,99
– Bofete: 51,92
– São Manuel: 50,58
– Itatinga: 49,39
– Pratânia: 40,14
– Bauru: 38,70
– Anhembi: 36,41
– Conchas: 30,83
– Avaré: 30,19
– Jaú: 27,89

Contraste com outros indicadores

O desempenho negativo, em inclusão social, contrasta com resultados mais positivos em outros componentes avaliados pelo IPS.

O município apresenta indicadores relativamente fortes em Acesso à Educação Superior, como proporção de trabalhadores com ensino superior e desempenho médio no Enem.

Ainda assim, os dados mostram que esse avanço educacional não têm se convertido em inclusão social efetiva, sobretudo para mulheres, negros e populações vulneráveis.

O que o ranking revela

Mais do que uma posição numérica, o 5.342º lugar expõe um alerta sobre a incapacidade das políticas públicas locais de enfrentar desigualdades estruturais.

O IPS Brasil 2025 evidencia que crescimento econômico, oferta de ensino superior ou infraestrutura urbana não são suficientes quando não há ações consistentes voltadas à proteção social, equidade de gênero e racial, segurança pública e representatividade política.

Em um ranking que avalia todos os municípios brasileiros, Botucatu passa a integrar o grupo das cidades que mais falham em garantir inclusão social, reforçando a necessidade de revisão profunda das prioridades e estratégias da gestão pública municipal.

O IPS é uma ferramenta essencial para as cidades brasileiras, porque permite diagnosticar desigualdades sociais, comparar municípios de forma justa e fortalecer a transparência e o controle social.

Mais do que medir crescimento econômico, o índice mostra se o desenvolvimento está, de fato, chegando às pessoas e contribuindo para uma sociedade mais justa, inclusiva e com oportunidades para todos.

Não basta constuir estradas, represas, ruas e prédios, se as pessoas não tem suas vidas melhoradas.

Não basta ter obras de infraestrutura, se essas obras não atendem às necessidades de todos os moradores.