Educação

Um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual

Um quarto das estudantes adolescentes do Brasil já sofreu alguma situação de violência sexual, incluindo toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem consentimento.

O alerta faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram entrevistados 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024.

Em relação a 2019, último ano em que a pesquisa foi feita, o percentual de meninas que relataram essas violências nas respostas aumentou 5,9 pontos percentuais.

O IBGE destaca ainda que 11,7% das estudantes entrevistadas contaram que foram forçadas ou intimidadas para se submeterem a relações sexuais. Nesse caso, o aumento em relação a 2019 foi de 2,9 pontos percentuais.

Apesar da proporção de meninas violentadas ser, em média, o dobro da de meninos, estudantes de ambos os gêneros relataram situações de abuso, somando mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e 1,1 milhão de relações forçadas.

Apesar de ações enquadradas nas duas categorias serem tipificadas como estupro pela lei brasileira, o IBGE optou por dividi-las em duas perguntas para facilitar a compreensão dos adolescentes durante as entrevistas.

“Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”

Idade

Outro destaque da pesquisa diz respeito à idade das vítimas no momento do crime. Enquanto as situações de assédio sexual foram mais reportadas por adolescentes com 16 e 17 anos, entre aqueles forçados à relação sexual, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência.

A violência foi mais frequente entre os estudantes de escola pública: 9,3% dos adolescentes dessas instituições relataram já terem sido intimidados ou forçados a uma relação sexual, contra 5,7% dos alunos da rede privada.

Já nos casos de assédio sexual, a proporção entre as duas redes é semelhante.

Quem foram os agressores

O instituto também pediu aos estudantes que apontassem o autor das violências. No caso daqueles que foram submetidos a uma relação forçada, a grande maioria foi violentada por pessoas do seu círculo íntimo:

  • 8,9% por pai, padrasto, mãe ou madrasta;
  • 26,6% por outros familiares;
  • 22,6% por namorados ou ex-namorados;
  • 16,2% por amigos.

Já nos casos de toque não consentido, beijo forçado ou exposição de partes íntimas, a categoria mais mencionada foi “outro conhecido” (24,6%), seguido por outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).

Em ambos os casos, os estudantes podiam escolher mais de uma opção, e o somatório das respostas nas duas questões foi superior a 100%, o que indica que muitos estudantes sofreram esse tipo de violência mais de uma vez, ou de pessoas diferentes.

>> IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes

>> Quatro em cada dez adolescentes já sofreram bullying na escola

Gravidez precoce

A pesquisa também identificou que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos de idade já engravidaram alguma vez, o que representou 7,3% daquelas que disseram ter iniciado a vida sexual. Desse total, 98,7% eram de escolas da rede pública.

Em cinco estados do Brasil, o índice de gravidez precoce ultrapassa 10% das estudantes: Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, onde a situação chega a 14,2% das estudantes.

Outros dados sobre a iniciação sexual dos adolescentes, de forma consentida, levantam preocupações com a prevenção dessas gestações e contra infecções sexualmente transmissíveis.

Somente 61,7% dos estudantes usaram camisinha na primeira relação sexual, proporção que cai para 57,2% no caso da relação mais recente.

Para o IBGE, isso indica que não só os adolescentes não estão se protegendo desde o começo da vida sexual, como esse uso vai caindo com o passar o tempo.

Já entre aqueles que optaram por outros métodos contraceptivos, 51,1% dos estudantes utilizam pílula anticoncepcional e 11,7% usam pílula do dia seguinte, uma opção de emergência, que só deve ser tomada em situações excepcionais.

Apesar disso, quatro em cada dez meninas já tomou esse tipo de pílula pelo menos uma vez na vida.

Início da vida sexual

Em comparação com a pesquisa anterior, os dados de 2024 também apontam para um início mais tardio da vida sexual: 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tinham vivenciado ao menos uma relação, 5 pontos percentuais a menos do que em 2019.

A proporção cai para 20,7% entre os alunos de 13 a 15 anos, e sobe para 47,5% entre aqueles com 16 e 17 anos.

Por outro lado, considerando apenas aqueles que já iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira relação com 13 anos de idade ou menos.

No Brasil, a idade mínima para o consentimento legal é 14 anos, e qualquer relação com pessoa menor do que essa idade pode configurar estupro de vulnerável. Entretanto, os dados da pesquisa apontam que a idade média da iniciação sexual foi de 13,3 anos, entre os meninos, e de 14,3 anos, entre as meninas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Alunos denunciam possível fim do curso de Enfermagem da ETEC de Botucatu e cobram explicações

Estudantes do curso Técnico em Enfermagem da Etec Industrial de Botucatu denunciaram, em entrevista ao jornalista Fernando Bruder, sinais de possível encerramento da formação na unidade. Segundo relatos das alunas, há mais de um ano e meio não são abertas novas turmas, o que levanta preocupação entre os estudantes sobre o futuro do curso, considerado referência regional na área da saúde.

Atualmente, a turma do terceiro semestre seria a única em andamento. De acordo com as estudantes, desde o início da formação havia expectativa de continuidade do curso com novas turmas, mas isso não ocorreu. Apesar disso, não houve confirmação oficial clara por parte da direção sobre o encerramento definitivo. “Na prática, a gente percebe que não existe interesse em manter o curso técnico de enfermagem aqui”, afirmaram.

As alunas destacam que a ETEC de Botucatu sempre teve papel importante na formação de técnicos que hoje atuam em hospitais e clínicas públicas e privadas de Botucatu e região. Elas alertam que a interrupção da formação pode gerar impactos diretos na área da saúde, especialmente diante da necessidade constante de profissionais técnicos no município, inclusive no Hospital das Clínicas da Unesp, onde os próprios estudantes realizam estágios.

Outro ponto levantado é que, desde o ingresso da atual turma, pelo menos três novas turmas poderiam ter sido formadas, o que representaria cerca de 60 novos estudantes em formação atualmente. Além disso, interessados em ingressar no curso estariam sendo informados informalmente de que a formação não deverá continuar sendo oferecida, aumentando a preocupação entre alunos e futuros candidatos.

Segundo as estudantes, a possível paralisação do curso representa não apenas a perda de uma oportunidade de formação gratuita e de qualidade, mas também um risco para a cadeia de formação de profissionais essenciais ao atendimento hospitalar. Elas pedem transparência sobre a situação e defendem a retomada das turmas, destacando a importância histórica da unidade na qualificação de técnicos de enfermagem em Botucatu.

O espaço segue aberto ao diretor da ETEC de Botucatu, Danilo César Ângelo, para pronunciamento oficial da Instituição, porém o mesmo nos retornou mas não quis comentar oficialmente sobre o caso.

Acompanhem a Reportagem:

 

Alunos denunciam risco de extinção do curso Técnico em Enfermagem da Etec de Botucatu e pedem revisão da decisão

Estudantes do terceiro semestre do curso Técnico em Enfermagem da Centro Paula Souza, na Escola Industrial/Etec de Botucatu, manifestaram preocupação com o que classificam como um “desmonte gradual” da formação oferecida pela unidade. Segundo os alunos, a redução na oferta de vagas semestrais e cortes nos vestibulinhos indicam risco de encerramento do curso, tradicional na cidade e considerado referência regional na formação de profissionais da saúde. A turma ingressante em fevereiro de 2025, com conclusão prevista para dezembro de 2026, pode ser uma das últimas a concluir a formação, caso o cenário não seja revertido.

De acordo com os estudantes, o curso possui forte reconhecimento pela qualidade técnica e pela formação prática, com destaque para estágios realizados em instituições de saúde do município, especialmente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Eles destacam que a possível extinção ocorre em um momento de crescente demanda por profissionais da área, o que, segundo o grupo, contraria as necessidades do sistema público de saúde e da própria rede hospitalar regional.

Os alunos também ressaltam que Botucatu é considerada referência em serviços de saúde e participação em campanhas públicas ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo ações durante a pandemia da COVID-19 e mobilizações no combate à dengue. Para eles, a formação de técnicos em enfermagem é essencial para manter a qualidade do atendimento prestado à população local e regional.

Diante da situação, os estudantes pedem que o Centro Paula Souza e o governo estadual reavaliem a decisão e garantam a continuidade do curso. Eles também solicitam apoio da comunidade e de autoridades locais para fortalecer a mobilização em defesa da permanência da formação técnica em enfermagem na cidade, considerada estratégica para a saúde pública regional.

A Rede Alpha entrou em contato diversas vezes com o diretor da ETEC Botucatu, Danilo César Ângelo, porém o mesmo não retornbou nenhuma das nossas ligações.

Projeto Astralis 2026 abre 15 vagas gratuitas para preparar alunos de Botucatu para o Colégio Embraer e a Colégio Técnico Industrial (ETEC)

O Projeto Astralis 2026 está com inscrições abertas para estudantes de escolas públicas de Botucatu que sonham em conquistar uma vaga no concorrido Colégio Embraer e no Colégio Técnico Industrial (ETEC). A iniciativa oferece preparação totalmente gratuita e inclusiva, com foco em alunos do 9º ano do Ensino Fundamental que apresentem bom desempenho escolar e alta motivação para o estudo. Ao todo, serão disponibilizadas apenas 15 vagas.

O programa tem como objetivo desenvolver competências e habilidades exigidas nos processos seletivos dessas instituições, consideradas referência na formação técnica e acadêmica. O processo seletivo será dividido em três etapas: inscrição online até 6 de março de 2026; prova objetiva no dia 8 de março, com 30 questões (15 de Português e 15 de Matemática); e entrevista individual nos dias 9 e 10 de março. Os 15 candidatos com melhor desempenho geral serão selecionados.

As aulas terão início em 12 de março de 2026 e serão realizadas no Cursinho Fractal, localizado na Rua Domingos Soares de Barros, nº 310, no Centro de Botucatu. O curso será dividido em dois semestres, com encontros às terças e quintas-feiras, das 15h10 às 17h40, totalizando cinco horas semanais de instrução.

A grade curricular contempla Língua Portuguesa e Redação, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, com conteúdo alinhado aos editais da Embraer (Vunesp) e ETEC. Os estudantes receberão material didático exclusivo, com apostilas, banco de exercícios e questões de provas anteriores. Também serão aplicados simulados bimestrais e haverá acompanhamento pedagógico individualizado.

Entre os diferenciais do Projeto Astralis estão a gratuidade total, corpo docente experiente, infraestrutura adequada e foco em resultados, com estimativa de aprovação entre 30% e 60% dos participantes.

Mais informações e o link para inscrição serão divulgados nos canais oficiais do projeto. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo WhatsApp (14) 99735-7066.

Censo Escolar 2025 registra 46 milhões de matrículas e aponta queda de 2,29%, diz MEC

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram nesta quinta-feira (26) os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025. Segundo os dados, em 2025, foram registrados 46,018 milhões de estudantes, distribuídos em 178,76 mil escolas públicas e privadas, considerando todas as etapas da educação básica. Houve uma redução de 2,29% nas matrículas, em comparação a 2024, quando foram registradas 47.088.922 estudantes. A queda corresponde a 1, 082 milhão de alunos a menos.

De acordo com o coordenador de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas do Inep (DEED), Fábio Pereira Bravin, a queda não representa um problema. Segundo o órgão, o dado relevante é que o atendimento educacional da população está aumentando. A explicação para a queda das matrículas, de acordo com Bravin, é a redução da população em idade escolar, especialmente entre 0 a 4 anos e a 15 a 17 anos.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados pelo Inep, a projeção para a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025. Em relação à frequência escolar, na faixa etária até 3 anos de idade, a taxa de atendimento subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, atingindo 39,8%. A matrícula na creche, que compreende crianças até 3 anos, não é obrigatória. Já  na faixa etária de 4 a 17 anos, quando a frequência à escola é obrigatória, a frequência chega a 97,2%, apontam os dados do IBGE de 2024.

Redução da distorção idade-série

Outra explicação para a queda no número de matrículas, de acordo com a MEC, é a redução das taxas de repetência e a melhoria dos indicadores de distorção idade-série. Este parâmetro avalia a quantidade de alunos que frequentam a série adequada à sua idade e não estão “atrasados” nos estudos.

“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas.”, apontou o ministro da Educação, Camilo Santana.

Os dois fenômenos, segundo ele, indicam maior eficiência do sistema educacional do país. Para o ministro, o Censo Escolar mostrou que a educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025.

Segundo Camilo, a distorção idade-série no ensino médio, por exemplo, teve uma redução de 61% de 2022 a 2025. “Nós saímos de 27,2% para 13,99% só no 3° ano do ensino médio”, destacou.

“O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos garantir a qualidade, a equidade”, disse o ministro do MEC.

A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, aponta os mesmos motivos para a redução na queda das matrículas.

“É o menor número de alunos desde 2021, quando o Brasil registrou 46,6 milhões de matrículas. Esse é um dado que merece atenção, mas que precisa ser analisado com cuidado e à luz de outras informações demográficas e educacionais”, afirmou.

Ela também aponta a mudança estrutural na demografia brasileira e as melhorias dos dados de frequência escolar como sinais positivos, apesar da redução das matrículas registradas no Censo.

“Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. Dito isso, o desafio permanece: precisamos garantir que todos os estudantes tenham acesso, permanência e qualidade no aprendizado em todas as etapas. E isso exige uma articulação federativa mais forte e estratégica.”

Educação infantil

Segundo o Censo, em 2025, a educação infantil alcançou o maior patamar de crianças de 0 a 3 anos com acesso à creche (41,8%), aproximando-se da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

De acordo com o MEC, apenas em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas, com apoio do governo federal.  O MEC informOU que o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) prevê investir R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas creches.

Conectividade nas escolas

O Censo também apontou aumento da conectividade nas escolas da educação básica. O percentual de escolas com acesso à internet na educação básica passou de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025.

O ministro Camilo Santana destaca que o maior desafio para garantir a conectividade está concentrado na região Norte. Segundo o ministério, foram investidos R$ 3 bilhões, de 2023 a 2025, em escolas estaduais e municipais, alcançando um avanço de 45% para 70% das escolas com conectividade adequada para fins pedagógicos.

Sobre o Censo Escolar 

O levantamento, realizado anualmente pelo Inep, abrange dados sobre todas as escolas da educação básica, professores, gestores e turmas, além das características dos estudantes. As informações incluem todas as etapas e modalidades da educação básica: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional.

Participam escolas públicas e privadas de todas as etapas da educação básica de todas as redes de ensino no país.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução/Marcio Vieira

Nutricionista da Cozinha Piloto afirma que Laudo do Instituto Adolfo Lutz confirmou que a carne estava imprópria para consumo

O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Botucatu voltou a discutir, na reunião desta quarta-feira (25), os desdobramentos do caso das carnes consideradas impróprias para consumo distribuídas na rede municipal de ensino em janeiro de 2026. O encontro foi marcado por debates acalorados entre jornalista da Rede Alpha, nutricionista da Cozinha Piloto, vereador, representantes da secretaria de educação e da Prefeitura de Botucatu.

O nutricionista da Cozinha Piloto, William Fernandes apresentou esclarecimentos adicionais sobre a atuação técnica da Secretaria de Educação e os protocolos sanitários adotados. Segundo ele, a condução do caso seguiu critérios preventivos e normativos. “Desde o primeiro alerta, adotamos medidas cautelares. Houve o bloqueio imediato da proteína, independentemente de marca ou lote, justamente para eliminar qualquer possibilidade de risco. Esse tipo de decisão não é simples, pois envolve logística, contratos e impacto direto na alimentação escolar, mas a prioridade sempre foi a segurança dos alunos, as amostras retiradas passaram por verificação visual, olfativa e laboratorial. Nem todas apresentaram indícios de deterioração. Por isso, os encaminhamentos técnicos consideraram exatamente os lotes questionados”, explicou. Ele acrescentou que toda a documentação foi registrada junto aos órgãos competentes. “Os procedimentos foram formalizados e acompanhados pela vigilância sanitária”

Sobre o descarte das carnes, o nutricionista detalhou que as decisões seguiram orientação técnica. “Quando surgiram as suspeitas, a empresa fornecedora foi imediatamente comunicada e a substituição do produto ocorreu de forma emergencial. Em paralelo, os lotes recolhidos foram isolados para evitar qualquer reintrodução na cadeia de consumo. Esse cuidado é padrão em situações de investigação sanitária”, pontuou.

Durante o debate, o jornalista Fernando Bruder reiterou os questionamentos feitos à administração municipal e destacou o impacto social do caso. “O que nos chamou atenção foi o volume de relatos semelhantes vindos de diferentes pontos da cidade. Famílias, merendeiras e até servidores relataram o mesmo problema. Nossa função como imprensa é justamente dar voz a essas denúncias provenientes da população”, declarou. Bruder também enfatizou a necessidade de comunicação institucional mais ágil. “Em episódios sensíveis, o silêncio oficial da Prefeitura amplia a desconfiança. Transparência é fundamental.”

O vice-presidente do CAE, Luciano Valin, reforçou a preocupação do conselho com os indícios observados em campo. “Quando estivemos nos locais, o odor era muito forte. Não era uma situação subjetiva. Havia registros fotográficos, relatos consistentes e preocupação legítima das famílias. Nosso papel é agir diante de qualquer suspeita que envolva alimentação escolar”, afirmou. Ele voltou a defender maior integração entre o conselho e a Secretaria de Educação. “O CAE não é adversário da gestão, mas um instrumento de controle social. Precisamos ser incluídos nos processos.”

Valin também relatou desconforto com a condução da comunicação durante a crise. “Houve momentos em que a narrativa pública não refletia o que estava sendo verificado pelos conselheiros. Isso gera desgaste desnecessário. A solução passa pelo diálogo e pela clareza das informações”, disse. Valim também solicita uma retratação pública do Prefeito Fábio Leite, pois o prefeito disse em uma emissora de rádio que a Prefeitura teria feito o Boletim de Ocorrência sobre o assunto, fato desmentido por Luciano Valim, tendo em vista não encontrar nenhum Boletim de Ocorrência nos Distritos Policiais de Botucatu.

Outros participantes da reunião também se manifestaram, destacando a relevância do episódio para o aprimoramento dos mecanismos de fiscalização. Conselheiros ressaltaram que o caso evidenciou a importância de revisões nos critérios de recebimento, armazenamento e controle de qualidade dos alimentos. “Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de uma oportunidade para fortalecer procedimentos e evitar recorrências”, pontuou um dos membros.

Ao final, William Fernandes informou de maneira categórica que o laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz concluiu que “AS CARNES ANALISADAS ESTAVAM IMPRÓPRIAS PARA CONSUMO”. A confirmação técnica reforçou a versão apresentada pelo Conselho de Alimentação Escolar que foi amplamente divulgada pela Rede Alpha de Comunicação à toda a população botucatuensea.

Fernando Bruder ressaltou que: “A seriedade do caso e ampliou o debate sobre responsabilidades, protocolos e fluxos de comunicação entre fornecedores, poder público e órgãos de controle. Nós tinhamos certeza que a carne estava imprópria, pois acompanhei reportando em diversas partes do município, relatos e depoimentos, visualizando o estado da carne fornecida pela Prefeitura de Botucatu aos alunos da Rede Municipal de Ensino“.

O CAE reiterou que seguirá acompanhando o tema e cobrando medidas que garantam rigor técnico e transparência administrativa. O caso permanece como um dos assuntos mais sensíveis da pauta educacional do município, mobilizando famílias, profissionais da educação e autoridades locais.

Terceiro Setor cobra providências do Executivo em reunião com prefeito em Botucatu

Representantes de entidades do Terceiro Setor de Botucatu se reuniram no dia 20 de fevereiro com o prefeito Fábio Vieira de Souza Leite, em encontro convocado pelas próprias instituições para apresentação de demandas e cobrança de providências do Executivo. A reunião contou com a presença de secretários municipais e do procurador jurídico, e teve como foco principal as dificuldades enfrentadas pelas organizações na execução de parcerias e na prestação de contas de recursos públicos.

Durante o encontro, as entidades relataram entraves considerados críticos, como o impedimento de remanejamento de recursos entre rubricas, a limitação de alterações nos planos de trabalho, a geração de saldos que resultam em devoluções de valores expressivos, a ausência de regulamentação municipal da Lei Federal 13.019/2014 e a inexistência de um fundo específico para custear verbas rescisórias trabalhistas. Segundo os participantes, as regras atuais têm provocado insegurança administrativa e impacto direto na sustentabilidade das instituições.

Ao final das discussões, o prefeito assumiu compromisso público de adotar uma série de medidas. Entre os pontos acordados, o chefe do Executivo se comprometeu a: (1) elaborar o regulamento municipal para a Lei 13.019/14; (2) realizar estudo técnico visando à implantação de um Fundo para Rescisões Trabalhistas; (3) promover gestão junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo para esclarecimento dos principais problemas apontados pelas entidades; (4) determinar análise criteriosa das prestações de contas das instituições que devolveram ou ainda terão de devolver recursos ao Município; (5) concordar que as organizações possam buscar esclarecimentos diretamente junto ao Tribunal de Contas; (6) adotar providências para o aprimoramento dos setores da Prefeitura envolvidos na análise das prestações de contas; e (7) garantir que as instituições sejam ouvidas na definição e eventual reformulação do sistema de prestação de contas.

Apesar do tom conciliador do encontro, uma das pessoas presentes relatou que o avanço foi limitado. “O clima da reunião foi pacífico, porém poucos avanços práticos ocorreram, principalmente em relação às entidades que possuem valores a devolver, que têm sido as mais atingidas pelas últimas determinações realizadas pela Prefeitura nos últimos meses”, afirmou um conselheiro que acompanhou as discussões.

Estiveram representadas na reunião as seguintes instituições: Alpha Associação de Caridade, AFRAPE, APAE, APAPE, Associação Bethel, Associação Irmã Ceci, Associação Maranata, Associação Pérola Negra, Associação Três Irmãs, Canal Comunitário da Cidade de Botucatu, Creche Criança Feliz e Projeto Crescer, Nutras, Instituto Ruach e SASAM – Sociedade Assistencial Social Apostólica e Missionária. As entidades afirmaram que acompanharão os desdobramentos dos encaminhamentos anunciados pelo Executivo.

Foto: Prefeitura de Botucatu / Ilustrativa

Dois adolescentes de Botucatu conquistam certificação escolar na Fundação CASA após exame educacional

Dois adolescentes de Botucatu estão entre os jovens que obtiveram certificação de ensino após participarem do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) voltado a Pessoas Privadas de Liberdade (PPL), aplicado em 2025. O resultado foi divulgado pela Fundação CASA, responsável pelas unidades socioeducativas no Estado de São Paulo.

Em todo o estado, 413 adolescentes conquistaram certificação, número 5,6% superior ao registrado em 2024, quando 391 jovens foram aprovados. Do total deste ano, 250 concluíram o ensino fundamental e 163 finalizaram o ensino médio. As provas foram realizadas nos dias 23 e 24 de setembro, em 71 centros de atendimento, reunindo 2.210 participantes.

Na capital paulista, 109 jovens alcançaram a certificação. Já na Região Metropolitana e no interior, os resultados foram distribuídos entre diversos municípios. No interior, cidades como Ribeirão Preto (27), Sorocaba (20), Lins (20) e São José do Rio Preto (18) apresentaram os maiores números. Botucatu registrou dois certificados.

Ribeirão Preto liderou entre os municípios do interior, com destaque para o CASA Ribeirão Preto, unidade que obteve 19 certificações, o maior desempenho entre os centros de atendimento.

O Encceja PPL é destinado a pessoas privadas de liberdade que desejam concluir os estudos fora da idade considerada regular. Para a certificação do ensino fundamental, é necessário ter ao menos 15 anos, enquanto o ensino médio exige idade mínima de 18 anos.

De acordo com a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, os resultados reforçam a importância da educação no processo socioeducativo. O ensino nas unidades é oferecido em parceria com a rede estadual, com aulas ministradas por professores da rede pública e acompanhamento pedagógico focado na continuidade da formação escolar.