Saúde

Estudo da FMB/Unesp aponta maior efetividade da terapia antirretroviral em idosos vivendo com HIV

Pesquisa mostra que pessoas com 50 anos ou mais têm melhor resposta ao tratamento e menos falhas na terapia contra o vírus.

Uma pesquisa desenvolvida pela aluna de mestrado Pietra Vivian Stanicki, do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), revela que idosos vivendo com HIV apresentam melhores resultados no tratamento antirretroviral (TARV) em comparação com adultos mais jovens. O trabalho foi orientado pelo Prof. Dr. Alexandre Naime Barbosa e coorientado pela Profa. Dra. Karen Ingrid Tasca, e já foi aceito para publicação em uma revista científica internacional de alto impacto.

Intitulado “Avaliação da Efetividade do Tratamento Antirretroviral em Idosos Vivendo com HIV/Aids”, o estudo analisou, entre 2021 e 2023, 1.018 pacientes acompanhados no Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM) – unidade da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). Os participantes foram divididos em dois grupos: idosos (com 50 anos ou mais) e adultos mais jovens (com menos de 50 anos).

Os dados mostraram que as pessoas com 50 anos ou mais tiveram melhores resultados com o tratamento: a maioria conseguiu controlar o vírus no sangue (89,8%, contra 83,3% entre os mais jovens) e apresentou menos casos de falha virológica (2,5% contra 10,1%). Além disso, houve melhor recuperação do sistema imunológico, especialmente entre aqueles que usavam combinações de medicamentos mais simples e modernos, como lamivudina (3TC) com dolutegravir (DTG) ou darunavir com ritonavir (DRV/r).

O professor Alexandre Naime Barbosa, infectologista, diretor de assistência do SAEI-DAM e orientador da pesquisa, afirma que o estudo traz evidências inéditas no Brasil e aponta para uma mudança significativa no perfil das pessoas vivendo com HIV. “Mais de 50% dos pacientes atendidos no nosso serviço de referência já têm 50 anos ou mais”, destaca. Para ele, esse dado, além de surpreendente, é positivo: “Mostra que as pessoas estão vivendo mais com a infecção, o que é fruto da efetividade do tratamento.”

Naime ressalta ainda que os resultados obtidos entre os idosos superaram as expectativas. “Eles não apenas são a maioria, mas também têm apresentado melhores desfechos terapêuticos”, afirmou. Ele defende que esses achados reforçam a importância da adesão ao tratamento e da eficácia dos esquemas antirretrovirais modernos e simplificados. “Precisamos voltar o olhar para o envelhecimento com HIV, um fenômeno crescente no Brasil que exige estratégias de cuidado cada vez mais específicas.”

A mestranda Pietra Vivian Stanicki, primeira autora do trabalho, destaca que o estudo observou uma efetividade superior da TARV nos idosos, mesmo em um contexto de polifarmácia, onde o uso simultâneo de diversos medicamentos poderia representar um desafio adicional. “Os resultados confirmam a segurança e a eficácia dos regimes simplificados, com menores índices de falha terapêutica e uma resposta imunológica consistente”, explicou.

Ela lembra que o envelhecimento das pessoas com HIV traz novos desafios, como a manutenção da qualidade de vida e o manejo de comorbidades. “Nas próximas etapas, pretendemos investigar marcadores inflamatórios, realizar genotipagens e aprofundar o entendimento sobre as necessidades dessa população”, finalizou.

FMVZ/Unesp leva a Terapia Assistida por Animais (TAA) para instituições de saúde de Botucatu

Um projeto de extensão desenvolvido pela Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, campus de Botucatu, com a participação de alunos e docentes, está levando a Terapia Assistida por Animais (TAA) para instituições de saúde sediadas no município, oferecendo uma colaboração relevante para suas atividades terapêuticas, a partir da interação entre homens e animais.

Denominado “Patas amigas: Terapia Assistida com Animais como instrumento de bem- estar físico, social, emocional e cognitivo”, o projeto coordenado pelos professores Juliany Gomes Quitzan e Paulo Fernandes Marcusso, promove atividades de terapia assistida por animais na Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE) de Botucatu e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) e no Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) Professor Cantídio de Moura Campos.

A equipe do projeto visita as instituições parceiras, levando cães para ter contato com pacientes e usuários dos serviços oferecidos por essas entidades. O objetivo é utilizar a TAA como instrumento de bem-estar físico, social, emocional e cognitivo para esse público. O projeto foi concebido por médicos veterinários, mas contou com o auxílio de enfermeiros, psicólogos e médicos pediatras e neurologistas. As ações ocorrem em forma de rodízio, beneficiando as instituições parceira. “Dessa forma, estaremos presentes dentro de cada uma dessas instituições, com ações sempre monitoradas e multiprofissionais”, coloca o professor Marcusso.

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma modalidade de terapia que utiliza animais para promoção do bem-estar humano e animal. “Ela tem sido utilizada como um instrumento auxiliar no tratamento de algumas doenças, mostrando uma série de efeitos benéficos em pacientes psiquiátricos, adultos, crianças hospitalizadas, idosos, entre outros”, comenta a professora Juliany.

Cães de diferentes raças foram avaliados e treinados para se tornarem cães-terapeutas. “O perfil e comportamento dos animais foram avaliados previamente e uma série de exames foram realizados, para garantir que o cão não é portador de nenhuma doença que possa ser transmitida ao ser humano”, explica a professora.

As ações têm entre 20 a 60 minutos no máximo, de acordo com a quantidade de pacientes, nível de interação e objetivos terapêuticos desejados. “Nossa meta é que os pacientes possam se beneficiar com as sessões e que os estudantes possam interagir com a comunidade local em prol do desenvolvimento social, da construção de valores a partir do contato dos acadêmicos e pós-graduandos da área da saúde com a prática do atendimento humanizado”, ressalta o professor Marcusso.

A FMVZ já teve iniciativas semelhantes no passado, que inspiraram a criação do “Patas Amigas”. Em 2001, a FMVZ promoveu um primeiro projeto de extensão com esse enfoque, coordenado pela professora Denise Schwartz, então docente da Faculdade e atualmente na FMVZ/USP. A iniciativa foi retomada em 2018, agora com o nome de “Patas amigas”, sob a coordenação da professora Juliany e do professor José Carlos de Figueiredo Pantoja, com a participação do Grupo PET (Programa de Educação Tutorial) da FMVZ. “Eu também participei do projeto “Mascote Terapia”, que inspirou a criação do “Patas Amigas”. Quando retomamos as atividades, contamos com a ajuda da médica veterinária Luciana Mobricci, coordenadora do programa “Bichos do Bem”, em São José dos Campos. Ela foi aluna na FMVZ e, junto comigo, participou do “Mascote Terapia”.

Depoimentos
– Lucas Reis Alves Mota, coordenador Médico e vice-diretor Clínico do CAIS professor Cantídeo: “A área da Saúde Mental, principalmente nos cenários de internação, ainda enfrenta muitos estigmas, tanto por parte dos usuários quanto dos próprios profissionais da área da saúde.

As duas principais estratégias para a redução desse estigma são o conhecimento teórico e a interação pessoal. Assim, ao meu ver, o projeto tem uma importância fundamental ao servir como uma ferramenta de contato entre as pessoas de fora deste espaço e os pacientes internados.

Vejo os animais que integram o projeto como agentes para a aproximação entre este local de cuidado e os integrantes do projeto, abrindo espaço para que conheçam, na prática, que, mesmo dentro de um espaço de internação, é possível realizar o cuidado de sujeitos humanos, respeitando os preceitos antimanicomiais.

Gosto muito de uma frase que diz “manicômio não é um lugar, é um discurso”, e este discurso quase sempre representa violência, distanciamento e isolamento. Projetos como o Patas, para nós, representam um processo ativo de desconstrução desse discurso, permitindo que pequenos passos sejam dados na direção de uma inserção cada vez maior destes sujeitos na sociedade, e da sociedade nestes sujeitos, mesmo durante os momentos nos quais encontram-se adoecidos”

Joyce dos Santos Neves – diretora Clínica do CAIS
“O Projeto Patas Amigas é uma iniciativa transformadora. Mais do que simples visitas, essas ações representam momentos de afeto, conexão e acolhimento para os pacientes em tratamento de saúde mental.
A presença dos animais no ambiente hospitalar tem um efeito terapêutico profundo. Eles despertam sentimentos de carinho, confiança e segurança, ajudando a aliviar sintomas como ansiedade, tristeza e solidão. Para muitos pacientes, o contato com os animais quebra a rotina da internação e oferece um instante genuíno de alegria e tranquilidade.

Esses encontros também estimulam a comunicação, a interação social e o envolvimento emocional dos pacientes com o mundo ao redor. É comum ver expressões de afeto, sorrisos espontâneos e até relatos de lembranças felizes surgindo durante as atividades. Isso mostra como os animais conseguem acessar áreas delicadas da mente humana que, muitas vezes, os tratamentos convencionais não alcançam com tanta facilidade.

Além de beneficiar diretamente os pacientes, o projeto também fortalece o ambiente terapêutico como um todo. Ele aproxima os profissionais da saúde dos pacientes de maneira mais empática e humanizada, promovendo relações mais afetivas e respeitosas dentro da unidade.

O Patas Amigas prova que cuidar da saúde mental vai além de medicamentos e terapias tradicionais — é também oferecer presença, contato e emoção. Por meio do vínculo com os animais, o projeto devolve um pouco de leveza àqueles que enfrentam dias difíceis, mostrando que o afeto também cura”.

Priscila Lisboa Baptista – Coordenadora de Saúde da APAE
“A Terapia Assistida por Animais tem um impacto muito positivo, tanto no SUS quanto para os usuários da APAE. O contato com os animais contribui para o bem-estar emocional, estimula a socialização e pode até melhorar aspectos motores e cognitivos.

É uma abordagem que complementa os tratamentos que realizamos (fisio, psico, fono) de forma muito humana e sensível. Seria excelente se esse tipo de intervenção pudesse estar disponível de forma contínua, porque os benefícios são realmente visíveis no dia a dia dos atendimentos”.

 

Escola de Inverno em Zoologia, do Instituto de Biociências (IBB), aproxima estudantes da ciência

Durante quatro dias, alunos do ensino médio vivenciaram experiências em zoologia e ecossistemas aquáticos, ampliando os horizontes profissionais.

A Escola de Inverno em Zoologia: a biodiversidade aquática da Cuesta de Botucatu – explorando a vida micro e macroscópica, promovida pelo Instituto de Biociências de Botucatu (IBB) da Unesp, reuniu, ao longo de cinco dias do mês de julho, 25 estudantes do ensino médio com o objetivo de aproximar os jovens da ciência, especialmente, das áreas de zoologia e ecossistemas aquáticos.

Alunos de Bofete, Botucatu, Pratânia e São Manuel participaram de atividades práticas e teóricas em diversos espaços do Instituto e áreas naturais da região, como as escarpas da cuesta e o rio Capivara. Um dos destaques da programação foi a atividade realizada no Jardim Botânico do IBB, onde os estudantes fizeram medições das características físicas e químicas da água e coletaram organismos aquáticos, como o zooplâncton, temas que foram aprofundados posteriormente com análises laboratoriais.

Coordenada pelo professor associado Marcos Gomes Nogueira, do Departamento de Biodiversidade e Bioestatística do IBB, com a colaboração dos docentes do mesmo Departamento, Erika Shimabukuro e Marcello Simões, a Escola de Inverno também contou com o apoio de estudantes de pós-graduação do Instituto.

De acordo com o docente Marcos Gomes Nogueira, a Escola de Inverno agregou não apenas para os estudantes do ensino médio, mas também para os alunos da pós-graduação.

“Ficamos muito felizes em apresentar a fauna de animais vertebrados e invertebrados do meio aquático, que é extremamente diversa, bonita e, em grande parte, até então, desconhecida pelos alunos do ensino médio. Por sua vez, também foi uma oportunidade única para os pós-graduandos, que inovaram experiências bem-sucedidas praticadas no ensino, transferindo-as para um outro público. De maneira geral, as interações foram marcantes, com grupos de pessoas aprendendo mutuamente”, explicou.

Para Rafaela Shizuko Yamashita Kimura, doutoranda em Zoologia pelo IBB, a experiência de compartilhar conhecimento com os alunos é altamente gratificante. “Eles se mostraram atentos e curiosos, o que, para nós, é muito recompensador”, afirmou.

Na visão da estudante Muriel Allen, participante do projeto, a Escola de Inverno contribuiu significativamente para o seu crescimento pessoal e acadêmico.

“Atualmente, estudo no Centro Paula Souza, e participar da Escola de Inverno ampliou meu olhar. Tudo o que foi ensinado partiu de um lugar de estudo, dedicação e carinho por parte dos monitores. Espero, um dia, também estar nesse lugar e ter a oportunidade de ensinar outros jovens”, destacou.

Médico denuncia demora a pacientes que aguardam em ambulâncias no Hospital das Clínicas de Botucatu

Situação se repete e expõe graves deficiências da saúde nos municípios da região do Oeste Paulista

Um vídeo foi publicado nas redes sociais no último dia 18/07 em que o médico, Dr Sandro Cárdenas, da cidade de Pardinho (SP), retoma a polêmica sobre a superlotação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Este Hospital é referência para 68 municípios da região centro-oeste paulista.

E esta situação, já antiga, voltou a gerar revolta entre os profissionais da saúde e a população.

No vídeo, o profissional aparece no pátio do Pronto Socorro Rederenciado (PSR), visivelmente indignado ao relatar que ficou mais de três horas dentro da ambulância com um paciente grave, exposto ao sol, sem poder realizar a transferência para o Hospital por falta de leito.

 “Ficamos presos dentro da ambulância, sem estrutura, sem conforto, sem dignidade para o paciente. Essa situação é desumana. O HC é referência, mas está virando sinônimo de sofrimento para quem precisa de atendimento urgente”, desabafou o médico.

Segundo relatos de outras equipes de resgate e condutores de ambulâncias de cidades da região, a situação é recorrente.

As unidades de saúde dos municípios cumprem os protocolos de regulação e transporte, mas muitas vezes, se deparam com uma espera caótica no HCFMB, onde os leitos de emergência parecem insuficientes para a demanda crescente.

Além do impacto direto sobre a saúde dos pacientes, que em muitos casos, se encontram em estado crítico, o tempo de espera acarreta sérios riscos aos profissionais e ao sistema como um todo.

As ambulâncias, que deveriam voltar rapidamente aos municípios para atender novas ocorrências, ficam retidas por horas, além do médico e enfermeiros que em muitas cidades deixam o plantão desguarnecido, comprometendo o atendimento em suas cidades de origem.

Dr. Sandro também fez um apelo direto ao governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pedindo providências urgentes para melhorar a infraestrutura e o suporte para resolução desta situação.

Outro médico que não quis se identificar, refere ser clínico há 10 anos em Conchas e disse que sempre sofreu com essa situação quando transfere pacientes para a Unesp.

 “Estamos abandonados. Mais de 60 municípios são dependentes do HC, mas não têm solução pra isso. Até quando vamos tolerar essa falta de estrutura? Precisamos de investimentos, de mais profissionais, de ampliação da emergência e investimentos para urgência e emergência nos municípios. O Hospital das Clínicas não consegue dar suporte para esse crescimento de atendimentos. Isso é saúde pública em colapso”, declarou o médico à equipe de Jornalismo da Rede Alpha.

Outra médica, da cidade de Taguaí, há cerca de 160km de Botucatu refere que leva de 2 a 3 h para chegar no HCFMB e já precisou ficar mais de 2h aguardando na ambulância com paciente.

“Muitas vezes, temos que transferir pacientes para o HC por não termos especialistas e exames como Tomografia no município.”

Outra colocação foi feita por uma enfermeira da cidade de Bofete.

“Várias vezes temos que transferir pacientes graves em ambulâncias sem estrutura de emergência. E isso coloca não só os pacientes em risco, mas também toda a equipe.”

Outro relato grave enfrentado pelos municípios, foi feito por um motorista de ambulância da cidade de Itaí.

“Em várias situações, não temos a revisão e a manutenção das ambulâncias em condições de transportar os pacientes na estrada, principalmente a noite, e isso pode provocar acidentes graves na estrada. Se a cidade estivesse equipada com os especialistas e exames suficientes, não correríamos tantos riscos.”

Profissionais da saúde e gestores municipais já vinham alertando sobre a superlotação crônica do Pronto Socorro Referenciado de Botucatu, com relatos de falta de leitos, de estrutura física precária e de desgaste extremo das equipes médicas da própria instituição.

A situação se agravou nos últimos meses, especialmente após a suspensão de alguns atendimentos eletivos e o aumento de casos de doenças respiratórias no inverno.

O Departamento de Comunicação emitiu uma nota oficial aos questionamentos da equipe de Jornalismo do ALPHA NOTÍCIAS que está abaixo, na íntegra.

“Sobre o vídeo postado nas redes sociais no último final de semana, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) esclarece:
O médico que publicou o vídeo não faz parte do corpo clínico do HCFMB. Neste final de semana, não houve registro de fila de espera para a entrada de pacientes no PSR.
O Pronto Socorro Referenciado (PSR) do HCFMB é a maior unidade de atendimento de urgência e emergência de todo Centro Oeste Paulista, sendo porta de entrada para pacientes de toda a região da DRS IV Bauru, composta por 68 cidades e abrangendo cerca de dois milhões de pessoas. Também é referência para os serviços de atendimento pré-hospitalar móvel, como o Serviço Móvel de Urgência (SAMU), Corpo de Bombeiros e concessionárias de rodovias.
O serviço prioriza urgências e emergências com base na classificação de risco e tem um fluxo definido com os serviços. O HCFMB continua em parceria com a SES buscando alternativas para garantir um atendimento de qualidade prestado aos pacientes.”

A equipe de jornalismo do ALPHA NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e o Departamento de Saúde Regional (DRS VI) responsável por coordenar e executar ações e serviços de saúde, na esfera estadual, da Região Oeste de São Paulo, e até o momento, nenhuma nota oficial foi emitida, em resposta aos questionamentos da nossa equipe de jornalismo.

Enquanto isso, vidas seguem sendo colocadas em risco à espera de leitos nos municípios da região.

E a sensação generalizada entre médicos, equipe de enfermagem, motoristas de ambulâncias, pacientes e familiares é de abandono e impotência diante de uma crise anunciada e negligenciada.

Situação do HCFMB

1. Dados oficiais e estatísticas do HCFMB

De acordo com dados da Transparência publicados no site oficial do Hospital das Clínicas de Botucatu,
o HCFMB opera com 664 leitos desde o início de 2024.

2. Número de atendimentos mensais no HCFMB.

De acordo com o site oficial do Governo do Estado de São Paulo, em 2023, o Hospital das Clínicas de Botucatu é o segundo maior hospital universitário de São Paulo, atrás apenas do HC da USP, na capital, em número de atendimentos ambulatoriais, consultas e exames – 3,7 milhões registrados em 2022. Anualmente, a unidade de Botucatu também registra 25,9 mil internações, 9,3 mil procedimentos cirúrgicos, 2,5 mil partos e 150 transplantes.

No site oficial do HC, registrou que a média mensal de atendimentos, em urgência e emergência gira entre 16 mil e 18 mil pacientes, evidenciando forte pressão no sistema.

3. Número de leitos para transferências no PSR e Maternidade

Segundo dados do site do HCFMB, o PSR conta com salas de emergência adulta e pediátrica, além de 24 leitos de retaguarda para adultos e 8 de retaguarda para crianças.

Portanto, o PSR (Pronto-Socorro Referenciado) tem capacidade para cerca de 32 leitos de observação, mas frequentemente ultrapassa esse limite, operando em níveis altos de ocupação.

Já a maternidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) conta com 38 leitos.

4. Histórico recente de tempos de espera e bloqueio de ambulâncias no HCFMB

Um caso emblemático de janeiro de 2021 relatou um paciente com suspeita de Covid-19 aguardando quatro horas dentro de uma ambulância do SAMU, com respiração mecânica, até liberação de leito.

Relatos públicos recentes publicados também em outros jornais da região, confirmam que o PSR e a Maternidade tem ficado superlotados, o que provoca retenção de ambulâncias e pacientes em trabalho de parto aguardando na recepção, por horas, até que um leito seja liberado ou adaptado, ou que o CROSS e a DRS VI busquem alternativas.

Pauta regional e apelo da população

Conforme os dados oficiais do HCFMB, o Complexo HC (Hospital das Clínicas) da UNESP de Botucatu é formado pelo Hospital das Clínicas, o Pronto-Socorro Adulto, o Pronto-Socorro Infantil, o Hospital Estadual de Botucatu e o Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas (SARAD).

O PSR atende 68 municípios da DRS VI (Bauru), com cerca de 2 milhões de habitantes, incluindo: Botucatu, Pardinho, Bofete, Anhembi, Conchas, Porangaba, Torre de Pedra, Laranjal Paulista, São Manuel, Avaré, Itaí, Paranapanema, Taquarituba, Taguaí, Fartura, Pirajú, Cerqueira César, Águas de Santa Bárbara e Arandu.

O apelo do Dr. Sandro Cárdenas alcançou destaque regional por denunciar a espera de mais de três horas, sob o sol, com o paciente dentro da ambulância, o que escancarou o drama que a cidade de Pardinho vem sofrendo para fazer transferências de pacientes para o HCFMB, mas de toda a região referenciada.

5. Causas estruturais e entraves em curso no HCFMB

O Hospital também sofre com a sobrecarga nas UTIs — são cerca de 50 leitos para pacientes críticos (UTI Cardiológica, Cirúrgica, Clínica e Neurológica) desde 2022.

Mesmo com essas unidades, a taxa de ocupação é crítica.

Entrevistas com especialistas indicam que o problema combina deficiência de gestão estadual, falta de integração da rede regional, municípios sem estrutura de atendimento em urgência e emergência; e subfinanciamento crônico das instituições de referência.

6. Ações institucionais e previsão de investimentos

Em 2023, o ALPHA NOTÍCIAS fez uma série de reportagens sobre a crise do HCFMB quando, na ocasião foram fechados vários leitos, tanto no HC quanto no Hospital Estadual. Naquela ocasião, o HCFMB anunciou medidas internas para acelerar fluxos de pacientes, e ativou um “grupo de humanização” para acolher pacientes enquanto se ajustam os leitos disponíveis.

Veja a série destas matérias, na íntegra, através do link:

1. https://www.alphanoticias.com.br/mais-denuncias-dos-fechamentos-de-leitos-no-complexo-do-hospital-das-clinicas-de-botucatu/?utm_source=chatgpt.com

2. https://www.alphanoticias.com.br/secretaria-de-saude-do-estado-de-sao-paulo-afirma-que-recursos-do-hc-sao-repassados-diretamente-para-a-famesp/

3. https://www.alphanoticias.com.br/carta-aberta-aponta-denuncias-do-pronto-socorro-referenciado-do-hospital-das-clinicas/

4. https://www.alphanoticias.com.br/hospital-estadual-fecha-as-portas-em-botucatu-e-milhares-de-pacientes-ficarao-sem-atendimento/

Após essa série de denúncias apresentadas pela REDE ALPHA, em fevereiro de 2023, o Governo Estadual publicou no Diário Oficial, oconvênio de investimentos para o HCFMB, no valor de 50 milhões 532 mil reais, em 16 de agosto de 2023.

Tal ação foi publicada, posteriormente, em vários veículos de comunicação do estado e no prório site do Governo de São Paulo.

Veja na íntegra esta matéria, no link abaixo:

1. https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2023/11/16/em-visita-a-botucatu-governador-tarcisio-de-freitas-anuncia-repasse-de-r-505-milhoes-para-o-hospital-das-clinicas.ghtml

2. http://saude.sp.gov.br/coordenadoria-de-controle-de-doencas/noticias/16112023-governo-de-sp-libera-investimento-de-mais-de-r-50-milhoes-no-hc-de-botucatu

Publicação no Diário Oficial do Estado, o convênio para o Hospital das Clínicas de Botucatu no valor de R$ 50,532 milhões.

6. Rede Alpha continua investigações sobre os repasses feitos pelo Governo do Estado de São Paulo ao HCFMB.

O Diretor Presidente da Rede Alpha de Comunicação, o Jornalista Fernando Bruder emcaminhou solicitação para a Secretaria de Saúde do Estado e para a DRS IV para informações sobre os repasses feitos ao HCFMB desde 2022.

As questões abrangem dados de domínio público de acordo com a Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação), Fernando Bruder também solicitou informações referentes ao atendimento hospitalar no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), instituição vinculada ao SUS e sob coordenação da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

As questões perfazem os seguintes pontos:

a. Média de espera por leito no PSR (últimos 12 meses);
b. Ocupação diária/percentual do PSR
c. Planos internos de novos convênios para o HCFMB

Conclusão

A combinação entre superlotação crônica, rede regional deficiente e falta de cronogramas de resposta leva a uma situação alarmante: ambulâncias retidas por horas, pacientes expostos a riscos e condições irregulares de assistência, equipes desassistidas e sobrecarregadas.

Enquanto reflexos econômicos e políticos emergem, permanece a sensação de abandono institucional e que precisa, urgentemente, ter ações efetivas para a resolução.

Hemocentro realiza coleta externa na cidade de Cerqueira Cesar nesta sexta-feira, 18

Nesta sexta-feira, 18, o Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) realizará uma coleta externa de sangue na cidade de Cerqueira Cesar. A coleta será das 8h às 13h, no Centro de Saúde Dr. Alex Paulo Picanço (Postão) – Rua Professor Solano de Abreu. Participe!

Neste dia, o Serviço também manterá o atendimento em sua própria sede, no câmpus de Rubião Jr. O horário de funcionamento do Hemocentro é de segunda a sexta, das 8h às 16h30 e, aos sábados, das 7h às 12h.

Para obter mais informações sobre os requisitos para doação de sangue ou para esclarecer outras dúvidas, entre em contato diretamente com o Hemocentro do HCFMB pelos telefones: (14) 3811-6041 (ramal 225) ou pelo WhatsApp (14) 99624-7055 / (14) 99631-5650.

Doe sangue, salve vidas!

Paralisação de funcionários do Hospital das Clínicas de Botucatu tem início nesta quarta-feira (16)

A Rede Alpha esteve nesta quarta-feira (16) no Hospital das Clínicas e Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu, acompanhando os manifestantes na paralisação por melhores salários e tickets alimentação.

A reportagem conversou com o coordenador em Botucatu, Alex Rosa de Assis, para saber como está essa paralisação na cidade. Segundo Alex, desde março de 2024, ele tem conversado com o governador e com o Secretário de Saúde do Estado sobre as reivindicações dos trabalhadores do estado.

O vale-refeição, que atualmente é de R$ 12,00 por dia trabalhado (o que, calculado em 30 dias, equivale a R$ 8,00), está muito defasado.

Alex: “Estamos discutindo também sobre os aumentos que recebemos no ano passado, de 8%, e neste ano, de 6%, que nem vamos sentir em nossos pagamentos. Se formos calcular a inflação, dá 48% de defasagem. Sem contar o problema no FGTS, que está sendo descontado, mas não aparece no extrato há 6 meses. O sistema INSS, desde 2022, não está sendo alimentado. Com isso, são várias situações em que estamos sendo prejudicados, e, por essas diferenças, repassamos para o Governo essa paralisação de 48 horas.”

A Rede Alpha continuará acompanhando essa manifestação, e todas as informações sobre o tema serão repassados pela Rádio, TV e Portal Alpha Notícias.

Docente do IBB é selecionado para projeto de mobilidade internacional com a Universidade do Porto

Coordenador do curso de Ciências Biomédicas, Wellerson Scarano representou a Unesp em parceria com a Universidade do Porto para fortalecer ensino e pesquisa.

Recentemente, o professor Wellerson Scarano, coordenador do curso de Ciências Biomédicas do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB) da Unesp, participou do projeto MOBILE 22, coordenado pela Universidade do Porto, em Portugal, e financiado pelo programa europeu Erasmus+. A iniciativa tem como foco promover a mobilidade acadêmica entre instituições de 22 países não pertencentes à União Europeia.

O docente esteve no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, para cumprir a agenda do projeto, que envolveu visitas a laboratórios de pesquisa, reuniões com grupos científicos, visita técnica ao hospital universitário e ao hospital veterinário da instituição, além de uma palestra com o tema “O Câncer como doença do desenvolvimento”, ministrada por Wellerson, para docentes e pós-graduandos.

O projeto de mobilidade propõe a criação de uma parceria acadêmico-científica entre o Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral e Aplicada (PPGBGA) da Unesp Botucatu e o ICBAS, visando à elaboração conjunta de disciplinas de pós-graduação, além do intercâmbio de estudantes entre as duas universidades. No campo científico, também foram discutidos estudos bilaterais e propostas de projetos conjuntos entre o laboratório coordenado pelo professor Wellerson e pesquisadores da Universidade do Porto, que atuam com abordagens ômicas – técnicas que visam estudar a totalidade das moléculas que compõem uma célula ou organismo, em vez de se concentrar em uma única molécula ou gene isoladamente – em modelos experimentais de desregulação endócrina. De acordo com o docente, a experiência vivida foi muito valiosa.

“Foi muito enriquecedor ter a possibilidade de conversar com vários pesquisadores de diferentes áreas e encontrar possíveis parcerias em assuntos de interesse comum”, destacou.

Um pouco mais sobre o projeto MOBILE 22

A seleção para o projeto MOBILE 22 exigiu a elaboração de um projeto de mobilidade em conjunto com um pesquisador da Universidade do Porto, além da aprovação em processos seletivos realizados em ambas as instituições. A Unesp contou com apenas uma vaga no edital, conquistada pelo docente Wellerson Scarano.

O MOBILE 22 é um projeto coordenado pela Universidade do Porto (UP) e financiado pelo programa europeu Erasmus+ – Ação Chave 1: Mobilidade Internacional de Créditos. A iniciativa visa promover a mobilidade de estudantes, docentes e técnicos entre a UP e instituições de 22 países fora da União Europeia, fomentando a troca de conhecimentos, habilidades e boas práticas acadêmicas.

Com duração de três anos, o projeto prevê a concessão de 123 bolsas voltadas para atividades de ensino, formação e estudos. Os benefícios incluem despesas de viagem, subsídios mensais e seguro, conforme as diretrizes do Erasmus+.

Como resultado da experiência, foram formalizadas parcerias de ensino e pesquisa, além da viabilização da mobilidade de estudantes de pós-graduação brasileiros e portugueses entre as instituições. O IBB, por meio de suas iniciativas e colaborações, segue ampliando sua atuação internacional e incentivando o intercâmbio de conhecimento em diferentes áreas da ciência.

Hemocentro e Farmácia do HCFMB recebem certificação do Selo Reciclo HC

Celebrando o mês do meio ambiente, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB) concedeu o Selo Reciclo para dois setores assistenciais de suma importância. O Hemocentro e a Farmácia foram contemplados com a certificação do projeto que visa estimular o descarte correto dos resíduos, especialmente o material reciclável.

O projeto Reciclo HC foi lançado há dois anos e implantado como piloto no Hemocentro, Farmácia e em todo Hospital Estadual Botucatu (HEBo). Para receber o Selo, os setores recebem treinamentos (presenciais e à distância), identificação visual, vídeos, cartazes e fiscalização in loco. O acompanhamento da operacionalização da segregação dos resíduos nestes setores foi realizado pelo Núcleo de Higienização (NH), que realizou o controle do processo e pesagem dos materiais.

“Após cumprir todas as exigências, como participar das capacitações e passar por visita técnica dos Núcleos de Higienização e Núcleo de Hospitais Sustentáveis, verificando o descarte em cada lixeira, vistoriando se a segregação estava sendo feita corretamente, os setores receberam o Selo Reciclo”, explica Karina Pavão, coordenadora do Núcleo de Hospitais Sustentáveis (NHS) do HCFMB.

Com o Selo, os colaboradores da Farmácia e Hemocentro receberam um copo retrátil, reutilizável e fácil de transportar. “Esse copo é ideal para o uso no trabalho, reuniões, plantões e eventos, substitui o uso de centenas de copos descartáveis por ano. É uma ação que busca não só conscientizar sobre a reciclagem de materiais, mas a redução na geração de resíduos na Instituição”, pontua Karina.

Selo Reciclo

O Projeto Reciclo foi desenvolvido por uma equipe multiprofissional do HCFMB, incluindo o NH, Gerência de Comunicação, Imprensa e Marketing e NHS. Foi instituído um selo, o “Selo Reciclo”, para reconhecer setores da instituição que concluam as capacitações sobre o descarte correto dos resíduos, incluindo o material reciclável que deverá ser destinado à Cooperativa de Reciclagem de Botucatu, e, desta forma, contribuir socialmente com o sustento das famílias que dependem deste tipo de material, promovendo o cuidado com o meio ambiente.